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July 31, 2019Ao discutir o sepulcro vazio, o senhor costuma mencionar van Daalen, citando-o assim: “É extremamente difícil objetar ao sepulcro vazio do ponto de vista histórico; quem o nega o faz com base em pressupostos teológicos ou filosóficos”. Eu estava discutindo este ponto com alguém que alegava que van Daalen era cético; como achei muito barato o livro dele, decidi comprá-lo. A citação real é a seguinte: “Não obstante, seria extremamente difícil objetar à história do sepulcro do ponto de vista puramente histórico. Mesmo que se pressupusesse que ela serviu ao propósito de verificar um incipiente culto sepulcral, nada disso explicaria como se originou a história, para começo de conversa”. Entendo que o sentimento é o mesmo, mas penso que corrigir a citação é a coisa certa a fazer. Infelizmente, a citação equivocada se espalhou pela internet...
Andy
United States
Dr. Craig responde
A
Andy, obrigado por me chamar a atenção para esta questão! Quando li sua pergunta, pensei comigo mesmo: “Ah, mas não era uma citação direta. Andy acrescentou as aspas à minha citação indireta de van Daalen para fazê-la parecer uma citação direta”.
Imagine, então, minha surpresa quando procurei a citação de van Daalen em Apologética Contemporânea (Vida Nova) e, veja só, encontrei que está, sim, representada ali como citação direta. “Não pode ser!”, pensei. “O que aconteceu?” Como estava em Talbot, pedi a Harry Edwards, que administra nossa loja virtual, para encontrar cópias de meus livros The Son Rises: Historical Evidence for the Resurrection of Jesus (Chicago: Moody Press, 1981) e Assessing the New Testament Evidence for the Historicity of the Resurrection of Jesus (Toronto: Edwin Mellen, 1989), meus livros originais acerca da ressurreição nos quais se baseia o capítulo em Reasonable Faith. Procurei a citação nos dois.
Como era de se esperar, assim como suspeitava, nas duas obras originais, a referência a van Daalen não é citação direta, mas meu sumário de sua perspectiva:
Conforme apontou D. H. van Daalen, é extremamente difícil objetar ao sepulcro vazio do ponto de vista histórico; quem o nega o faz com base em pressupostos teológicos ou filosóficos (como o pressuposto de que milagres são impossíveis) (Son Rises, pp. 84-85).
Como observou van Daalen, é extremamente difícil objetar ao fato do sepulcro vazio do ponto de vista histórico; a maior parte dos objetores o faz com base em considerações teológicas ou filosóficas (Assessing, p. 271).
Vemos aí minha apresentação da substância da posição de van Daalen articulada em minhas próprias palavras.
Em algum momento, aspas se insinuaram no texto de Reasonable Faith. Como é que isto aconteceu? Reasonable Faith é a republicação de meu livro Apologetics: An Introduction (Chicago: Moody Press, 1984). A citação ali continha as aspas? Quando saí de Talbot e voltei para casa, procurei a citação em Apologetics (p. 191), que já está esgotado. A-ha! A idêntica citação direta ocorre ali. Parece que um editor ultrazeloso na editora Moody, vendo talvez a chamada da nota de rodapé e pensando que eu esquecera as aspas, inseriu-as na minha citação.
A única coisa que precisa ser dita é que meu resumo da posição de van Daalen é correta.[1] Um pouco antes, na mesma página, van Daalen afirma com ainda mais clareza: “A maioria das pessoas que objetam à história, porém, fá-lo com base em tudo, menos argumentos históricos. É lugar-comum dizer que a história se encaixa na visão de mundo antiga, mas não na nossa”. Como até um blogueiro que me acusou de citação equivocada afirma:
“Entendo que o sentido da citação não foi alterado; porém, boa pesquisa exige que uma citação seja cópia exata do original, e não paráfrase”. É óbvio, mas eu não estava citando van Daalen. É por isso que não havia aspas.
Harry Edwards observou que este incidente o fez se lembrar da forma como os manuscritos do Novo Testamento foram copiados e transmitidos. É isso mesmo! Ao comparar as datas e textos de diversos manuscritos, podemos reconstruir o texto original do Novo Testamento com certeza de aproximadamente 98%. Em meu caso, qualquer publicação que venha da “corrente de tradição” emanando da publicação que saiu pela editora Moody terá o erro. Textos que refletem o texto anterior, incorrupto (p. ex., Wm. L. Craig, “The Historicity of the Empty Tomb of Jesus”, New Testament Studies 31 [1985]: 39-67) estarão livres daquele erro. Há, nesta história toda, algo positivo a aprender.
De todo modo, quem dera eu tivesse pegado o equívoco quando as aspas foram inseridas em Apologetics: An Introduction. Já escrevi à editora Crossway, pedindo que corrijam o erro para a próxima impressão de Reasonable Faith. Obrigado por me chamar a atenção para esta questão!
[1] Seguindo o modelo de estudiosos alemães, que se referem ao sepulcro vazio como “das leere Grab” e à história do túmulo vazio como “die Grabesgeschichte”, van Daalen chama a história do túmulo vazio de “a história sepulcral”. Para fins de comparação, estudiosos franceses utilizam uma expressão mais próxima do inglês “empty tomb”, a saber: le tombeau vide.
- William Lane Craig