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#530 Como a Morte de Cristo pode Satisfazer a Justiça Divina?

April 29, 2018
Q

Eu acredito na substituição penal, porque senão o perdão seria impossível e, assim, não haveria razão para buscar o perdão em Deus. Todos não teriam escolha a não ser ir para o inferno.

No entanto, como eu deveria responder a alguém que diz “por que Deus, o Pai, pode satisfazer as exigências da justiça punindo Jesus Cristo, um inocente, em meu lugar, mas Lance Ito não satisfez as exigências da justiça ao punir uma criança, um inocente, no lugar de OJ Simpson? Eu não tenho uma resposta a não ser “Deus quis assim”.

Tomislav
Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Para aqueles que não lembram, Lance Ito foi um juiz no famoso caso de assassinato de OJ Simpson. Simpson foi absolvido, mas você está perguntando por que, se ele fosse considerado culpado, outra pessoa não teria pago a sentença por ele, dado que Cristo pagou a sentença de morte por nós.

Eu quero ser muito preciso sobre a sua pergunta, Tomislav. A sua pergunta não é sobre a moralidade da substituição penal. Mas a sua pergunta é sobre a satisfação da justiça. Como podem as exigências da justiça recíproca serem atendidas ao punir um substituto em um caso, mas não no outro?

Teólogos protestantes, como François Turretin (1623-87), ofereceram uma explicação de como a substituição penal, no caso de Cristo, faz sentido. Cristo, ele defende, não é meramente o nosso substituto, mas também é o nosso representante diante de Deus. Essa distinção importante requer uma explicação sobre substituição e representação, respectivamente. Na substituição, alguém toma o lugar de outra pessoa, mas não representa essa pessoa. Por exemplo, um rebatedor substituto, no beisebol , entra na escalação para rebater no lugar de outro jogador. Ele é um substituto para aquele jogador, mas em nenhum sentido representa aquele outro jogador. Por isso que a média de rebatimento do jogador que ele substitui não é afetada pelo desempenho do rebatedor substituto. Por outro lado, um representante age em nome de outra pessoa e serve como um porta-voz. Por exemplo, o jogador de beisebol  tem um agente que o representa em negociações de contrato com o time. O representante não substitui o jogador, mas meramente o defende.

Turretin acredita que Cristo, ao suportar a nossa pena, foi tanto o nosso substituto como o nosso representante diante de Deus. Ele foi punido em nosso lugar e carregou o sofrimento que nós merecemos. Mas ele também nos representou diante de Deus, para que a sua punição fosse a nossa punição. Uma boa ilustração dessa combinação de substituição e representação é vista no papel de um representante em uma reunião de acionistas. Se não pudermos ir à reunião, podemos assinar um acordo, fornecido pela empresa, autorizando outra pessoa para ser o nosso representante na reunião. Perceba que essa autorização válida é a chave; nem todo mundo pode servir como nosso representante. O representante vota por nós e, por ter sido autorizado a fazer isso, os votos dele são os nossos votos: nós votamos por um representante em uma reunião de acionistas. O representante é um substituto no sentido de que ele vai à reunião em nosso lugar, mas ele também é um representante no sentido de que ele não vota em nosso lugar, mas em nosso nome, para que votemos. Do mesmo modo, Cristo não foi meramente punido em nosso lugar, mas fomos punidos por um representante. Por isso, a justiça divina é satisfeita.

Como somos representados por Cristo? Em virtude da encarnação de Cristo, e devo dizer, por seu batismo, em que Cristo se identificou com a humanidade caída, Cristo é nomeado por Deus para servir voluntariamente como o nosso representante diante Dele. Há poucas conseqüências se não houver um paralelo para tal acordo em nosso sistema criminal; de fato, Deus até proíba tal pena de substituição de pessoas humanas. A ninguém foi dado tal papel. Mas Deus é livre para fazer tal acordo. O Logos, a segunda pessoa da Trindade, foi nomeado para servir voluntariamente como o nosso representante diante de Deus através da sua encarnação e batismo, para que a sua morte satisfaça as exigências da justiça divina. Autorizamos Cristo para ser o nosso representante ao aceitá-lo como o nosso Salvador e depositando a nossa fé Nele.

- William Lane Craig