#221 A Existência de Deus é Evidente para Todo Aquele que Busca Sinceramente?
October 28, 2014Este é um argumento que eu li no fórum de ReasonableFaith.org e eu estou querendo saber como você responderia. Na minha opinião, não é um argumento muito forte. Mas aqui está:
1. Se Deus existe, então sua existência seria evidente para qualquer pessoa que buscasse sinceramente a Deus.
2. A existência de Deus não é evidente para todos que sinceramente buscam a Deus.
3. Portanto, Deus não existe.
Suponho que a maioria dos cristãos aceite a premissa (1) - Eu sei que William Lane Craig aceita. Portanto, para negar a conclusão, os cristãos precisam rejeitar a premissa (2), mas (2) é evidentemente óbvia para alguém que sinceramente deu uma chance ao cristianismo e ainda não está convencido da existência de Deus. Para mim, a verdade da premissa (2) é muito mais plausível do que sua negação: se a premissa (2) fosse falsa, então teria de ser verdade que toda pessoa que alega ter sinceramente buscado a Deus, mas não conseguiu encontrá-lo, deve estar mentindo—ou para os outros ou a si mesmo.
Os cristãos realmente acreditam nisso?
Como era de se esperar, a maioria dos que resistem ao argumento afirma que a premissa (2) é falsa, o que eu acho extraordinário. Para sustentar que a premissa (2) é falsa, a pessoa teria que acreditar que todo não cristão está mentindo, ou sobre a existência de Deus ser evidente, ou sobre ser sincero. Compare a premissa (2) com o seguinte:
1. A existência de Alá não é evidente para todos que sinceramente buscam Alá.
2. A existência de Brahma não é evidente para todos que sinceramente buscam Brahma.
3. A existência do Pé-grande não é evidente para todos que sinceramente buscam Pé-grande.
4. A existência do Papai Noel não é evidente para todos que sinceramente buscam o Papai Noel.
E assim por diante.
A maioria de nós não duvidaria dessas afirmações, uma vez que geralmente confiamos na palavra das pessoas sobre o que elas acreditam. Por que, então, não deveríamos de modo geral confiar na palavra de não-cristãos que afirmam que sinceramente buscaram encontrar a Deus? Sem uma resposta adequada a essa pergunta, os que rejeitam a premissa (2) são apenas culpados de cometer uma falácia da defesa especial.
Desculpe se é um pouco extenso. Estamos ansiosos para ouvir o você pensa.
Sinceramente,
Tapji
Canadá
Canada
Dr. Craig responde
A
Eu acredito que a existência de Deus, isto é, a existência do Deus descrito na Bíblia, é ou será evidente nesta vida para quem sinceramente o buscar. Agora, por "evidente", eu não quero dizer óbvia ou certa. Quero dizer que quem busca sinceramente chegará à fé salvífica em Deus; sua busca será bem sucedida; ele não só irá chegar à crença que Deus existe, mas irá chegar ao conhecimento de Deus.
Por que eu acredito algo assim? Ora, primeiramente porque isso é o que Jesus ensinou, e eu tenho boas razões para acreditar que Jesus é a revelação de Deus para a humanidade e, portanto, para acreditar no que Ele ensinou. Você pode encontrar as minhas razões para pensar assim no Reasonable Faith. Quanto aos ensinamentos de Jesus, considere esta declaração de Seu Sermão da Montanha:
Peçam e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Porque todo aquele que pede, recebe; e o que busca, encontra; e o que bate, a porta lhe será aberta (Mateus 7:7-8).
Por "buscar", Jesus obviamente não queria dizer uma investigação meramente intelectual, mas uma busca genuína da alma, uma busca espiritual em humildade e com o um coração contrito. Esse ensinamento contradiz bem com a vontade salvífica universal de Deus (1 Timóteo 2:3-4; 2 Pedro 3:9).
É claro, a providência de Deus na vida de cada pessoa se desenrola ao longo do tempo. A existência de Deus pode não ser evidente a alguém em certas fases da sua vida, mas pode tornar-se evidente quando e pelos meios que Deus escolher. Se uma pessoa estiver realmente buscando a Deus, ela vai persistir em sua busca e, eventualmente, encontrará Deus.
Assim, gostaria de substituir premissa (1) com
1'. Se Deus existe, então Sua existência se tornará evidente para qualquer pessoa que buscar sinceramente a Deus.
Então, para aqueles que dizem: "Eu sinceramente busquei a Deus e não o encontrei", eu digo: "Não desista! Continue buscando, e você encontrará Deus".
Se temos, como eu acho que temos, boas razões para acreditar que Jesus era quem dizia ser, então temos boas razões para acreditar que o que ele ensinou é verdade. Então, que invalidador ou refutação é oferecida pelo detrator desta doutrina?
É a afirmação de que
2. A existência de Deus não é evidente para todos que buscam sinceramente a Deus.
Mas a premissa (2), mesmo se for verdade, não é incompatível com a premissa (1'). A partir de (1') segue apenas que a existência de Deus se tornará evidente para aquele que busca sinceramente a Deus. É claro que a premissa (2) ajusta-se facilmente à alegação de que
2'. A existência de Deus nunca se torna evidente para algumas pessoas que buscam sinceramente a Deus.
Mas por que deveríamos pensar que a premissa (2') é verdadeira? Como sabemos disso? É óbvio que é inadequado dizer que a premissa (2') "é evidentemente óbvia para qualquer um que sinceramente deu uma chance ao cristianismo e ainda não está convencida da existência de Deus". Pois talvez sua falta de persistência seja uma indicação de que sua busca não foi tão séria quanto ele imagina (ele deu ao cristianismo "uma chance"?), ou talvez essa pessoa ainda irá encontrar Deus.
Para consolidar a premissa (2'), parece que teríamos de recorrer a casos em que uma pessoa era um buscador sincero de Deus, mas no final de sua vida não conseguiu chegar à fé em Deus. O problema com este argumento, porém, é que nós não estamos em uma posição de olhar para dentro do coração humano e julgar a sinceridade de uma pessoa a esse respeito. Isso exigiria uma espécie de introspecção psicológica que não está disponível para nós. Só Deus é capaz de fazer o cardiograma espiritual necessário para responder a essa pergunta.
Sua "Edição" tenta apoiar a premissa (2'), dizendo que "nós geralmente confiamos na palavra das pessoas sobre o que elas acreditam. Por que, então, não deveríamos em geral confiar na palavra de não-cristãos que afirmam que sinceramente buscam encontrar Deus?". Eu já respondi a essa pergunta: se uma pessoa persistir na incredulidade até sua morte, então as evidências da identidade de Jesus e da verdade de suas alegações nos dão razão para pensar que aquela pessoa não era tão sincera quanto se imaginava ser.
Observe que, ao dizer isso, nós não pretendemos uma espécie de introspecção psicológica que o ateu afirma ter. Observe também que essa resposta não equivale a dizer que "todo não-cristão [que persistir até a morte na incredulidade] está mentindo, ou sobre a existência de Deus ser evidente ou sobre ser sincero". Em vez disso, tal pessoa pode estar autoenganada. Ela imagina ser sincera e séria na sua busca de Deus, quando na verdade, pode não ser.
Existe uma quantidade vasta de literatura sobre a incrível capacidade humana para racionalização e autoengano que é relevante aqui. Todos nós vemos os notáveis pontos cegos em outros; mas é claro que nós não vemos os nossos próprios. Orgulho, o desejo de estar certo, e o desejo de autoautonomia, tudo conspira para subverter a nossa sinceridade alardeada. Não é em absoluto improvável que aqueles que persistem na incredulidade até sua morte não buscaram realmente a Deus.
Quanto aos outros quatro exemplos de outras coisas, cuja existência não é evidente para todos que as buscam sinceramente, os dois últimos são simplesmente absurdos, e existem muitas razões para pensar que a existência do Pé-grande e Papai Noel não devem ser autoevidentes. Por outro lado, os dois primeiros exemplos, especialmente o primeiro, merecem ser levados muito a sério. Um muçulmano pode muito bem alegar que Alá irá fazer a sua existência evidente para qualquer um que sinceramente o buscar. Eu não acho que essa afirmação seja de modo algum improvável, assumindo que Alá exista. O problema é que temos boas razões para pensar que o Deus descrito no Alcorão não existe. Temos boas razões para pensar que o Deus revelado por Jesus de Nazaré existe. Assim, em contraste com os quatro exemplos, temos boas razões para acreditar que a premissa (1') é verdadeira e, comparativamente, não há boas razões para pensar que as alegações oferecidas a favor de Alá, Brahma, Pé-grande, ou Papai Noel sejam verdadeiras.
Agora, eu sei que dizer essas coisas faz com que ateus fiquem loucos! Mas isso não é argumento, e eles precisam se perguntar honestamente se sua raiva e indignação diante da maravilhosa promessa de Jesus de que todos os que sinceramente buscam a Deus irão encontrá-lo pode não ser uma indicação de simplesmente onde seus corações estão realmente em relação a Deus.
- William Lane Craig