#810 A morte de Cristo e a Trindade
December 09, 2022Olá, Bill.
Acabei de assistir ao debate entre você e Greg Boyd sobre substituição penal. Tenho perguntas que não parecem ter sido mencionados no debate.
Se Deus declara Jesus culpado, parece-me que isto divide a Trindade (Jesus culpado, o Pai não). Mesmo que o Pai não esteja a infligir a sua ira em Jesus, ele está a declarar o Filho culpado. Será que isto não viola o versículo que diz que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo”?
Outro problema diz respeito a Jesus experimentar a nossa pena, que é a morte. Caso definamos a morte como separação permanente de Deus, isto não aconteceu. Jesus está vivo agora, à destra do Pai, e não separado. A sua separação teria sido, portanto, temporária. Assim, como é que isto se encaixa com o fato de ter ele experimentado a pena que teria sido nossa?
Como é que você responde a estas inquietações?
Dan
Estados Unidos
United States
Dr. Craig responde
A
Recebi duas perguntas sobre este assunto esta semana, Dan. A outra foi de Amando, da Indonésia, que perguntou: “como é possível que Jesus sofra separação de Deus Pai, se Ele é um com o Pai?”.
A chave para responder a esta questão, creio eu, está na doutrina das duas naturezas de Cristo. A segunda pessoa da Trindade, em decorrência da sua encarnação, veio a ter suas naturezas completas: uma humana e uma divina. O fato de Jesus tornar-se aquele que carrega o nosso pecado e leva sobre si a nossa pena não “divide a Trindade”, pois Jesus carregou o nosso pecado e culpa em sua natureza humana. É por isso que se diz, em 1 Timóteo 2.5-6: “há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem. Ele se entregou em resgate por todos”.
Quanto ao segundo problema, a pena para o pecado é, de fato, a separação em relação a Deus. Creio que o homem Cristo Jesus a experimentou, sim, por nós. Ele enfrentou o inferno por nós. Embora a pena de Cristo não tenha sido infinita quanto à sua duração, em relação à sua intensidade, foi equivalente ao sofrimento eterno dos condenados no inferno, por causa da dignidade infinita da pessoa a sofrer. A intensidade pode mais do que compensar a duração limitada. Deveras, uma vez que o futuro é apenas potencialmente infinito, em momento algum os condenados ao inferno jamais terão experimentado mais do que sofrimento finito. Jesus levou todo o nosso sofrimento compresso em algumas poucas horas.
- William Lane Craig