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#95 Violência e a Consciência Cristã

August 03, 2014
Q

Querido Dr. Lane Craig,

É permissível que um cristão jogue ou assista mídia violenta por entretenimento? Devo confessar que eu gosto de filmes violentos, como Gladiador e jogos, como Resident Evil. A mídia em questão é violenta, mas eu me consolo com o fato que a mídia mencionada é sobre o bem triunfando sobre o mal. Isso é ético ou estou simplesmente tentando conseguir o que eu quero?

Josh

United States

Dr. Craig responde


A

Josh, suspeito que, como o sapo sendo lentamente fervido em uma panela, você absorveu inconscientemente os hábitos degradáveis da nossa cultura, e não tem sido suficientemente crítico como um cristão. Paulo aconselhou aos Filipenses: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Filipenses 4:8) Você consegue imaginar os cristãos do Novo Testamento curtindo violência como entretenimento?

Sua menção do “Gladiador” é interessante, porque nós sabemos a atitude dos antigos Pais da Igreja com respeito aos espetáculos nos coliseus Romanos: eles eram implacáveis em sua denúncia desses shows violentos (veja, por exemplo, On Spectacles [Sobre Espetáculos] de Tertuliano). Agora, é claro, existe uma enorme diferença entre homens e animais de fato sendo mortos, como eram nesses shows, e a mera retratação de tal violência na tela, onde todos nós sabemos que é somente fingido. Mas eu acredito que os Pais ficariam muito confusos com nossa diversão sobre tanto sangue demonstrado de forma tão realista que faz com que seja indistinguível do real. A emoção que algumas pessoas sentem de violência na tela mostra que eles estão entrando no mundo do fingimento e experimentando e sensação sórdida da violência.

Fico incomodado como eu mesmo tenho me acostumado com muito dessa violência gráfica. Lembro-me de quando menino, vendo filmes em branco e preto, feitos durante os 1950, em que violência na tela era quase inexistente. Em vez disso, o que você via era, digamos, duas sombras na parede com uma voz de um dos homens implorando, “Não! Não! Não atire!” E então tinha um tiro e uma das sombras caía no chão. Lembro quão horrorizado eu ficava com tais cenas. Hoje elas parecem quase cômicas. Fico triste que eu tenha perdido aquela inocência da infância, e não sinta mais o horror que uma época senti. Nos filmes de hoje não nos contentamos com menos do que uma cena da vítima fazendo uma dança macabra da morte ao ser acertado com balas de uma metralhadora. Tal “entretenimento” apela para o pior em nossa natureza animal, e não nos eleva moralmente.

Não é suficiente dizer que pode porque alguém gosta desse tipo de entretenimento. Cada homem de sangue vermelho iria gostar, de alguma forma, de filmes de sexualidade explícita também, mas isso não é justificativa para desprezar os avisos das Escrituras sobre manter uma vida de pensamentos puros. Nem é suficiente racionalizar tal entretenimento porque no final o bem vence o mal. Os fins não justificam os meios, ou qualquer coisa poderia ser justificada desta forma. Se você precisa satisfazer suas necessidades agressivas, por que não assistir esportes como futebol americano, que é cheio de pancadas, mas tem regras para proteger os participantes, e não é violência pelo próprio mérito?

Eu sei que algumas histórias requerem violência. Mas existem formas discretas de lidar com isso. O que eu acho ser perturbador é o chafurdar na demonstração gráfica da violência, um prazer mórbido em atirar, cortar, desmembrar, torturar e assim por diante. Como cristãos eu penso que no minuto em que vemos um “R” na classificação de um filme, estamos, na maioria dos casos, sendo bem aconselhados a ficar em casa.

- William Lane Craig