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July 13, 2012Olá, Bill,
Certamente, partilho de sua crença de que o tempo dinâmico está tão bem estabelecido em termos experimental e físico que devemos entender a natureza temporal de Deus à luz daquilo que conhecemos sobre o tempo. Como você sabe, eu me preocupo com seu ponto de vista, embora de uma maneira bem diferente de [Paul] Helm. Quando lhe for oportuno, gostaria de ter uma resposta sobre esta questão específica.
À luz de meu entendimento, proposições sobre entidades atemporais têm seus valores de verdade em todos os tempos — proposições desse tipo serão verdadeiras em todos os tempos. Afirmar ser verdade que 7 (temporalmente estático) é ímpar é agora dizer que é verdade que 7 (temporalmente dinâmico) é ímpar. Ou seja, proposições temporalmente estáticas verdadeiras são verdadeiras em todos os tempos.
Nesse sentido, ao que aparece, você seria obrigado a dizer que Deus é estaticamente atemporal, portanto, agora seria verdade que Deus é atemporal. Mas é óbvio que isso não vai dar certo. Por esse motivo, suspeito que você gostaria de afirmar que Deus é estaticamente atemporal sem a criação, agora, portanto, seria verdade que Deus é atemporal sem a criação. Mas também não acho que isso vai dar certo. Entidades atemporais têm as suas propriedades atemporalmente — quer dizer, assim penso eu, eternamente, imutavelmente, essencialmente. Apenas as entidades temporais podem sofrer mudanças em suas propriedades. Dessa forma, então, conclui-se que Deus é simpliciter atemporal (temporalmente estático), significando que agora ele é atemporal, mas também é temporal — uma evidente contradição.
Parece-me, então, que você precisa de uma semântica diferente para proposições verdadeiras que não sejam temporalmente estáticas que explique a relação delas com as declarações temporalmente dinâmicas da mesma proposição (e, é obvio, isso não pode ser convertido nos termos de um dêitico temporal reflexivo simbólico). Talvez você tenha alguma maneira de converter isso nos termos de uma expressão dêitica reflexiva simbólica não temporal, mas não vejo como a coisa funcionaria.
Alguma ideia?
Garry
United States
Dr. Craig responde
A
Obrigado pelos seus comentários, Garry! Não considero que a dificuldade levantada por você inicialmente seja um problema grave. Proposições verdadeiras temporalmente estáticas são temporalmente indexadas, e.g., Os aliados invadem a Normandia em 6 de junho de 1944. Acho que você está certo quando afirma que essas proposições são verdadeiras em todos os tempos.
Todavia, nem todas as proposições sobre entidades atemporais são temporalmente estáticas, e.g., três é o número de maçãs que estão sobre a mesa às 14h, horário de Brasília, de 26 de dezembro de 2007. Até mesmo declarações matemáticas puras têm índices temporais implícitos indicando os tempos em que elas são verdadeiras. Isso evidencia que, se o tempo tem princípio ou fim, elas não são verdadeiras nos tempos em que não existem.
Ora, o estado de Deus existir atemporalmente sem a criação pode servir logicamente como uma espécie de índice temporal. Assim, Deus existe atemporalmente sem a criação é uma declaração temporalmente estática verdadeira e, portanto, verdadeira em todos os tempos. Então, é verdadeira agora.
No entanto, você diz agora que “Entidades atemporais têm as suas propriedades atemporalmente — quer dizer, assim penso eu, eternamente, imutavelmente, essencialmente”. Essa é uma objeção bem diferente! Se for verdadeira, a minha proposta cai direto no ralo, apesar da dificuldade inicial que você levantou. Mas o que cheguei a ver, como resultado de meu estudo sobre Deus e o tempo, é que não há razão suficiente para essa suposição comum; na verdade, acho que é falsa. Algo para ser atemporal tem de ser imutável, mas isso não é razão para se atribuir a propriedade modal de imutabilidade a tal ser, muito menos tendo ele todas as suas propriedades essencialmente. Até mesmo um ser imutável poderia ter propriedades diferentes em mundos possíveis diferentes.
É evidente que, caso um ser atemporal mudasse, não seria mais atemporal; mas isso não quer dizer que ele não possa mudar. Aqui, há uma falácia lógica à espreita:
1. Não possivelmente (Deus é atemporal & Deus muda)
2. Deus é atemporal
3. Logo, não possivelmente (Deus muda)
(3) não é conclusão lógica de (1) e (2). Tudo o que se infere é
3*. Logo, Deus é imutável.
Assim, se Deus é atemporal, é também imutável, mas daí não se conclui que ele não pode mudar. Eu diria que ele pode mudar e, se o fizesse, deixaria de ser atemporal. É exatamente isso que acho que ele fez. Se Deus é ou não temporal ou atemporal é uma propriedade contingente de Deus, dependente de sua vontade. O que é impossível é mudar e, ao mesmo tempo, permanecer imutável. Entretanto, parece-me que um ser atemporal pode mudar e, portanto, deixar de ser atemporal.
- William Lane Craig