#775
April 9, 2022Olá, Dr. Craig.
A minha pergunta diz respeito à blasfêmia e como fazer distinção entre as palavras em si e a intenção por trás delas. Será que a expressão “God damn” é inerentemente pecaminosa pelo simples fato de ser proferida, ou será que a pessoa que a está dizendo deve ter uma intenção genuína por trás dela para fazê-la pecaminosa? A pergunta é importante porque sou ator. “Oh, my God!” é expressão muito comum nos roteiros. A minha consciência me diz que não devo proferi-la, embora não sejam as minhas palavras, mas a de um personagem. Costumo falar com os diretores para que removam essas frases. Será que estou correto ao fazê-lo, ou será que proferir estas frases não é nenhum problema assim, se não vêm genuinamente de mim? Será que vale a pena me sacrificar por isso? Tenho bastante receio de que perderei esses papéis ou a minha reputação por causa desta convicção. Será que a minha consciência está mal-informada, ou será que devo suportar a perseguição decorrente desta posição? Obrigado por sua atenção.
Evan
Estados Unidos
Dr. Craig responde
A
Esta é uma pergunta a que todo ator cristão precisa responder! Meu instrutor de teatro na faculdade deu o melhor conselho que já ouvi a este respeito. Ele indicou que, como ator numa peça (ou filme), pode-se simular que se está cometendo vários pecados, como homicídio, adultério ou roubo, sem incorrer na culpa de cometer, de fato, esses pecados. No entanto, como ele comentou, a blasfêmia é algo diferente. O nome de Deus é sagrado e não deve ser usado em vão. Porém, o simples fato de simular a blasfêmia ao dizer: “Oh, my God!” numa peça ou filme é, portanto, usar o nome do Senhor em vão. O ator está a proferir o nome de Deus, sem lhe dar a devida reverência. Assim, independentemente do seu estado mental, tal ator blasfema, de fato, o nome de Deus.
Assim, eu o encorajaria a trabalhar em conjunto com os roteiristas ou diretores para fazerem as alterações no roteiro que forem necessárias. Talvez você queira até conversar com um advogado a este respeito. As cortes decidiram que empregadores não podem forçá-lo a usar a sua fala de modo a violar as suas crenças religiosas (pense no caso do confeiteiro de Colorado que se recusou a colocar uma mensagem num bolo de casamento que endossava o casamento homossexual). Você tem bons fundamentos constitucionais em relação à sua liberdade de expressão e liberdade religiosa para resistir à coerção para dizer coisas contrárias às suas crenças religiosas. Obviamente, você não quer ganhar a reputação de alguém com quem é difícil trabalhar. No fim das contas, porém, você precisa manter-se firme nos seus princípios, mesmo que isto lhe custe algo.
- William Lane Craig