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#524

April 22, 2018
Q

Saudações Dr. Craig,

Eu sou muçulmano, das partes mais ocidentais da África. Eu tenho seguido seu trabalho há anos, observando praticamente todos os seus debates, lendo alguns de seus artigos e uma grande parte da seção de Perguntas y Respostas.

Embora eu não seja cristão, você me ajudou muito na minha própria busca pela verdade, em identificar-me muito mais com as questões que os cristãos enfrentam hoje e aprender a apreciar a tradição cristã no pensamento filosófico e teológico.

O que eu gostaria que fosse esclarecido é o seguinte (vou usar citações para coisas que você mencionou):

Você argumentou em alguns de seus trabalhos que, como Deus é o maior ser concebível, e como Ele é moralmente perfeito e, como o amar é moralmente melhor do que não amar, então Ele deve ser "todo amor"; também, como sendo o maior ser concebível que ama, Seu amor deve ser "incondicional, imparcial e universal", mesmo para com aqueles que estão "condenados e que o rejeitaram para sempre".

- Não é verdade, então, que Seu amor por todos inclui o Diabo? Pois, se não fosse o caso, haveria pelo menos um ser eternamente condenado, a quem Deus não ama ou ama menos, ou seja, Ele não é todo-amor ou o maior ser amoroso concebível.

- Não é verdade que Seu amor imparcial é para Jesus tanto quanto para o Diabo?

- Não é verdade que o amor dele pelo Diabo antes da sua queda é o mesmo que é depois, já que é incondicional, não condicionado pelas escolhas do Diabo?

Agradeço imensamente.

Cumprimentos,

Adami

Afghanistan

Dr. Craig responde


A

É maravilhoso pensar que você está lendo e refletindo no meu trabalho todos esses anos, Adami! Gostaria muito de visitar sua região do mundo algum dia.

Sua pergunta deriva do meu argumento de plausibilidade para a doutrina da Trindade. Como Deus é essencialmente amoroso e o amor envolve entregar-se a outra pessoa, e uma vez que as pessoas criadas existem apenas contingentemente, Deus deve ser uma pluralidade de pessoas, em contradição com as concepções unitárias de Deus como uma pessoa singular.

Não tenho certeza se a intenção de suas perguntas é forçar-me a uma posição de desconforto, mas não sinto nenhum desconforto em afirmar que Deus certamente ama Satanás. Na verdade, o que eu deveria achar incômodo seria afirmar que Ele não o ama! Deus é um ser perfeitamente amoroso, cujo amor não se baseia no comportamento de uma pessoa. Satanás é uma pessoa, de fato, na concepção tradicional de uma pessoa angélica de beleza sem paralelo e perfeição entre as criaturas. Como Deus não poderia amá-lo? O fato de que essa pessoa está agora caída e indizivelmente má, não implica que Deus deixa de amá-lo, mais do que Ele deixou de nos amar quando caímos e nos tornamos inimigos de Deus (Romanos 5.10).

Observe que a minha afirmação é que Deus ama todos de forma universal, imparcial e incondicional. Não faz parte da minha afirmação de que Deus ama todos igualmente. Mesmo que Deus ame todas as pessoas humanas de forma igual, Cristo na concepção cristã não é uma pessoa humana, mas uma pessoa divina, a segunda pessoa da Trindade e, portanto, plausivelmente o objeto especial do amor do Pai.

Então, respondendo brevemente às suas perguntas:

- Não é verdade que o amor de Deus para todos inclui o Diabo? É verdade.

- Não é verdade que Seu amor imparcial é para Jesus tanto quanto para o Diabo? Não vejo razão para pensar assim.

- Não é verdade que o amor dele pelo Diabo antes da sua queda é o mesmo que é depois? É verdade.

- William Lane Craig