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#201 Apelo Naturalista à Ignorância

October 28, 2014
Q

Dr. Craig,

Dizer que eu aprecio o seu trabalho seria um eufemismo. Vou poupá-lo de um ou dois parágrafos elaborando sobre esse assunto, mas eu quero aproveitar a oportunidade para expressar minha sincera gratidão a você e a todas as pessoas que trabalham nos bastidores, a fim de tornar o seu trabalho disponível para pessoas como eu . Que Deus abençoe verdadeiramente o seu trabalho, e permita que ele tenha um impacto para Cristo em todo o mundo. Da minha parte, estou me preparando para dar uma aula com, On Guard[Em Guarda], em uma cidade chamada Hovd na Mongólia ocidental. Um lugar que, eu tenho certeza, você nunca teria imaginado seus livros chegando.

De qualquer forma, devido aos milagres da tecnologia moderna, também chegando ao nosso canto do mundo. Acabei de assistir o seu debate com Christopher Hitchens, e o debate City of Ideas, e eu acho que é bastante claro que este tipo popular de "neo ateus" são incapazes de, ou não querem interagir em qualquer tipo de detalhe com os seus argumentos. No entanto, o tipo de argumento guarda-chuva que eles dão para cobrir superficialmente seus pontos, parecem seguir as seguintes linhas:

Estamos apenas começando a entender o universo e tudo o que está contido nele. O nosso conhecimento atual é muito limitado no momento; estamos apenas começando a descobrir as perguntas e muito menos as respostas. No entanto, este é o trabalho da ciência e um dia, ao a ciência progredir, todas estas perguntas serão de fato respondidas. Em outras palavras, sim, há mistérios no universo que podem dar a aparência de um ser transcendente, mas, como a experiência tem nos mostrado, com outras coisas que achávamos ser de origem divina, estes mistérios acabarão por ser resolvidos e não haverá lugar para qualquer tipo de uma "hipótese de Deus". Em suma, Deus não é necessário e a ciência acabará por explicar tudo de uma forma naturalista, dado tempo suficiente.

Eu não duvido que você tenha respondido a esta linha de pensamento que eles oferecem, aparentemente para evitar ter que interagir com suas premissas em qualquer tipo de detalhe, mas eu não me lembro de ouvir uma resposta definitiva da sua parte—talvez eu tenha perdido. Importa-se em responder ao "argumento" acima agora?

Obrigado mais uma vez,

Craig

Mongolia

Dr. Craig responde


A

Craig, sua carta fez o meu dia! Eu estava lendo a nova edição da Operation World e fiquei impressionado com a seguinte frase:

Patrick Johnstone, quando questionado em 1979 sobre os lugares mais difíceis para avanço do evangelho, nomeou a Mongólia e a Albânia. Hoje, há pelo menos 40 mil fiéis mongóis. A Albânia está aberta e as igrejas estão crescendo (p. 4).

Eu louvo a Deus e agradeço a você por seu trabalho pioneiro! Gente, se vocês não sabem onde fica a Mongólia ocidental deem uma olhada em um globo ou mapa do mundo. Pode não ser o fim do mundo, mas vocês podem vê-lo de lá!

Quanto à sua pergunta, eu também ouço o apelo naturalista à ignorância o tempo todo. Eu acho que a falácia desse raciocínio é que ele assume que eu estou apelando para uma espécie de "Deus das lacunas" para tapar as lacunas em nosso conhecimento científico do mundo. Mas eu não estou. Na verdade, eu nem estou oferecendo evidência científica para Deus. Em vez disso aqui está como eu coloco:

A evidência científica pode apoiar uma premissa em um argumento que leva a uma conclusão que tem o significado teológico.

Reflita por um momento nessa afirmação. A evidência científica que ofereço é para premissas que são declarações religiosamente neutras, que podem ser encontradas em qualquer livro de ciências. Tomemos, por exemplo, o argumento cosmológico kalam. Minha reivindicação é que temos boa evidência científica para apoiar a premissa

2. O universo começou a existir.

Não há nada sobre esta afirmação que a tornaria incapaz de ser apoiada pela evidência científica. Se o universo começou a existir é precisamente uma daquelas perguntas que a ciência procura responder. Devemos pensar que a ciência é incapaz de devolver uma resposta afirmativa a essa pergunta? Por quê? Isso seria impor algum tipo de restrição filosófica sobre que respostas a ciência é capaz de dar a esta questão.

Da mesma forma, a segunda premissa do argumento teleológico do ajuste fino preciso (ajuste preciso/ sintonia fina) é uma declaração religiosamente neutra, à qual as evidências científicas podem, em princípio, dar uma resposta:

2. O ajuste fino não se deve a uma necessidade física ou ao acaso.

Richard Dawkins, seguindo Sir Martin Rees, rejeita a hipótese de necessidade física como uma explicação científica plausível para o ajuste fino, e Roger Penrose rejeita da mesma forma o acaso como uma explicação razoável. Nenhum destes não-teístas apela para bases teológicas para rejeitar estas opções; suas razões são estritamente científicas. Então devemos dizer que eles não podem estar corretos, que a ciência não pode responder a um veredito negativo sobre essas hipóteses? Por quê? Estas são afirmações estritamente científicas que devem estar abertas a apoio pela evidência empírica.

Agora, é claro, o naturalista pode alegar que a evidência científica de fato não apoia a qualquer uma destas duas premissas. Mas aí você o tem exatamente onde você o quer, a saber: uma discussão sobre quão boa é a evidência para estas duas declarações! Isso é exatamente o que queremos discutir.

Agora deveria ir sem dizer que a evidência científica é, pela própria natureza do caso, sempre provisória e aberta à revisão. Mas isso não é responsabilidade especial das declarações científicas que constituem estas duas premissas. A questão será sempre o que a nossa melhor evidência indica ser verdade? Por exemplo, a evidência da cosmologia contemporânea é mais provável dado o início do universo, ou mais provável dado um universo sem começo?

Observe, também, que seria hipocrisia exigir evidências para estas duas premissas, que é superior ao que se supõe constituir um suporte adequado para a aceitação de outras hipóteses científicas. Se alguém é racional em aceitar a teoria neo-darwinista da evolução biológica por mutação aleatória e seleção natural, por exemplo, então por que não é igualmente racional aceitar que o universo começou a existir?

Note, por fim, que alguns dos argumentos teístas são filosóficos, por exemplo, o argumento moral e o argumento ontológico, ou tem premissas que são apoiadas, não apenas cientificamente, mas filosoficamente, e são, portanto, imunes à objeção baseada na ignorância científica.

- William Lane Craig