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#65 Artigo na revista Cristianismo Hoje

October 28, 2014
Q

Depois de ler seu artigo sobre a existência de Deus na revista Cristianismo Hoje, eu o enviei a um amigo ateu. Aqui está a resposta dele. Por favor ajude.

Ainda não encontrei uma boa resposta para este dilema:

Aqueles que não são teístas tipicamente irão responder ao argumento moral com um dilema: algo é bom porque é a vontade de Deus, ou é a vontade de Deus porque é bom? A primeira alternativa faz com que o bem e o mal sejam arbitrários, ao passo que a segunda alternativa faz com que o bem seja independente de Deus. Felizmente, o dilema é falso. Teístas tem tradicionalmente recorrido a uma terceira alternativa: algo é da vontade de Deus porque ele é bom. Ou seja, o que Platão chamava de “o Bem” é a natureza moral do próprio Deus. Deus é, por natureza, bondoso, amoroso, imparcial e assim por diante. Ele é o paradigma da bondade. Portanto, o bem não é independente de Deus.

Não é um falso dilema porque Deus não escolheu sua natureza. Sua natureza é qualquer que seja. Poderia ter sido uma natureza má. Tenho certeza que apologistas afirmam que, não, TEM de ser uma boa natureza. Mas, isso é simplesmente uma afirmação sem qualquer evidência. Craig define Deus como perfeito e depois diz que Deus precisa ser perfeito porque esta é a definição de Deus. Isso é lógica circular.

Roger

United States

Dr. Craig responde


A

Obrigado por repassar o artigo ao seu amigo, Roger! Espero que seja um estímulo para muitas boas conversas com amigos ou membros da família que não são crentes.

Seu amigo não entende muito bem a natureza de um dilema. Alguém trazendo um dilema precisa provar que existem apenas duas alternativas. Isso é fácil de fazer se o dilema tem a forma “A ou não-A.” Nesse caso, uma das alternativas do dilema é o contrario ou a negação da outra. Você precisa escolher entre uma alternativa e a outra. Não existem outras opções.

Mas como eu explico no meu debate com Louise Antony, o dilema de Eutífron não é assim. Apenas olhe para ele: ou algo é bom porque é a vontade de Deus ou é a vontade de Deus porque é bom. A segunda alternativa não é negação da primeira. A negação da primeira alternativa é “não é o caso que algo é bom porque é a vontade de Deus.” Assim colocado, o dilema não é nenhum problema. Teístas tipicamente não pensam que algo é bom simplesmente porque é vontade de Deus. Quando o dilema é assim colocado, sem hesitar, escolhemos não-A.

Então o que o ateu teria que mostrar é que não-A, assim entendido, implica que a vontade de Deus é algo porque esse algo é bom. Mas qual argumento ele oferecerá para isso? Qual argumento seu amigo vai oferecer? Lembre-se: é o ateu que afirma que o teísta tem apenas duas escolhas aqui. Então o ateu tem o ônus da prova; ele deve mostrar que, de fato, existe um dilema.

Em contraste, o teísta pode subverter o dilema apenas oferecendo uma outra alternativa. Aqui está minha alternativa: algo é da vontade de Deus porque Ele é bom. Esta é uma terceira alternativa diferente de qualquer uma das alternativas dadas pelo dilema original.

Então agora o ateu precisa mostrar porque esta opção não é aceitável. Contrário à afirmação do seu amigo, o teísta não tem nenhuma obrigação de provar que Deus tem Seu caráter moral essencialmente. Ao contrário, esta é simplesmente a alternativa teísta clássica. Não existe nenhuma circularidade envolvida porque o teísta não está tentando provar sua alternativa. Ele está simplesmente oferecendo uma alternativa para as duas opções do falso dilema ateísta. Ele está dizendo, “Suponha que Deus tem Seu caráter essencialmente e Seu caráter serve como o paradigma daquilo que é bom. O que há de errado com esta alternativa?” Agora está nas mãos dos ateus mostrar porque esta alternativa não funciona.

Seu amigo precisa mostrar porque valores morais não podem ser fundamentados na natureza de Deus, como é defendido pelo teísta clássico. Caso contrário, a objeção dele não derrota o teísmo clássico. Ela pode derrotar outros espantalhos, mas ela não diz nada, como ele mesmo admite, contra o teísmo clássico e, portanto, fracassa como uma objeção a ele.

- William Lane Craig