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#813 Justificação e regeneração

January 02, 2023
Q

Olá, Dr Craig.

Eu tinha algumas perguntas que queria fazer sobre regeneração e justificação. Observe, por favor, que as estou fazendo a fim de ter compreensão melhor destas doutrinas.

1) Pelo que entendo, ninguém pode entrar no reino de Deus, a menos que seja regenerado (João 3.5-8). Correto?

2) Existe uma razão bíblica ou teológica do porquê devermos ser regenerados para entrar no reino de Deus? Ou será que é só algo que aceitamos, porque Jesus ensinou, e sabemos que aquilo que Jesus ensinou está correto (sem, necessariamente, saber uma razão bíblica ou teológica para isto)?

3) Se somos justificados por imputação, qual é a razão de que também necessitamos ser regenerados? Parece que, se estamos cobertos pela justiça de Jesus, não tenho certeza por que a regeneração também é exigida.

4) Se a regeneração é exigida para entrar no reino de Deus, será que não quer dizer que somos justificados por imputação e regeneração?

5) Qual é o propósito da regeneração, se acabamos pecando de novo? Não digo isto como cético. Só estou tentando entender o propósito bíblico ou teológico disto, para entender esta doutrina com mais clareza.

6) Qual é a relação entre justificação e regeneração?

Aguardo a sua ajuda.

Deus abençoe.

Anônimo

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Estas são boas perguntas que merecem reflexão. Justificação e regeneração, como as entendo, pertencem a duas ordens diferentes, uma legal e a outra ontológica (especificamente, espiritual). A justificação é a provisão de Deus de um perdão legal para nós de nossos pecados e a imputação legal da justiça de Cristo em nós. A regeneração é o ato inicial de santificação por parte do Espírito Santo, vivificando-nos, sarando a nossa relação rompida com Deus e restaurando a nossa comunhão com Deus. Sendo assim, estes dois atos são diferentes e complementares.

Assim, em resposta às suas perguntas:

1) Sim, devemos ser renascidos espiritualmente a fim de ter a vida eterna.

2) Sim; a razão é que quem está morto espiritualmente não pode experimentar a comunhão com Deus. Não tem vida espiritual e, portanto, não tem a capacidade de conhecer a Deus. Penso, a título de analogia, no perdão legal de um criminoso falecido. Ele é, agora, inocente dos seus crimes, mas ainda continua bem morto!

3) Justificação e imputação são atos puramente legais. Não têm nenhum impacto causal em nós para mudar-nos. Pense num assassino condenado que o governador perdoou. O perdão não efetua absolutamente nenhuma mudança do caráter moral no criminoso, que pode ser tão perverso quanto sempre foi, embora esteja, agora, inocente aos olhos da lei. Você ainda não gostaria de tê-lo como vizinho.

4) Não, porque a regeneração não é ato legal. É o primeiro passo na nossa transformação moral, o processo da santificação de tornar-se cada vez mais como Cristo, preparando-nos para o céu. É necessária para a salvação, mas não é parte da justificação.

5) A regeneração é necessária para colocar-nos no caminho em que pecamos cada vez menos. Somos como o criminoso perdoado que decide passar por um programa de reforma moral, resultando em caráter transformado.

6) Justificação e regeneração têm associação íntima. Devo dizer que ocorrem simultaneamente na vida da pessoa, quando ela deposita sua fé em Cristo. Nesse momento, o Espírito Santo entra nela, trazendo nova vida, e Deus a pronuncia perdoada de todo seu pecado e justa à Sua vista.

Espero que tenha ajudado!

- William Lane Craig