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April 15, 2018Dr. Craig,
Em seus debates e discussões anteriores, muitas vezes você abordou a questão do genocídio e/ou as atrocidades na Bíblia, por exemplo, os amalequitas ou os cananeus, em particular, com sua Teoria do Mandamento Divino. Especificamente, você lidou com objeções às ordenanças de Deus nessas situações ao afirmar que é possível que Deus tivésse razões morais suficientes para dar estas ordenanças aos israelitas.
Neste caso, estou estipulando no momento a existência de Deus e a validade de seu Argumento Moral para Deus. Eu também quero evitar a questão de saber se as ordenanças foram ou não emitidas, e a questão da inerrância bíblica, que você freqüentemente aponta ser irrelevante e, em vez disso, concentrar no próprio argumento. A minha pergunta é essa: se qualquer ordenaça feita ou ação tomada por Deus pode ser defendida com base em que Deus deve ter "razões moralmente suficientes", então, que ordenança não pode ser dada ou que ação não pode ser tomada por Deus, o qual, ao mesmo tempo, permanece um ser moralmente perfeito? Dito de outra forma, quais são alguns exemplos de ordenanças que Deus não daria ou ações que Deus não faria porque NÃO é possível que ele tenha uma razão moralmente suficiente para fazê-lo?
Se não houver tais exemplos, parece-me que isso cairia na categoria de uma resposta que explica tudo e, portanto, nada—só parece ser uma defesa viável se houver certas coisas específicas que Deus não poderia ter motivos moralmente suficientes para fazê-lo.
Finalmente, se não existem tais exemplos, ou muito poucos exemplos desse tipo (posso admitir que Deus cometer suicídio pode ser um exemplo), isso não faz com que a moralidade seja, de fato, relativista ao invés de objetiva?
Obrigado pelo seu tempo,
David
United States
Dr. Craig responde
A
Antes de abordar sua pergunta, David, vamos nos certificar de que afirmamos com precisão a visão que defendi. A liberdade de Deus em emitir mandamentos para fazer certas coisas que seriam imorais na ausência de um mandamento divino não está enraizada em Deus ter motivos moralmente suficientes para fazê-lo. Em vez disso, está enraizada na idéia de que a fonte da obrigação moral é ordenança divina, e como Deus não emite ordenanças para Si mesmo, Ele, portanto, não tem obrigações morais.
Isso, no entanto, não implica que a liberdade de Deus em emitir ordenanças morais não seja restrita, da maneira como os teóricos voluntaristas da Teoria do Mandamento Divino afirmam. Em vez disso, o ponto de vista que defendo é que os mandamentos de Deus devem ser consistentes com Sua natureza, sendo perfeitamente amorosa, gentil, justa, etc. O próprio Deus é bom, e seus mandamentos refletem seu caráter. Portanto, embora Deus tenha a liberdade de emitir ordenanças que sejam surpreendentes, Ele não pode ordenar qualquer coisa.
Por exemplo, Ele não poderia ordenar que devêssemos adorar outros deuses além dele (nem Ele poderia fazer tal coisa). Ele não poderia ordenar que devêssemos nos odiar uns aos outros e procurar causar dano uns aos outros em vez de amar o nosso próximo como a nós mesmos. Ele não poderia ordenar que o amor fosse mau e o ódio bom. Basta pensar nas virtudes que Deus possui essencialmente e depois perguntar se Deus poderia ter colocado coisas na sua cabeça para que essas coisas se tornassem vícios em vez de virtudes e tivéssemos obrigações opostas. Se fosse assim, ordenar seria inconsistente com a natureza de Deus e é, portanto, impossível.
- William Lane Craig