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#563 Eu, compatibilista?

October 28, 2018
Q

Saudações, Dr. Craig.

Ao ler a pergunta # 278, percebi que, em sua resposta à questão da liberdade de Deus e sua simultânea incapacidade de fazer o mal, o senhor segue um clássico Caso de Frankfurt; nas suas palavras, “crucial para a liberdade da vontade não é a capacidade de fazer o oposto, mas a ausência de restrições causais externas sobre a própria vontade”. Este, obviamente, é o credo do compatibilista, ao dizer que o que importa não é a capacidade de fazer o contrário, mas, sim, se a decisão é realmente por conta própria, no sentido de liberdade de influência externa. Já sigo seu trabalho faz muitos anos, e tinha a forte impressão de que o senhor era incompatibilista e crente na liberdade libertária. Agora, não tenho tanta certeza de qual é sua visão. O senhor é, na verdade, compatibilista? Se sim, certamente sabe das implicações para a defesa do livre-arbítrio na questão do problema do mal — a saber, a defesa do livre-arbítrio não funciona no compatibilismo, porque Deus não poderia simplesmente determinar que todos sempre escolhessem livremente a bondade e a vida eterna com ele. Se não for compatibilista, por que defende um argumento clássico a favor do compatibilismo na pergunta # 278?

Cordialmente,

James

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Sou explicitamente libertário em relação à liberdade da vontade; então, não deve restar dúvida a este respeito. Simplesmente nego o chamado Princípio de Possibilidades Alternadas, segundo o qual a capacidade de fazer o contrário em dada situação é condição necessária da liberdade libertária. É esta a lição dos experimentos mentais que você mencionou.

Pois bem, entendo que o compatibilista pensa que o livre-arbítrio seja compatível com o fato de que minha escolha é causalmente determinada por fatores externos a mim. Por isso é chamado de “compatibilismo”! Minha escolha é causalmente determinada, mas, não obstante, livre. Nego isto, optando por defender que a livre escolha não pode ser determinada causalmente por fatores externos.

Penso que esteja confundindo coerção com determinação causal. O compatibilista pensa que uma livre escolha deva ser voluntária, algo que alguém deseja fazer, sem coerção. Porém, escolhas voluntárias são, para o compatibilista, ainda assim causalmente determinadas. Libertários pensam que ser voluntário não é condição suficiente para a livre escolha.

É incorreto que, de acordo com o compatibilista, “o que importa não é a capacidade de fazer o contrário, mas, sim, se a decisão é realmente por conta própria, no sentido de liberdade da influência externa”. Não, é a liberdade da coerção. Como você mesmo reconhece, segundo o compatibilismo “Deus poderia simplesmente determinar que todos sempre escolhessem livremente” o que fazer. Portanto, o compatibilista pensa que a livre escolha é compatível com o fato de nossas escolhas serem causalmente determinadas por fatores externos, em contraste com libertários como eu.

- William Lane Craig