English Site
back
5 / 06

#787 A vontade de Deus dividida?

July 17, 2022
Q

Olá.

A resposta do Dr. Craig a esta pergunta me deixou perplexo em relação a duas questões:

1. O Dr. Craig diz: “só existe uma vontade em Cristo” e, em relação à Trindade, “Embora haja três atos distintos da vontade, sempre farão a mesma coisa”.

A minha observação a este respeito é que Jesus disse que não veio fazer a própria vontade, mas a vontade daquEle que o enviou (João 6.38). Igualmente, no Getsêmani, Jesus pareceu ter uma vontade que diferia da do Pai — “seja feita a tua vontade, e não a minha”. Se a vontade de Jesus e a vontade do Pai fossem idênticas, por que seria necessário que Jesus as diferenciasse nessas ocasiões? Não é verdade que o Pai e o Filho nem sempre “desejam a mesma coisa”, mas, pelo contrário, que Jesus nega a própria vontade e se sujeita à vontade do Pai?

2. O Dr. Craig diz: “Deus, portanto, é um ser tripessoal imaterial” e “Deus é um indivíduo, uma substância imaterial e tripessoal”.

A minha observação a este respeito é que as aparições de Jesus pós-ressurreição sugerem fortemente que ele tinha um corpo material (i.e., físico) e que ele ascendeu neste corpo, e os discípulos receberam a garantia de que ele voltaria da mesma maneira. Se Jesus é “imaterial”, como é que Paulo o poderia legitimamente descrever como “homem” que agora faz mediação entre Deus e os homens (1Tm 2.5)?

Tenho em grande estima os ensinamentos do Dr. Craig ao longo dos anos e continuo a segui-los e a me beneficiar com eles.

Atenciosamente,

Peter

Escócia

Dr. Craig responde


A

Que bom receber uma pergunta de alguém na terra dos meus ancestrais, Peter! Suponho que você esteja se referindo à pergunta 784, sobre monotelismo e a Trindade[DDF1] .

1. Em relação à primeira pergunta, eu diria que João 6.38 não indica nenhum conflito entre a vontade de Cristo e a vontade do Pai. Indica apenas que a vontade de Cristo segue a vontade do Pai. Durante seu estado de humilhação, como é denominado, durante sua vida terrena, a segunda pessoa da Trindade seguiu as diretivas da primeira pessoa. Longe de expressar um conflito, a obediência perfeita de Cristo mostra que a vontade dele estava em perfeito acordo com a vontade do Pai.

Quanto à oração de Jesus no Getsêmani, no caso, assim como nas narrativas da tentação, vemos a genuína luta de Jesus para fazer a vontade do Pai. Não se tratou de fingimento ou encenação. Era difícil fazer a vontade do Pai. Porém, mais uma vez, vemos a perfeita submissão de Jesus à vontade do Pai. O que Jesus acha necessário diferenciar da vontade do Pai são os seus desejos humanos. Embora expressasse honestamente em oração ao seu Pai celeste o seu desejo humano de não ser crucificado, ele submeteu a sua vontade à do Pai, de modo a não haver nenhum conflito. Não quer dizer que o Pai forçou Jesus a ir para a cruz contra a vontade deste!

2. Quanto à segunda pergunta, você está bastante certo ao enfatizar a fisicalidade do corpo da ressurreição de Jesus. Porém, com “imaterial” não quero dizer “incorpóreo”, no sentido de “sem corpo”. Como os dualistas antropológicos dirão que a minha alma é substância imaterial unida (mas não idêntica) a um corpo humano, assim também Cristo, no seu estado encarnado, é substância imaterial unida a um corpo humano. Como Deus, Cristo é substância imaterial, mas, desde o tempo da sua concepção virginal, ele tem um corpo humano.

- William Lane Craig