Doutrina do Espírito Santo (Parte 6): O enchimento do Espírito Santo
April 02, 2023Por que tantos cristãos não são cheios do Espírito Santo?
Na última vez, vimos que existe uma diferença no Novo Testamento entre cristãos que são habitados pelo Espírito Santo e cristãos que são cheios do Espírito Santo. Todos os cristãos foram batizados pelo Espírito Santo no corpo de Cristo, sendo, portanto, habitados pelo Espírito Santo. Porém, conforme vimos em 1 Coríntios, capítulo 2, e na primeira parte do capítulo 3, Paulo diz que, embora todos os cristãos sejam habitados pelo Espírito Santo, alguns cristãos ainda estão vivendo sob o domínio e influência da carne, ou seja, a natureza humana decaída, não produzindo, portanto, o fruto do Espírito Santo. Antes, esses cristãos exibem as obras da carne das quais Paulo fala em Gálatas, capítulo 5.
Vimos que os sinais da vida cheia do Espírito não são dons carismáticos, como falar em línguas, fazer declarações proféticas ou operar milagres de cura. A igreja em Corinto exibia todo tipo de dons carismáticos e, ainda assim, era uma das igrejas mais carnais no Novo Testamento. Antes, as provas da vida cheia do Espírito são o fruto do Espírito de que Paulo fala em Gálatas, capítulo 5. Quem anda no Espírito, que está cheio do Espírito, produz o fruto do Espírito Santo na sua vida, e não as obras da carne.
A questão que nos restou foi a seguinte: por que é que tantos cristãos não são cheios do Espírito Santo? Por que é que tantos cristãos parecem encaixar-se na categoria de cristãos carnais, cristãos que ainda vivem sob o domínio e influência da natureza humana decaída? Por que é que tão poucos desfrutam da plenitude do Espírito Santo? Permitam-me sugerir duas razões pelas quais tantos cristãos não são cheios do Espírito Santo.
1. Falta de compromisso total. Em outras palavras, essas pessoas, ainda que cristãs, não se entregaram 100% a Cristo. Esta falta de compromisso total, na minha opinião, previne a plenitude do Espírito Santo na vida delas e as deixa no poder da carne.
Leiam a tão conhecida parábola do semeador que Jesus ensinou em Marcos, capítulo 4. Em Marcos 4.3-9, Jesus fala a parábola do semeador e, então, nos versículos 14-20, dá a sua interpretação.
“Ouvi; o semeador saiu a semear. Enquanto semeava, parte das sementes caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, pois a terra não era profunda. Quando saiu o sol, este a queimou; e, como ela não tinha raiz, secou. Outra parte caiu entre os espinhos, os quais, crescendo, sufocaram-na, e ela não deu fruto. Mas outras sementes caíram em terra boa. Brotaram, cresceram e deram fruto; e um grão produziu outros trinta; outro, sessenta; e outro, cem”. E disse-lhes: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
Esta é a parábola do semeador. Nos versículos 14 a 20, Jesus interpreta a parábola para nós. Ele diz:[1]
O semeador semeia a palavra. Os que estão à beira do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada, mas, depois de ouvi-la, logo vem Satanás e tira a palavra neles semeada. Do mesmo modo, os que foram semeados em lugares pedregosos são os que, ouvindo a palavra, imediatamente a recebem com alegria, mas, como não têm raiz em si mesmos, duram pouco. Quando vem a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo tropeçam. Outros ainda são os que recebem a semente entre espinhos. Estes são os que ouvem a palavra, mas as preocupações do mundo, a sedução da riqueza e o desejo por outras coisas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera. Os outros que recebem a semente em terra boa são os que ouvem a palavra, acolhem-na e dão fruto; alguns trinta por um; outros, sessenta por um; e outros, cem por um.
Quero chamar a sua atenção para esse terceiro tipo de solo: a semente semeada entre os espinhos. Estas pessoas recebem a palavra, mas não são frutíferas. Não produzem grãos. São plantas vivas, mas não do tipo frutífero. Qual é a diferença entre estas pessoas e as pessoas que são o solo bom a produzir frutos a trinta, sessenta e cem por um? Jesus identifica três coisas que sufocam a palavra a tornam infrutíferas as pessoas:
1. As preocupações do mundo (ou seja, simplesmente as pressões e vicissitudes da vida que as derrubam);
2. A sedução da riqueza (o desejo pelo ganho monetário, pela afluência);
3. O desejo por outras coisas (o desejo do coração delas não é por Deus, nem pelo reino).
Estas três características conspiraram para tornar infrutíferas estas pessoas: as preocupações do mundo, a sedução da riqueza e o desejo por outras coisas.
O contraste a este tipo de pessoa, na minha opinião, encontra-se no Sermão da Montanha; em Mateus 6.33, em que Jesus disse: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas”. Aqui, Jesus diz que o seu foco não deve estar em coisas mundanas, na prosperidade, nas coisas materiais. Antes, devemos buscar, primeiro, o Reino de Deus e a sua justiça. Isto se contrasta, a meu ver, com aqueles que são representados pelo terceiro tipo de solo, que não têm esse mesmo compromisso total. O seu compromisso não é, primeira e primordialmente, com Deus, a sua justiça e o seu reino, mas têm um desejo por outras coisas — pelas riquezas —, levando o fardo das preocupações deste mundo. Na minha opinião, isto explicaria por que tantos cristãos não são cheios do Espírito e frutíferos.
A prescrição para ser esse solo bom, esse tipo de pessoa que busca, primeiro, o reino de Deus e a sua justiça, encontra-se, na minha opinião, em Romanos 12.1-2. Ali se dá a prescrição para este tipo de vida. Paulo diz:
Portanto, irmãos, exorto-vos pelas compaixões de Deus que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
No caso, Paulo descreve uma pessoa totalmente comprometida com Deus, de corpo e alma.[2] O seu corpo está comprometido com Deus como sacrifício vivo e, então, é transformado pela renovação da sua mente. Assim, o corpo e a alma estão entregues totalmente a Cristo.
O resultado é que se pode discernir qual seja a vontade de Deus. Observe qual é a vontade de Deus. Ela é caracterizada por três adjetivos: ela é boa, ela é agradável e ela é perfeita. Não é preciso temer a vontade de Deus para a sua vida. Você vai reconhecer que a perfeita vontade de Deus para você (caso você a entenda plenamente) é boa. É agradável, não apenas a Deus, mas a você também. E é perfeita. Isto significa que não há nada que você possa fazer para melhorá-la. Quaisquer esforços que você fizer para melhorar a vontade de Deus para a sua vida apenas a prejudicarão, pois ela já é perfeita. Assim, não há nenhuma razão para não estar completamente comprometido com Cristo da forma em que Paulo descreve: como sacrifício vivo, de corpo e alma, entregue a Deus e produzindo frutos por meio do Espírito Santo a guiar e controlar a sua vida.
Creio que uma das razões pelas quais muitos cristãos não são cheios do Espírito Santo se deve à falta de compromisso total da parte deles.
Mas não se trata da única razão.
2. Há uma confiança no esforço próprio que frustra a tentativa de levar uma vida cheia do Espírito. Algumas pessoas podem mesmo estar totalmente comprometidas com Cristo. São plenamente dedicadas a Cristo, mas estão tentando viver a vida cristã segundo a sua própria força, o seu próprio poder, ou seja, no poder da carne. E isto é fútil. É impossível levar a vida cristã no poder da carne. Isto não pode ser feito por esforço próprio. É o que Jesus nos ensina na parábola da videira e dos ramos, em João 15.4-5. Jesus diz:
Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira; assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
Não poderia ser mais claro, não é mesmo? O ramo cortado da videira é impotente para produzir frutos. Só seca e morre. O segredo para produzir frutos é permanecer na videira. À medida que a vida da videira percorra os ramos, eles naturalmente frutificarão. Assim, é questão não de esforço próprio, mas, sim, de permanência em Cristo.
Observem que, após a ressurreição, os discípulos foram instruídos a ficar em Jerusalém até que lhes fosse concedido o poder do Espírito Santo. Atos 1.4-8 diz:
Enquanto participava de uma refeição com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, “de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias”. E os que se haviam reunido perguntaram-lhe: “Senhor, é este o tempo em que restaurarás o reino para Israel?” Ele lhes respondeu: “Não vos compete saber os tempos ou as épocas que o Pai reservou por sua autoridade. Mas recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós; e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”.
No caso, o Espírito Santo é o segredo para o poder de serem testemunhas eficazes para Cristo por todo o mundo.[3] Sair por conta própria, tentar viver a vida crista sem o poder do Espírito, é fútil e desesperador.
O segredo para a vida cristã frutífera é permitir que Cristo viva a sua vida através de nós. É disto que Paulo fala em Gálatas 2.20. Paulo diz: “Portanto, não sou mais eu quem vive, mas é Cristo quem vive em mim. E essa vida que vivo agora no corpo, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. É esta mesma verdade expressa na parábola da videira e dos ramos. Cristo é a videira; nós somos os ramos. É Cristo a viver através de nós que nos possibilita ter uma existência cristã frutífera.
Sem o enchimento do Espírito Santo (descrito aqui na afirmação de que Cristo vive em mim, ou seja, o Espírito Santo de Cristo vive em mim), a vida cristã é reduzida ao legalismo e ao degradante esforço próprio. Portanto, o não-cristão costumará ser mais feliz do que o cristão que vive uma experiência cristã derrotada no poder da carne.
A meu ver, isto é mais bem descrito no seguinte testemunho que quero ler de um ministro cristão que apostatou e abandonou a Cristo, deixando de ser cristão. Ele compara a sua vida como cristão com a vida que ele agora tem como apóstata. Creio que vocês perceberão uma descrição perfeita da existência cristã carnal, vivida no poder da carne. Ele diz o seguinte:
Uma vez que sou apaixonado pelas coisas nas quais tenho interesse, busquei da melhor maneira que pude ser cristão fiel e bom ministro. Aceitei a graça de Deus, e ela mudou minha vida radicalmente quando era adolescente. Depois de ser salvo, quis mostrar a Deus como eu era grato por seu dom de salvação, comprometendo-lhe toda a minha vida, com tudo o que tinha. Embora eu soubesse que foi pela graça que fui salvo, quase sempre me sentia culpado de que não fazia o suficiente em resposta ao amor de Deus. Fosse gastando tempo em oração, evangelizando, lendo a Bíblia, dando dízimo, perdoando a alguém que me ofendera, fosse na luta com as tentações da luxúria, orgulho, egoísmo e preguiça, quase sempre me sentia culpado... Jamais pude entender como os cristãos podiam vir à igreja todos os domingos, mas nunca se envolver tanto assim nos programas da igreja, p0rque é isto que os crentes deveriam querer fazer, como eu fazia.
...
Hoje estou praticamente livre de culpa, no sentido de que não tenho nenhuma culpa relacionada aos deveres cristãos mencionados acima. De fato, não consigo lembrar quando sequer estive mais feliz do que hoje... Vivo no topo, praticamente sem culpa, principalmente porque os meus padrões éticos não são tão elevados assim. Na verdade, creio que os padrões éticos cristãos são, simplesmente, impossíveis para qualquer um alcançar.[4] Pense bem: de acordo com Jesus, eu deveria sentir-me culpado não só pelo que faço, mas pelo que penso, desejo, odeio, cobiço etc. Gostaria que todos... experimentassem a liberdade que encontrei.
Na minha opinião, trata-se de descrição perfeita da vida cristã carnal, vivida no poder da carne, por meio do esforço próprio. É um tipo de estilo de vida miserável, eivado de culpa e orientado por obras. É um estilo de vida menos realizado do que ser não-cristão, em que não é necessário preocupar-se com esse tipo de dever e preocupação éticos.
Acho que o erro fundamental deste ex-cristão é que ele não entendeu que a vida cristã trata, principalmente, do ser, e não do fazer. Para ele, a vida cristã tinha, principalmente, a ver com o que ele fazia para Deus para mostrar-lhe gratidão. Tudo tinha a ver com o que ele fazia, com o seu desempenho, e nada tinha a ver com a essência e a permanência em Cristo na vida da videira, desfrutando da graça e perdão de Deus que possibilitam ter essa fonte de poder na vida. Sem dúvida, alguém concentrado em estar em Cristo se preocupará com o fazer. Não há dúvida disto! Ele se envolverá com o evangelismo, com as ofertas, com atos de misericórdia e assim por diante. Porém, tais atos não serão a base da vida cristã. Serão o transbordar de uma vida abundante ligada à vida da videira e, portanto, a produzir naturalmente este tipo de fruto.
Quero sugerir que essas duas razões podem explicar por que tantos cristãos não experimentam a plenitude do Espírito Santo nas suas vidas. Eles não têm compromisso total (não são mesmo dedicados; o desejo por outras coisas, pelo ganho material, as pressões da vida sufocam a palavra neles e os torna infrutíferos) ou, então, eles tentam viver a vida cristã segundo o seu próprio poder, o que resulta em futilidade, culpa e uma espécie de legalismo degradante.
Isto leva à seguinte pergunta: como é que posso ser cheio do Espírito Santo? Quero sugerir que é uma questão, pura e simplesmente, de arrependimento e fé. Arrependa-se e creia.
Primeiramente, arrependa-se. Necessitamos confessar a Deus o pecado que sabemos existir nas nossas vidas. Precisamos nos achegar com honestidade diante dele e reconhecer o pecado de que ele nos convence. Primeira João 1.9 dá esta promessa: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Assim, a primeira coisa a fazer é arrepender-se. Deixe de esconder-se de Deus, deixe de racionalizar o pecado, mas confesse a Deus o pecado consciente, reconhecendo-o diante dEle. Este é o aspecto negativo. O aspecto positivo é crer, ou seja, render-se a Deus como sacrifício vivo, do mesmo em que Paulo estabelece em Romanos 12.1-2: corpo e alma entregues a Deus como oferta sacrificial. Isto não depende de emoções ou sentimentos que vêm e vão. Trata-se de um compromisso da vontade.
Então, depois de fazer esse compromisso total de render-se a Deus como sacrifício vivo, precisamos andar no Espírito diariamente, passar tempo no Espírito. Precisamos praticar a confissão imediata do pecado e reconsagrar as nossas vidas a Deus.[5] Ser cheio do Espírito Santo não é uma espécie de condição permanente de que goza o cristão. Antes, a pessoa pode, por causa do pecado, retomar o controle da própria vida. É preciso, no caso, praticar a confissão novamente, afirmar 1 João 1.9 e, então, reconsagrar a vida a Deus. Esta é a diferença entre o sacrifício vivo e os sacrifícios no Antigo Testamento. No Antigo Testamento, os sacrifícios de animais eram mortos, antes de serem apresentados a Deus. Estavam mortos! Porém, Paulo diz para nos apresentarmos como sacrifício vivo. É muito mais difícil, não é? Isto porque um sacrifício vivo tende a se arrastar até o altar! Por isso, trata-se de uma vida a ser continuamente reconsagrada a Deus, diariamente, mediante a confissão imediata do pecado e o novo comprometimento.
A Escritura indica que, como cristãos, podemos entristecer o Espírito Santo por meio do pecado. Em Efésios 4.30, Paulo diz: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, com o qual fostes selados para o dia da redenção”. Vocês são habitados pelo Espírito Santo. Paulo diz: não entristeçam o Espírito Santo. O contexto de Efésios 4 deixa evidente que fazemos isso mediante o pecado nas nossas vidas. Ao pecarmos, entristecemos o Espírito Santo e, assim, perdemos a sua plenitude.
Não apenas isso, mas podemos também apagar a obra do Espírito Santo nas nossas vidas por meio da desobediência. Em 1 Tessalonicenses 5.19, Paulo diz: “Não apagueis o Espírito”. Penso que a diferença entre entristecer e apagar o Espírito é que entristecê-lo acontece por meio do pecado, ao passo que apagá-lo envolve não o seguir, mas suprimir a sua atividade nas nossas vidas. O contexto de 1 Tessalonicenses é o seguinte: não despreze o profetizar. Não tente extinguir o Espírito na sua vida. Apagamos o Espírito quando ele nos está guiando a fazer algo e nos recusamos a fazê-lo; ou quando sentimos a convicção da parte dele de que algo precisa mudar, mas a apagamos e suprimimos. Ao fazê-lo, abandonaremos o seu poder e direção nas nossas vidas.
Como cristãos, precisamos confessor continuamente os nossos pecados e reconsagrar o controle das nossas vidas a Deus, de modo que não entristeçamos ou apaguemos o Espírito Santo por meio do pecado ou desobediência.
Isto envolve o compromisso diário. A cada dia em que você se levantar, antes de sair da cama e tocar o chão, só faça uma oração: “Senhor, toma o controle do trono da minha vida hoje. Vive a tua vida através de mim. Enche-me do teu Espírito Santo. Dirige-me e controla-me hoje”.
Jan dá uma ilustração incrível desta verdade do caminhar no Espírito Santo. Ela o imagina como uma espécie de guarda-chuva com o qual se passa pelas tempestades da vida. Desde que a pessoa se mantenha sob o guarda-chuva de Deus, ela estará segura nas tempestades da vida. Não quer dizer que você não sofrerá, mas estará onde Deus quer que você esteja: estará na vontade dele. Porém, caso você se desvie do caminho ou saia de debaixo do guarda-chuva, você estará prestar a cair num buraco ou no desastre, porque não andará mais na vontade de Deus para você. Por isso, queremos ficar debaixo do guarda-chuva da vontade de Deus ao longo do caminho da vida. Isto se dará ao permitirmos que o Espírito Santo no dê o poder e nos dirija dia após dia, ao caminharmos na estrada da vida.[6]
DISCUSSÃO COMEÇA
Aluno: Em relação à videira e aos ramos, fiquei curioso quando estava falando dos cristãos que não dão frutos: quis dizer cristãos nominais ou cristãos salvos?
Dr. Craig: No caso, estou pensando em cristãos salvos. Lembre-se que, em 1 Coríntios 3, Paulo fala do dia do juízo, quando todos estarão diante de Cristo. Ele diz que o dia do juízo testará a obra de cada homem para ver como ele construiu sobre o fundamento, que é Jesus Cristo. Ele diz que a obra de algumas pessoas será queimada. É como madeira, palha e feno que construíram sobre o fundamento, ao passo que a obra de outras pessoas é como ouro, prata e pedras preciosas. Elas sobrevivem ao fogo do juízo. Paulo diz que essa mesma pessoa será salva. Trata-se de cristão regenerado. Porém, as suas obras serão todas queimadas, e ele não receberá o tipo de recompensa que teria recebido, caso houvesse sido fiel.
Aluno: Só estava mesmo curioso porque, em João 15 (mencionado anteriormente), os versículos 1 e 2 dizem: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que está em mim e não dá fruto, ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto”.
Dr. Craig: Sim, e em especial o versículo 5, que não li: “Quem não permanece em mim é jogado fora e seca, à semelhança do ramo. Esses ramos são recolhidos, jogados no fogo e queimados”. Ora, isto traz à tona a questão da apostasia. Será que alguém pode cometer apostasia e ser cortado da videira de tal modo a perder a salvação? Ao que parece, o testemunho que li esta manhã é de alguém que cometeu apostasia e pode encontrar-se nesse tipo de situação. Acho que não sabemos quando a pessoa cruzou essa linha ou não. Acho que sempre temos de supor que lhe é possível arrepender-se e voltar, e devemos orar e trabalhar para que isto aconteça, mas pode haver pessoas tais quais Jesus descreveu aqui, que se tornaram tão separadas da vida de Cristo que, agora, estão perdidas. Mas esta é uma questão que abordaremos mais à frente. O meu enfoque hoje é na plenitude do Espírito Santo, e não na questão da perseverança dos santos.
Aluno: Só queria compartilhar uma ilustração interessantíssima que vimos recentemente. Temos algumas resedás no fundo de casa. Uns meses atrás, a minha esposa cortou alguns ramos dessas árvores, raspou-lhes os galhos e folhas e os usou para formar uma espécie de arbusto decorativo no nosso terraço do quintal dos fundos. O interessante foi que, uns dois ou três dias depois, eles começaram a crescer. Brotaram e começaram a ter folhas. Agora, cerca de três meses depois, há ainda folhas minúsculas, meio murchas mas ainda vivas, a crescer nessas varas que foram cortadas. Se você observar e comparar com as árvores a crescer ao lado, as folhas nas árvores estão verdes e frondosas, cheias e vivas. Esses ramos que foram cortados têm essas folhas minúsculas e murchas. É, simplesmente, ilustração perfeita do ramo tentando produzir fruto por conta própria: até consegue produzir um pouquinho, mas não é absolutamente nada comparado ao que ele consegue fazer quando ainda está ligado à árvore; talvez, nas nossas próprias vidas, os nossos esforços próprios sejam suficientes para conseguirmos produzir só o fruto minúsculo, e nos enganamos ao pensar que conseguimos produzir fruto. Como faz diferença se, verdadeiramente, permanecemos, e como o fruto fica diferente.
Dr. Craig: Esta ilustração é muito tocante.
Aluno: Agradeço por suas observações importantes. Acho que ouvi uma mensagem de Bill Bright sobre a vida cheia do Espírito. Parece-me que todo sistema de pensamento humano que busca abordar a realidade de modo abrangente diz haver algo errado na natureza humana. Se entendi corretamente, a principal resposta que o cristianismo oferece às deficiências da natureza humana e da condição humana é a obra do Espírito Santo que acontece aqui, nesta vida, e não algo após a morte.[7] Mas parece que já ouvi cristãos dizerem antes: “A resposta à cobiça, luxúria, violência, egoísmo e todas as formas de mal é que todos se tornem cristãos e andem no Espírito”. Seria maravilhoso, mas não acho que… Mateus 7.13-14: “pois a porta é estreita, e o caminho que conduz à vida, apertado, e são poucos os que a encontram”. Por exemplo, Jim Daly, presidente do ministério Focus on the Family, depois daquela terrível chacina em Newtown, Connecticut, uns cinco anos atrás, quando aquelas crianças foram assassinadas, disse que a resposta não é o controle de armas, mas que todos mudem de coração e se tornem cristãos. Seria fantástico, mas não acho que seja realista.
Dr. Craig: Sim, simpatizo bastante com o que disse. Vi Franklin Graham na televisão esta semana dizendo praticamente a mesma coisa, que Deus é a nossa única esperança. Pensei: se for verdade, estamos, realmente, numa situação desesperadora, porque é muito, mas muito improvável que, como você disse, todos se voltem para Deus e se entreguem a ele. Por isso, talvez seja melhor encontrarmos alguma outra maneira de conseguirmos viver numa sociedade que é um misto de bem e mal, de tal modo que o mal seja restrito e controlado por meio de um sistema de leis, penas e assim por diante. É simplista demais só dizer: “Todos precisamos de Deus”. Sem dúvida, acho que é verdade que, como já expliquei, precisamos de Deus, do poder do Espírito Santo, para viver uma vida transformada, mas isto não será uma resposta realista aos problemas que a sociedade enfrenta, que serão sempre um misto de bem e mal juntos. Temos de encontrar formas de controlar e inibir as forças do mal na sociedade.
DISCUSSÃO TERMINA
Pai celeste, nós te agradecemos porque, embora sejamos criaturas pecadoras e decaídas, tu nos amas tanto que Cristo morreu por esses pecados para libertar-nos da culpa e da pena e para imputar-nos a sua justiça. Nós te agradecemos porque, cobertos no seu sangue, apresentamo-nos justos e perdoados diante de Ti. Agora, Senhor, da melhor forma que sabemos, queremos render as nossas vidas a Ti como sacrifícios vivos, os nossos corpos puros e dedicados a Ti, as nossas almas entregues para a renovação por meio do poder transformador do teu Espírito Santo. Senhor Jesus, oramos para que vivas a tua vida através de nós. Ajuda-nos a permanecer em ti, como os ramos permanecem na videira e produzem muito fruto. Santo Espírito de Deus, oramos para que tomes controle das nossas vidas, para que nos dirijas e nos dês poder para viver vidas plenas do teu fruto e agradáveis ao nosso Deus e Pai. Em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.[8]