#428 Perguntas sobre Tempo e a Origem do Universo
May 13, 2016Dr. Craig,
Meu nome é Tejas e tenho 13 anos de idade. Eu admiro você e tenho assistido muitos dos seus debates. Eu sinceramente peço que você responda esta pergunta, e agradeço pelo seu tempo para ler isto.
Minha pergunta está relacionada ao Argumento Cosmológico Kalam, que eu tenho visto você apresentar em alguns debates. A primeira parte é: é a premissa inicial sobre a causalidade que refuta sobre se a hipótese da energia zero do universo é verdadeira, e qual seriam as falhas se o universo fosse uma flutuação no vácuo? E com relação à segunda premissa, você poderia, por favor, me dizer por que você acha que o presentismo ontológico do tempo é verdadeiro?
Eu lhe agradeço muito e peço desculpa se há algum aparente desrespeito na pergunta. Por favor, responda esta pergunta.
Muito obrigado,
Saudações,
Tejas
Índia
India
Dr. Craig responde
A
Preciso eu dizer o quão impressionado estou, Tejas, de que alguém tão jovem esteja interagindo com questões tão difíceis?
Sua primeira pergunta diz respeito a possibilidade de que a energia positiva associada com a matéria pode ser exatamente contra-balanceada com a energia negativa associada com a gravidade, de modo que na balança a energia líquida do universo é zero. Na Pergunta # 389, eu lido com esta hipótese à medida que isto implica a finitude do passado.
Sua pergunta é de como tal hipótese afeta a premissa causal do argumento cosmológico kalam. Eu tenho escutado cientistas dizerem que se a energia líquida do universo é zero, então o universo não precisa ter uma causa para começar a existir porque o nada realmente existe, de modo que nós não temos o absurdo de alguma coisa vindo do nada.
Esta tentativa de extrair implicações metafísicas da hipótese da energia líquida zero é uma piada de mau gosto. É como dizer que se suas dívidas e seus bens anularem-se uns aos outros de modo que o valor líquido é zero, então não há uma causa para a sua atual situação financeira. A sugestão de que o nada existe é um absurdo. Não apenas eu inegavelmente existo, mas de acordo com essa hipótese as energias positivas e negativas existem. Como Christopher Isham, cosmólogo quântico premier da Grã-Bretanha, explica, ainda é necessário que haja uma “semeadura ôntica” [ontic seeding] para criar a energia positivo e negativo em primeiro lugar. [1]
Quanto aos modelos de flutuação do vácuo do universo, você encontrará isto discutido no Reasonable Faith, 3rd ed. (Crossway, 2008), pg. 131-132. A falha fundamental desses modelos foi que o vácuo quântico, caso fora eterno no passado, seria eventualmente preenchido com universos formados da flutuação, os quais colidiriam e se fundiriam de modo que nós deveríamos estar observando um universo infinitamente velho, não um relativamente novo.
Quanto ao presentismo, eu me prendo a ele porque eu acho que é a mais coerente teoria flexiva do tempo que existe. O presentismo mantém que as únicas entidades temporais que existem são as presentes. Presentismo é uma versão de uma teoria flexiva do tempo. Eu endosso uma teoria flexiva do tempo. Ou seja, baseado no indispensável do tempo flexivo que vem do pensamento e do discurso humano, e nossa experiência do presente, sem mencionar os graves problemas das visões aflexivas, eu acho que existe uma diferença objetiva entre passado, presente e futuro e que o tornar-se temporal [temporal becomig] é um recurso real e objetivo da realidade. Dada uma visão flexiva do tempo, a pergunta então se torna: quais dais teorias flexivas do tempo faz mais sentido? Eu argumento em Time and Eternity [Tempo e eternidade] (Crossway, 2001) que apenas o presentismo evita a incoerência conhecida como Parodoxo de McTaggart e é, portanto, uma visão superior.
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[1]
Christopher Isham, “Quantum Cosmology and the Origin of the Universe,” palestra apresentada na conferência “Cosmos and Creation,” Cambridge University, 14 de Julho de 1994.
Christopher Isham, “Quantum Cosmology and the Origin of the Universe,” palestra apresentada na conferência “Cosmos and Creation,” Cambridge University, 14 de Julho de 1994.
- William Lane Craig