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Doutrina do Espírito Santo (Parte 3): O Espírito Santo na antiga aliança

April 02, 2023

Mais ministérios do Espírito Santo /

O papel do Espírito Santo no Antigo e no Novo Testamento

Encerramos, da última vez, falando dos ministérios proeminentes do Espírito Santo. Vimos que o Espírito Santo esteva envolvido na criação de um planeta habitável na terra, que ele esteva envolvido na revelação divina e na inspiração das Escrituras, que ele foi responsável pela concepção de Jesus e que, nas nossas vidas, é mediante o Espírito Santo que experimentamos o novo nascimento — a regeneração — para a vida espiritual. Somos habitados pelo Espírito Santo quando nos tornamos cristãos e batizados pelo Espírito Santo no corpo de Cristo.

Continuando…

7. O Espírito Santo dá-nos a certeza da nossa salvação. Leiam Romanos 8.14-16. Paulo diz:

<blockquote>

Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes um espírito de escravidão para vos reconduzir ao temor, mas o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: “Aba, Pai!” O próprio Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo...

Então, é mediante o testemunho do Espírito Santo nos nossos corações que temos a confiança e certeza de que, de fato, somos salvos, de que pertencemos a Cristo e de que somos filhos de Deus.

8. O Espírito Santo dá a capacitação para a vida espiritual. Ë mediante o Espírito Santo que somos capacitados a viver uma vida piedosa. Em Gálatas 5.16-18, 25, Paulo diz:

Mas eu afirmo: Andai pelo Espírito e nunca satisfareis os desejos da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne. Eles se opõem um ao outro, de modo que não conseguis fazer o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, já não estais debaixo da lei... Se vivemos pelo Espírito, andemos também sob a direção do Espírito.

Então, como cristãos, não é para sermos meramente habitados pelo Espírito Santo, mas para andarmos, diariamente, no poder do Espírito Santo. Isto nos ajudará a superar os desejos pecaminosos da nossa natureza humana decaída que nos agarra, arrasta e enloda no pecado. É mediante a capacitação do Espírito Santo que conseguimos transcender a nossa natureza humana decaída e viver vidas piedosas que honram a Cristo.

9. O Espírito Santo é a fonte de dons espirituais para edificar o corpo de Cristo. Em 1 Coríntios 12.4-11, Paulo descreve alguns dos dons que o Espírito Santo dá. Diz ele:

Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de realizações, mas é o mesmo Deus quem realiza tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para benefício comum. Porque a um é dada, pelo Espírito, a palavra de sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de conhecimento. A outro, pelo mesmo Espírito, é dada a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, dons de curar; a outro, a realização de milagres; a outro, profecia; a outro, o dom de discernir os espíritos; a outro, variedade de línguas; e a outro, interpretação de línguas.[1] Mas um só Espírito realiza todas essas coisas, distribuindo-as individualmente conforme deseja.

De acordo com Paulo, o Espírito Santo dotou a igreja com todas essas habilidades espirituais especiais, distribuídas conforme a sua vontade para operar na edificação do corpo de Cristo. Quer dizer que você tem um dom espiritual que o Espírito Santo lhe concedeu, e você deve exercê-lo no contexto da sua comunidade cristã local.

10. O fruto do Espírito Santo. O Espírito produz fruto espiritual nas nossas vidas. Em Gálatas 5.22-24, Paulo, após listar as obras da carne, passa a dizer, no versículo 22:

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio. Contra essas coisas não existe lei. Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne juntamente com suas paixões e desejos.

Assim, a manifestação do Espírito Santo não é, propriamente falando, esses dons espirituais. A cada um é dado um dom spiritual para servir ao corpo de Cristo, mas a maneira em que o Espírito Santo se manifesta na vida de alguém que anda no Espírito é a produção destas qualidades de caráter, destas virtudes, que são produzidas na pessoa, como amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade e assim por diante. São os frutos ou sinais reais do enchimento do Espírito Santo na vida da pessoa.

Ao olharmos esta lista de ministérios proeminentes do Espírito Santo, creio que vocês só podem ficar se perguntando como é que o Espírito poderia sequer tornar-se a pessoa esquecida da Trindade. Ele está presente bem ali desde o começo, sendo absolutamente vital em cada aspecto da vida cristã.

DISCUSSÃO COMEÇA

Aluno: Outro ministério, para aqueles que cremos que não se pode perder a salvação, está em Efésias 1.13:

Nele, também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança, para a redenção da propriedade de Deus, para o louvor da sua glória.

Dr. Craig: Muito bom, obrigado! Independentemente do modo em que se interprete a perseverança dos santos, como você disse, o selo do Espírito Santo está bem aí na Escritura. Então, todo cristão não é só habitado pelo Espírito Santo; ele é selado pelo Espírito Santo para o dia da redenção. Boa observação. Obrigado.

Aluno: Há um artigo bem interessante[2] que vi circulando no Facebook recentemente que diz: “Sondagem aponta que a maioria dos cristãos americanos são, na verdade, hereges”. Não se trata de cristãos nominais, de grupos diferentes. São, realmente, os evangélicos. Estava tentando encontrar a estatística exata, mas um número assustadoramente alto de pessoas disse... isso, aqui está:

Todos esperavam que eles tivessem desempenho melhor do que a maioria dos americanos. Ninguém esperava que eles tivessem desempenho pior. Sete em cada dez evangélicos — mais do que a população geral — disse que Jesus era o primeiro ser que Deus criou. Sessenta e seis porcento concordou com a afirmação de que “o Espírito Santo é uma força divina, mas não um ser pessoal”. Também viram um aumento enorme em evangélicos (28 porcento, uma subida dos 9 porcento anteriores) que indicaram que a Terceira Pessoa da Trindade não é igual ao Pai ou a Jesus, em contradição direta à ortodoxia cristã. O Espírito Santo costuma, obviamente, ser negligenciado. As fontes, porém, dizem que ele parecia desapontado com esses resultados.

Dr. Craig: Então, 56% pensam ser o Espírito uma força impessoal, e não uma pessoa.[3]

Aluno: Sim, é uma força divina, e não um ser pessoal, e não é nem sequer parte da Trindade. Parece que são como que crentes binitários. Ele não é nem mesmo Deus.

Dr. Craig: A minha suspeita é que isto reflete o tipo de novo modo de cristianismo evangélico neste país, concentrado em experiências de adoração emocional, em entretenimento, em estratégias atraentes, em contemporaneidade, mas com pouquíssima instrução. Escolas dominicais para adultos é algo raro, hoje em dia. A ninguém se ensina a doutrina cristã. As pessoas só vão semanalmente e têm a sua dose de culto, mas aquilo em que realmente creem acaba sendo deixado de lado. J. P. Moreland, meu colega na Escola de Teologia Talbot, no seu livro Love Your God With All Your Mind [Amarás o teu Deus de toda a tua mente], advertiu que a igreja corre o perigo (nas palavras dele) de virar o seu próprio coveiro, porque, em mais uma geração, as pessoas criadas nesses tipos de igrejas só poderão se desviar para toda espécie de doutrinas heréticas e anticristãs. Na busca por inchar os seus números, acomodando-se à cultura contemporânea, a igreja irá, na verdade, cometer uma espécie de suicídio. É algo muito sério.

Aluno: Acho que, na semana passada, o senhor mencionou que o Espírito Santo é fonte de sabedoria para os crentes. Talvez o tenha colocado sob revelação divina no seu esboço.

Dr. Craig: Não está nas minhas anotações. Talvez o tenha dito.

Aluno: Só para comentar a este respeito. Em 1 Coríntios, capítulos 1 a 3, Paulo expõe lado a lado o que ele chama de “a sabedoria do mundo” (dos gregos) e a sabedoria cristã. Ele parece dizer — e ele responde aos coríntios, em cuja cidade ele esteve por um ano e meio, conforme Atos 18 — que os gregos consideram a sabedoria espiritual que Paulo defende como se fosse loucura. Os gentios parecem ser empiristas cabeçudos. Ele diz, em 1 Coríntios 2.14, que o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus; elas lhe são loucura. Ele não consegue entendê-las. Não é possível testar empiricamente, não se pode perceber com os cinco sentidos a obra do Espírito Santo na produção de sabedoria. Porém, Paulo diz que a verdadeira sabedoria provém de Deus. No capítulo 2 de 1 Coríntios, ele diz que o Espírito conhece a mente de Deus, os pensamentos de Deus. De algum modo, os cristãos podem partilhar disto, por meio da sua relação com Cristo. Parece-me que vale a pena enfatizar que é uma fonte disponível a todos os cristãos. Acho que, na passagem sobre os dons do Espírito (1 Coríntios 12), menciona-se palavra de sabedoria como dom dado a alguns, talvez não a todos. No entanto, a sabedoria aqui em 1 Coríntios 1 a 3, a meu ver, está disponível a todos os cristãos. É algo que somos incentivados a aproveitar, ainda que... quando Paulo esteve em Atenas, em Atos 17, alguns dos filósofos disseram que ele era um tagarela a pregar deuses estranhos. Não conseguiam entender do que ele estava falando. Parece-me que vale a pena enfatizar que é uma fonte distinta de sabedoria daquela que Paulo ensina: a sabedoria do mundo.

Dr. Craig: Acho que Paulo, provavelmente, teria pensado que esses filósofos epicureus e estoicos que ele encontrou em Atenas eram loucos à vista de Deus. O tipo de filosofia que eles tinham era filosofia sem Deus, sem reconhecer a criação do mundo por Deus e sem saber que representava, na realidade, a louca sabedoria do mundo. Porém, fazer filosofia da perspectiva cristã, com premissas e pressupostos cristãos, conforme diz Paulo, esta é a sabedoria de Deus, mesmo que, aos olhos do mundo, pensem que é loucura crer em Deus e na verdade cristã. Você está certo: trata-se de uma espécie de sabedoria que não é um dom do Espírito, no sentido dos dons espirituais, mas está disponível a todos os cristãos que têm essa sabedoria encontrada em Cristo.[4]

DISCUSSÃO TERMINA

Queremos passar, agora, para uma discussão do papel do Espírito Santo no Antigo Testamento, em comparação com o papel exercido pelo Espírito Santo no Novo Testamento.

Antes do Pentecoste, que é como que a dobradiça da história em relação ao ministério do Espírito Santo no mundo, o Espírito Santo vinha a pessoas para habitá-las, a fim de que desempenhassem algumas funções especiais específicas, alguma tarefa designada que Deus tinha em mente para elas. Há inúmeros exemplos disto no Antigo Testamento. Vamos, então, ler alguns deles.

Êxodo 31.1-3 e, então, Êxodo 35.30-35.

Depois dessas coisas, o Senhor disse a Moisés: “Eu designei Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe sabedoria, entendimento e habilidade em toda atividade artística”.

Passa, então, a descrever como Deus dotara este homem para ser o projetista e construtor do tabernáculo. A ideia é expandida em Êxodo 35.30-35:

Depois dessas coisas, Moisés disse aos israelitas: “O Senhor designou Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o encheu do Espírito de Deus, dando-lhe sabedoria, entendimento e habilidade em todo ofício, para criar obras artísticas, para trabalhar em ouro, em prata e em bronze, para lavrar pedras de engaste e fazer entalhe em madeira, enfim, para trabalhar em toda obra de arte. Também deu a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, capacidade para ensinar os outros. Encheu-os de sabedoria para realizarem todo ofício de gravador, de desenhista, de bordador em tecido azul, púrpura, carmesim e linho fino, de tecelão, enfim, para criar e realizar toda obra artística”.

Aqui, de modo bem prático, Deus enchera esses homens com o seu Espírito Santo para fazerem obras artísticas em madeira, pedras e tecidos para a instalação e decoração do tabernáculo. Seria bom exemplo de um lugar específico em que o Espírito Santo foi colocado em alguém para executar um ofício específico e dar-lhe a capacidade para fazê-lo.

Agora, virem para Números 11.16-17, 25. No caso, Moisés precisa de ajuda ao julgar o povo de Israel na resolução de disputas:

Então o Senhor disse a Moisés: “Reúne setenta homens dos anciãos de Israel, que saibas serem anciãos do povo e seus oficiais, e leva-os até a tenda da revelação, para que estejam ali contigo. Então descerei e falarei ali contigo; e tirarei do Espírito que está em ti, e o porei neles; e eles te ajudarão a levar o peso do povo, para que tu não o leves sozinho”... E o Senhor desceu na nuvem e lhe falou. E, tirando do Espírito que estava nele, colocou-o nos setenta anciãos; e aconteceu que, quando o Espírito veio sobre eles, profetizaram, mas depois nunca mais o fizeram.

Aqui se vê como o Espírito Santo de Deus desce e unge os setenta anciãos para fazerem a mesma obra que Deus ungira a Moisés para fazer por seu Espírito Santo.

Durante o período dos juízes, antes da monarquia em Israel, houve uma série de juízes que surgiram em Israel e serviram para libertar o povo dos seus inimigos, para trazê-los de volta ao caminho verdadeiro.[5] Esses juízes costumavam ser ungidos pelo Espírito Santo de Deus para fazerem o que Deus lhes chamara a fazer. Então, leiam, por exemplo, Juízes 3.9-10:

Mas, quando os israelitas clamaram ao Senhor, este levantou-lhes um libertador que os livrou: Otoniel, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe. E veio sobre ele o Espírito do Senhor. E ele se tornou juiz de Israel. Então, foi à guerra, e o Senhor lhe entregou Cuchã-Risataim, rei da Mesopotâmia, contra quem prevaleceu.

No caso, Otoniel seria um desses juízes sobre os quais o Espírito do Senhor veio para que prevalecesse contra os inimigos a ameaçarem Israel.

Virem para Juízes 6.34 para outro exemplo. Este é um dos mais famosos dos juízes: Gideão. “Então o Espírito do SENHOR se apoderou de Gideão, e ele tocou a trombeta para convocar os abiezritas, que se juntaram a ele”. Então, descreve-se o grande triunfo que Gideão e o seu pequeno exército tiveram sobre os inimigos de Israel. Assim, Gideão também foi ungido pelo Espírito do Senhor para fazer o que Deus o chamara a fazer: libertar Israel.

Juízes 11.29. É o caso de Jefté. “Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté, de modo que ele passou por Gileade e Manassés, chegando a Mispá de Gileade, e dali atacou os amonitas”. Jefté também derrotou os inimigos de Israel.

Juízes 13.24-25. Esta é a parte da história de Sansão, que também era um dos juízes.

Depois disso, a mulher deu à luz um filho, a quem chamou Sansão. O menino cresceu, e o Senhor o abençoou. E o Espírito do Senhor começou a agir nele em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.

No caso, o Espírito do Senhor vem sobre Sansão para ele fazer as grandes obras que foi convocado a realizar. Algumas delas são descritas, por exemplo, em Juízes 14.5-6:

Sansão desceu a Timnate com seu pai e sua mãe. Ao chegarem às vinhas de Timnate, um leão novo o atacou, rugindo. Então o Espírito do Senhor se apossou dele, de modo que despedaçou o leão com as mãos vazias, como se fosse um cabrito.

Aqui, Sansão, só com os punhos, despedaçou esse leão, porque o Espírito do Senhor veio sobre si para capacitá-lo a fazer isto. Então, no versículo 19, vemos mais uma vez como ele conquista os inimigos de Israel. Versículo 19:

Então o Espírito do Senhor se apossou dele, de modo que desceu a Asquelom, matou trinta homens de lá, tomou-lhes as roupas e as deu aos que responderam ao enigma. Depois disso, subiu enfurecido à casa de seu pai.

Por fim, Juízes 15.14-15:

Quando ele chegou a Leí, os filisteus foram alegres ao encontro dele. Então o Espírito do Senhor se apossou dele, e as cordas que amarravam seus braços se tornaram como fios de linho queimados, e os laços caíram das suas mãos. Ele achou uma queixada de jumento, ainda fresca, apanhou-a e matou mil homens com ela.

Aqui é a famosa matança com a queixada de jumento que Sansão realizou porque, mais uma vez, o Espírito do Senhor viera sobre si com poder.

Este é o padrão no Antigo Testamento: o Espírito Santo vinha sobre indivíduos designados para uma tarefa específica e um tempo limitado, a fim de capacitá-los para fazer tal obra para a qual Deus os chamara.[6]

DISCUSSÃO COMEÇA

Aluno: A citação de Números que usou. Parece que o Espírito veio sobre Moisés de modo poderoso e sobre as outras pessoas de modo reduzido. A ideia do Espírito como pessoa ou como força: dá para ver aí de onde as pessoas podem tirar essa ideia de que é uma força, quando se diz que vem em graus menores.

Dr. Craig: É bem por aí mesmo. Aqui nestas passagens que eu li parece uma força, não é mesmo? Porém, acho que não é incompatível com a afirmação de que o Espírito Santo opera com mais poder em alguns casos do que em outros. No caso de alguém como Moisés, é possível imaginar que o Espírito Santo agisse tremendamente por meio dele, mas, com os setenta anciãos que lhe eram sujeitos, não parece que tinham o mesmo tipo de unção poderosa que Moisés possuía. Acho que você está certo. Provavelmente, mais uma vez, nenhum judeu que ignora Jesus e os ensinamentos do Novo Testamento pensaria que se trata, no caso, de uma pessoa separada — o Espírito Santo —, ao ler estes textos isoladamente. É só quando são lidos em retrospectiva, com a lente da igreja, que se pode ver como o Espírito Santo já está operante na antiga aliança.

Aluno: A outra coisa que acho um tanto curiosa em algumas dessas passagens em Êxodo é que se fala de repartir do Espírito que está em si. Parece linguagem um tanto estranha, caso seja uma pessoa.

Dr. Craig: Acho que foi a mesma observação que a pergunta anterior fez. Sim, parece um poder: vou repartir uma porção do Espírito que está em você e colocá-la nessas outras pessoas. Mas acho que não é incompatível com a afirmação de que o que querem dizer é que o Espírito Santo opera com mais poder por meio de algumas pessoas do que de outras. Há de se conceder que, caso se leiam essas passagens isoladas da revelação cristã, consigo ver por que alguém pensaria assim.

Aluno: Chegou a ler algum comentário rabínico sobre estas passagens? Como é que os judeus as entendem?

Dr. Craig: Não li. Seria muito interessante, mas não tive motivação suficiente para ler comentários rabínicos sobre estas passagens. Valeria a pena fazer.

Aluno: Ouvi falar que Deus lida com Abraão de acordo com a sua fé e com os filhos de Israel de acordo com a lei. É quase como se Abraão tivesse um espírito agradável a Deus, de modo que o fruto do Espírito Santo é que a lei não se faz necessária. Ensinar é o ato de repartir do próprio espírito. Estava pensando se, no Antigo Testamento, o Espírito Santo lidava com as pessoas de acordo com a lei, porque não havia a habitação do Espírito. Mais adiante, no Novo Testamento, por meio de Jesus, temos o Espírito que habita em nós e, por isso, é de acordo com a fé.

Dr. Craig: OK. Entendi aonde você quer chegar. A princípio, fiquei um pouco hesitante com o que estava dizendo, mas acho que há verdade no que disse. Quando se vê a antiga aliança, como disse, o Espírito de Deus não era a possessão diária permanente do crente comum. A sua unção vinha sobre as pessoas para executarem tarefas especiais, mas, então, os deixava. Eles não tinham mais a unção. Em contraste, no Novo Testamento, temos a habitação e unção permanentes do Espírito Santo para nos ajudar. Um dos contrastes entre a velha e a nova aliança é descrito com muita eloquência por Jeremias, onde ele diz: “Porei a minha lei na sua mente e a escreverei no seu coração.”. Assim, haverá uma espécie de motivação, disposição e habilidade interior para fazer o que Deus quer que façamos. Não é que a lei seja contraditória à justiça de Cristo, mas acho que há uma internalização de que Jeremias fala em relação à nova aliança que viria por meio da habitação do Espírito Santo.[7] Por isso, você não está só obedecendo a uma lei externa, segundos as suas melhores capacidades; você está sendo capacitado e motivado internamente para viver como Deus quer que você faça. É por isso que Jeremias pode dizer: “E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: ‘Conhecei o SENHOR’; porque todos me conhecerão, do mais pobre ao mais rico”. É esta a descrição da igreja.

DISCUSSÃO TERMINA

Da próxima vez, o que vamos fazer é olhar mais detidamente o contraste entre o Antigo e o Novo Testamento. Penso que veremos que aquilo que corresponde ao templo, no Antigo Testamento (onde a glória de Deus, o poder de Deus, habitava mais particularmente), é, na nova aliança, o corpo do crente. Somos o templo do Espírito Santo. Veremos este contraste da próxima vez.[8]

 

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[8] Duração total: 31:45 (Copyright © 2016 William Lane Craig)