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September 7, 2021Por que você tenta persuadir descrentes de que o naturalismo é impraticável e deprimente, quando defende que os não-cristãos serão eternamente atormentados por não crer no tipo certo de deus? Não estou perguntando por que só descrentes é que serão atormentados para sempre; acho as suas respostas erradas por motivos que estão além da questão aqui. Estou perguntando por que você parece pensar que devemos ficar mais perturbados com a ideia de que as nossas vidam carecem de sentido “objetivo, último” do que com a ideia de que nós e os nossos entes queridos seriam atormentados para sempre e sempre. Isto comunica que você preferiria viver num mundo onde eu e meus entes queridos serão atormentados para sempre do que num mundo que não se importa com você, e simplesmente não consigo ver como é que isso pode ser eficaz em alcançar os descrentes.
Obviamente, se o inferno é real, devemos todos querer saber o que é que podemos fazer para evitá-lo, se é que há algo para fazermos. Não deveríamos concluir que o inferno não é real só porque essa visão de mundo é horripilante e impraticável. No entanto, se concordarmos neste ponto, por que é que você usa a mesmíssima tática contra o naturalismo?
Robin
Estados Unidos
United States
Dr. Craig responde
A
Que pergunta estranha, Robin! A resposta curta é que, ao explicar a irrelevância da vida, dado o naturalismo, está-se mostrando ao naturalista as consequências lógicas da sua própria visão, e não as consequências lógicas de uma visão que ele não mantém (a saber, a visão cristã). O descrente não estará preocupado com a probabilidade do inferno, a menos que venha a ter algum motivo para pensar que o cristianismo é verdade. Em contraste, ele já mantém o naturalismo e, portanto, mostrar-lhe as horríveis consequências e impraticabilidade da sua própria visão pode muito bem abalá-lo, enquanto ele talvez simplesmente desconsidere as advertências do inferno.
Por isso, com certeza, não penso que “devemos ficar mais perturbados com a ideia de que as nossas vidam carecem de sentido ‘objetivo, último’ do que com a ideia de que nós e os nossos entes queridos seriam atormentados para sempre e sempre”! Longe disso! Antes, precisamente para ajudar o descrente a evitar o tormento eterno, apresentamos-lhe razões que ele aceitará por colocar em causa a sua visão de mundo.
Além disso, não estou usando a tática de defender que o naturalismo é falso “porque essa visão de mundo é horripilante e impraticável”. Sou bastante explícito neste sentido. Por exemplo, no Em guarda, escrevo:
E agora o que fazermos? Parece-me que, à luz das consequências do modo como respondemos à questão da existência de Deus, é imperativo que voltemos à estaca zero e perguntemos quais razões há para acreditar ou não na existência de Deus. Isto porque, talvez, o ateu esteja errado. Talvez Deus exista mesmo. Eu sei, eu sei: nada do que dissemos dá motivos para pensarmos que Deus exista.
No entanto, o meu objetivo neste capítulo é mais singelo do que este. Somente espero tê-lo levado a pensar nestas questões, a perceber que a questão da existência de Deus tem consequências profundas para as nossas vidas e que, portanto, não podemos nos dar ao luxo de permanecermos indiferentes diante disto. O mínimo que fiz foi delinear com clareza as alternativas. Se Deus não existe, a vida é fútil. Se Deus existe, a vida tem sentido. Apenas a segunda destas duas alternativas nos possibilita viver com felicidade e coerência. Portanto, faz diferença enorme se Deus existe, uma diferença com a qual devemos nos importar.
Quem se importa? Você deveria.
Acredito que você há de concordar, Robin, não haver aqui da minha parte nenhuma tentativa de defender que, por ser o ateísmo horripilante e impraticável, ele não é verdade.
Quanto à acusação de que meu argumento “comunica que você preferiria viver num mundo onde eu e meus entes queridos serão atormentados para sempre do que num mundo que não se importa com você”, sinto muito se alguém entendeu tão mal meu argumento. Só posso apresentar o meu argumento com o máximo de clareza possível e tentar corrigir tais mal-entendidos. Felizmente, nunca topei com ninguém que pensa que o argumento comunica aquilo que você alega. Antes, o que percebi, ao longo dos anos, “ser eficaz em alcançar os descrentes” é mostrar-lhes que a sua própria visão de mundo é impraticável.
O único jeito em que consigo entender a sua pergunta é afirmar que convidar o descrente a crer no inferno como a alternativa para a vida sem sentido é como convidá-lo para pular fora de uma frigideira acesa e para dentro do fogo! Mas não é esta a escolha que o argumento apresenta. A escolha, pelo contrário, é entre teísmo e não-teísmo. O argumento o convida simplesmente a reconsiderar as provas de que Deus existe. A questão do destino eterno de alguém não aparece, senão muito mais tarde, uma vez que já consideramos argumentos a favor da existência de Deus e as provas da ressurreição de Jesus. A esta altura, vamos lembrá-lo, se necessário, do seu argumento de que “Não deveríamos concluir que o inferno não é real só porque essa visão de mundo é horripilante e impraticável”.
- William Lane Craig