#63 Probabilidade do Ajuste Fino
October 28, 2014Como alguém pode determinar a probabilidade de um ajuste fino para o suporte da vida em um universo como o nosso? Dr. Craig tem defendido que as constantes fundamentais do universo são colocados de forma tão precisa para a vida que seria um absurdo assumir que elas seriam assim aleatoriamente. Neste artigo, ele demonstra como alguém poderia entender quão improvável tais constantes tão bem afinados seriam.
Querido Dr. Craig,
Eu tinha uma pergunta sobre o argumento do ajuste fino, especificamente a respeito dos valores de certas constantes. Estou na metade de um programa de bacharelado em física, então estou familiarizado com muitas constantes fundamentais do universo, mas não exatamente com a extensão de seu 'ajuste'.
Minha pergunta é, como é possível calcular a probabilidade de uma constante sendo tal que leva a um universo que sustenta a vida?
Por exemplo, vamos dizer que temos as constantes A, B, e C. Vamos dizer que a fim de um universo que sustenta vida existir, A deve ser igual a 4, B = 6, e C = 2. Parece para mim que poderíamos calcular a probabilidade de A ser quatro se soubéssemos que A tinha que ser um número entre 1 e 10. Mas se A deve ser entre 1 e 10 (vamos chamar esta extensão de E), então aquela extensão em si mesmo deve ser finamente ajustado.
Isto é, E tem que ser tal que contenha o número quatro em seu subconjunto. Quanto menor o valor de E, menos provável que E contenha o número quatro. Quanto maior o valor de E, menos provável que A seja quatro. Além disso, já que E pode ser qualquer número entre 0 e infinito, pareceria que a probabilidade dele conter o número quatro seria alguma constante k no infinito, e uma constante acima do infinito é, claro, zero.
Como eu sei que sabes, muitos cientistas respondem ao argumento do ajuste fino invocando o multiverso (o que é irônico, já que esta não é uma afirmação científica) e o argumento do princípio antrópico. Eles fariam a afirmação que em cada universo os valores de A, B e C são diferentes, então se cada constante tem uma probabilidade 1/10 de sustentar vida, então com 1000 universos existe 62.3% de chance de existir vida em pelo menos um.
Mas por que deveria existir A, B e C? Isso não sugere que existe ainda outra lei governando acima do multiverso que diz que cada universo deve ter valores A, B e C, e que cada valor deve então ser diferente? Existe algum erro no meu raciocínio? Parece que, se não, isso deveria ser mais óbvio.
Obrigado,
Ken
United States
Dr. Craig responde
A
Probabilidade do Ajuste Fino
Eu acho que suas intuições nesse respeito estão basicamente corretas, Ken. Eu te recomendaria para o trabalho de Robin Collins, que é provavelmente o melhor pensador nessas questões. Eu irei incluir uma lista de referências no final dessa resposta. Afim de calcular a probabilidade de uma constante sendo tal que leva a um universo que sustenta vida, nós precisamos calcular a proporção entre a extensão de valores que permitem vida e a extensão de valores que poderia ter tido, sendo eles permitindo vida ou não. Podemos acessar a extensão de valores permitindo vida ao firmar as leis da natureza enquanto alteramos o valor da constante que tem um papel importante naquela lei. Então, por exemplo, podemos saber o que aconteceria se diminuíssemos ou acrescentássemos a força da gravidade, e descobrimos que alterações além de uma certa extensão resultaria em, ou objetos de grande escala cessando de permanecerem unidos ou desmoronando. Isso nos da uma ideia da extensão da força gravitacional que é compatível com as formas de vida física.
Então nós comparamos aquela extensão com a extensão de valores que a constante poderia ter assumido. Isso é mais difícil, mas uma simples regra de ouro é levar a extensão ao máximo possível e ver até que ponto tais valores são possíveis. Podem existir valores que uma constante poderia ter tido que ficam fora do nosso alcance da vista, mas enquanto a extensão que podemos ver é grande em comparação com a extensão que permite a vida, então aquela constante tendo aquele valor é improvável. Para algumas das constantes, como a constante cosmológica, a extensão de valores permitindo a vida é incompreensivelmente pequena em comparação com a extensão de valores que vemos que poderia ter tido, então as chances da constante ter o valor que tem é virtualmente perto de impossível.
A extenção por si mesma não é ajuste fino. Mas são as constantes individuais que requerem ajuste fino, o que quer dizer que, a fim de o universo permitir vida a constante deve ser de uma extensão muito estreita em comparação com a extensão dos valores que poderia ter assumido.
Probabilidade de ajuste fino - a criação de universos múltiplos requer ajuste fino
Você está certo que detratores do design tem sido forçados a achar a solução na hipótese extraordinária dos Múltiplos Mundos a fim de afastar o problema do ajuste fino. Se existe um conjunto de universos que são infinitos em número e variando randomicamente em suas constantes e condições iniciais, então por chance apenas um universo que permite a vida irá aparecer no conjunto, de fato, aparecerá um número infinito de vezes.
Agora esse recurso de Conjunto de Mundos será em vão se o mecanismo que gera um Conjunto de Mundos deve também ser de ajuste fino, pois então só se chutou o problema para cima das escadas. E, de fato, isso parece ser o caso. O candidato mais popular para um Conjunto de Mundos hoje, o multiverso inflacionário, parece requerer ajuste fino. Por exemplo, a Teoria M, a teoria que supostamente governa o multiverso, funciona apenas se existem exatamente onze dimensões - mas faz nada para explicar porque precisamente aquele número de dimensões deveria existir.
Então quando seus professores ou colegas pegam o multiverso de dentro do chapéu mágico, apenas pergunte para eles, “O multiverso não é descrito por leis físicas específicas? Estas leis não precisariam também de constantes e condições de limite que precisam de ajuste fino a fim do multiverso existir?” Será interessante de ouvir suas respostas!
Leitura Adicional
Collins, Robin. (2002). “God, Design, and Fine-Tuning.” em God Matters: Readings in the Philosophy of Religion, Raymond Martin e Christopher Bernard, eds. New York: Longman Press.
Collins, Robin. (2003). “Evidence for Fine-tuning.” em God and Design: The Teleological Argument and Modern Science, Neil Manson, ed. London: Routledge, pp. 178-199.
Collins, Robin. (2005). “Hume, Fine-Tuning and the ‘Who Designed God?’ Objection,” em In Defense of Natural Theology: A Post-Humean Assessment, James Sennett e Douglas Groothius, eds., pp. 175-199.
Collins, Robin. (2005). “How to Rigorously Define Fine-tuning.” Philosophia Christi 7 (December, 2005): 382-407.
Collins, Robin. (2007). “The Teleological Argument.” em Philosophy of Religion: Contemporary Issues, Paul Copan e Chad V. Meister, eds. Oxford: Wiley-Blackwell.
- William Lane Craig