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#547 Como seremos diferentes no céu?

July 29, 2018
Q

Ando fazendo perguntas sobre minha vida futura no céu com o Senhor e ainda não encontrei um pastor ou professor de escola dominical disposto a discutir estas questões que me interessam. Estou pensando, por exemplo, nas questões: o céu será extensão de nossa vida terrena? Teremos interações com nossos familiares e amigos terrenos? O senhor acredita que andaremos em “ruas de ouro”? Se sim, por que haverá algo assim? Viveremos em mansões luxuosas? Se gostávamos de jogar cartas na terra, jogaremos cartas no céu? E por aí vai... Em poucas palavras, o Bob celestial será o mesmo que o Bob terreno?

Bob
Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Talvez a razão por que seus professores de escola dominical e pastor relutem em discutir estas perguntas com você, Bob, é que sabemos tão pouco sobre a vida após a morte que especular não traz muito proveito. É melhor esperar para ver!

Dito isto, penso que podemos afirmar com segurança que o “Bob celestial” certamente não será “o mesmo que o Bob terreno”! Na verdade, você será a mesma pessoa, mas essa pessoa vai passar por uma grande mudança. Isto porque o Bob terreno está carregado de pecado, assolado pela fraqueza, vacilante e deficiente em seus maiores esforços para viver sua vida para a glória de Deus. Mas o Bob celestial estará livre do pecado, cheio do poder do Espírito Santo e totalmente agradável a Deus em todos seus desejos e ações. O fato de que o mal será banido dos novos céus e nova terra exigem uma transformação em nosso caráter que mal podemos imaginar!

Sua suposição de que poderemos, no mínimo, fazer coisas como jogar cartas ou morar em edifícios mostra que você entendeu corretamente que a vida após a morte não é existência incorpórea, como pretendeu Platão, mas vida corpórea. Sua vida futura não será “no céu”, mas na terra que Deus introduzirá após o desfecho da história humana e a dissolução deste universo. Teremos corpos ressurretos que Paulo descreve como gloriosos, poderosos, imortais e sobrenaturais (1 Coríntios 15.42-44), habitando um novo universo que passou por sua própria ressurreição (Romanos 8.21), livre da degradação e da morte.

Jesus Cristo em seu estado ressurreto nos dá a melhor pista de como serão nossas vidas, pois ele é “as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15.20). Nele temos uma prévia de como seremos na vida após a morte. Com base nisto, eu diria que a vida após a morte será, deveras, “extensão de nossa vida terrena”. Isto porque Jesus sabia quem eram seus conhecidos quando lhes apareceu, e suas feridas eram lembretes do que sofrera por eles em sua vida terrena. A vida ressurreta não é só um prolongamento da vida terrena, uma vez que envolve a transformação radical conforme descrita por Paulo, mas não quer dizer que a vida terrena seja descartada e esquecida.

Teremos interações com nossos familiares e amigos terrenos?” Jesus teve. Ele apareceu a seu irmão Tiago (1 Coríntios 15.7) e interagiu com seus discípulos. Por isso, espero que também o faremos. Não haverá casamento na vida futura, mas isto não dá motivo para pensar que você não reconhecerá sua esposa terrena (ou esposas!) como sua irmã no céu.

O senhor acredita que andaremos em ‘ruas de ouro’? Se sim, por que haverá algo assim? Viveremos em mansões luxuosas?” Neste caso, a incerteza é mais adequada. O livro de Apocalipse é literatura apocalíptica, conhecida por seu emprego de simbolismo vívido. As descrições da nova Jerusalém (Apocalipse 21.9-27) talvez sejam imagens vívidas para nos transmitir sua beleza e valor estonteantes. Por outro lado, um ex-colega meu, destacado estudioso do Novo Testamento, certa vez comentou comigo de modo bem direto que acha que seremos ricos no céu. Após superar minha surpresa inicial, ocorreu-me que, uma vez que teremos existência corpórea, teremos de viver em algum lugar, e seria absurdamente inadequado que os santos na glória vivessem na miséria. Por que Deus não lhes concederia mansões luxuosas? Por que não pavimentar as ruas com ouro? Seria, no mínimo, belo!

Se gostávamos de jogar cartas na terra, jogaremos cartas no céu?” Quem sabe? Embora uma atividade assim me pareça trivial demais, quem sou eu para dizer que, por exemplo, um Beethoven não continuará a compor ou um Rembrandt a pintar? Minha maior reserva em relação à continuidade desse tipo de atividade terrena é que, ao que me parece, a visão pura de Cristo, agora não mais visto como em espelho, mas face a face (1 Coríntios 13.12), será tão irresistível e envolvente que ninguém terá vontade de jogar cartas, e sim de cantar louvores e adorá-lo. Se isto lhe soa entediante, você ainda não entendeu o imensurável bem que é conhecer a Deus. Por isso, estou inclinado a pensar que as pessoas que acham que, quando forem para o céu, passarão tempo infinito pintando ou jogando golfe poderão se surpreender com a mudança de seus desejos, uma vez que estiverem libertos do pecado e receberem a visão pura de Deus. Será muito melhor do que jamais imaginamos.

- William Lane Craig

- William Lane Craig