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#570 Deus é um objeto concreto?

December 09, 2018
Q

Olá, Dr. Craig.

Meu nome é Joshua Pelletier, e eu moderei e encaminhei as perguntas a ser feitas em seu debate recente com o dr. Erik Wielenberg. Peço desculpas por não poder falar com o senhor ou me apresentar, pois já eram quase 22h e o senhor já precisava sair. No entanto, consegui uma foto juntos, além de seu autógrafo na minha cópia de Em guarda. Obrigado.

Das muitas perguntas que as pessoas mandaram, eu tinha lhe encaminhado sete, mas, por causa do tempo limitado, nem todas foram feitas. Uma das perguntas populares que ficou na fila dizia respeito a como Deus pode ser um objeto concreto. Penso que as pessoas, em geral, indagavam como um ser todo-poderoso e imaterial poderia ser um objeto concreto. O senhor poderia explicar melhor a questão?

Obrigado.

Joshua

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Eu também vi reações atônitas a esta questão entre os leitores de nossa página do Facebook de Reasonable Faith, Josh. Eu sabia que minha crítica ao platonismo moral do Dr. Wielenberg passaria batida entre muita gente (a maioria) na plateia, mas, em situação de debate, onde o tempo é precioso, não se pode parar para explicar o contexto de termos técnicos. A crítica era importante demais para ser omitida. Quem está familiarizado com discussões em torno do platonismo entenderá o argumento, e era de se esperar que outros viessem a buscar esclarecimentos, como você acaba de fazer.

Talvez pareça que um ser espiritual imaterial seja o paradigma da abstração, mas, na verdade, não é assim. Ao passo que objetos abstratos são imateriais, nem todas as coisas imateriais são abstratas. Ao passo que não há nenhum consenso absoluto sobre o que seja um objeto abstrato, de longe o ponto de vista convencional é que há objetos que são, essencialmente, estéreis do ponto de vista causal. Ou seja, eles não têm nenhuma potência causal. Os exemplos costumeiros de objetos abstratos, como entidades matemáticas, propriedades, enunciados, mundos possíveis e personagens literários são todos assim, ao passo que tudo que tenha potência causal, como elétrons, pessoas, cavalos, e assim por diante, parece não ser abstrato.

Assim, dado o entendimento costumeiro, é imediatamente evidente que Deus, se Ele existe, é um objeto concreto. Pois Deus possui potências causais e é, deveras, a causa de tudo, exceto de Si mesmo. Ele é um ser pessoal, e nenhuma pessoa pode ser um objeto abstrato.

Agora você pode entender por que van Inwagen, que eu citei, diz que as diferenças entre Deus e uma caneta se tornam insignificantes quando comparadas com as diferenças entre Deus e o número 4. Deus e a caneta são diferentes em materialidade e em diversas outras maneiras, mas, no mínimo, Deus e a caneta possuem a potência causal de afetar outras coisas. Tanto Deus quanto o número 4 são imateriais, mas pertencem a diferentes categorias da realidade.

Seja como for, o argumento é que, por possuir potências causais, Ele não é um objeto abstrato como um número, propriedade ou enunciado.

- William Lane Craig