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#222 Argumento Moral a favor de Deus

October 28, 2014
Q

Caro Dr. Craig,

Eu penso que você foi muito bem em seu debate com Sam Harris recentemente. Não somente você "derrubou" seus argumentos, mas ele se derrubou, fingindo que você nem estava no palco com ele!

No entanto, algo está me incomodando sobre a sua Teoria do Mandamento Divino. Assume a forma de duas perguntas, uma simples e outra mais complexa:

1) Pergunta simples: Se o cristianismo fosse provado falso e o Islã verdadeiro, você simplesmente largaria as suas convicções morais atuais e adotaria os do Islã porque você percebeu que "tinha o Deus errado"? Não haveria uma parte de você que poderia se rebelar contra Alá (Allah), quando você se confronta com determinadas situações a respeito dos juízos sobre o bem-estar da criatura?

2) Pergunta mais difícil: você diz que Deus é o Bem ou que a Bondade flui da natureza de Deus. Isto deveria dividir os chifres do dilema de Eutífron: que Deus não está em conformidade com os padrões externos de moralidade, mas ele também não os decide subjetivamente por capricho.

Argumento Moral a favor de Deus--É identificar o "Bem", como a natureza de Deus simplesmente empurra o problema Eutífron um passo para trás?

No entanto, eu realmente estou preocupado com o pensamento de que isso só parece empurrar o problema para trás um ponto, porque podemos então perguntar:

Bondade é "bom" porque ela é encontra na natureza de Deus, ou Deus é "bom" porque sua natureza corresponde necessariamente ao bom?

Ou, vamos colocá-lo como declarações condicionais para escolher:

A) Se (X) pode ser encontrada na natureza de Deus, então (X) é bom.

ou:

B) Se (X) é bom, então (X) pode ser encontrada na natureza de Deus.

Estas escolhas de contenção, "A" e "B" parecem abrir diferentes possibilidades quando se trata de lógica modal:

Considere "A", como algo que, por acaso está na natureza de Deus, então devemos chamá-lo de "bom". O problema é que podemos conceber diferentes mundos possíveis onde as coisas que Deus valoriza são completamente diferentes e possuem uma natureza moral diferente. Poderíamos imaginar um mundo onde, francamente, o questionador que reivindicou que sexo homossexual era bom ... está correto! Ou, como a minha primeira pergunta, poderíamos imaginar um Deus de natureza islâmica, ou um que diz que "o estupro está certo."

A este respeito, podemos imaginar que há muitas diferentes moralidades possíveis que Deus poderia possuir, como se fossem cartas em um pacote, e a nós foi "dada" uma carta especial "moral". Os valores morais de Deus poderiam ter sido um "Rei de Diamante" em comparação com o "Ace de Espada" ou o "Seis de Coração" (para fazer uma analogia) e acontece que vivemos em um mundo onde o nosso Deus tem a natureza do "3 de diamante".

Se adotarmos "A", então nós simplesmente temos que dizer, não importa qual mundo possível em que nos encontramos, o simples fato de que os valores morais de Deus são de certa forma, significa que eles são "O Bom". Estaríamos dizendo isso de Deus não importa qual natureza moral na verdade (e especificamente) ele acabasse tendo. Potencialmente, você pode até estar dizendo isso dependendo da sua resposta à primeira pergunta?

Portanto, como podemos garantir que algo é realmente "bom" se é inteiramente contingente a nosso "acordar" em um mundo possível, onde a natureza de Deus oscila de uma forma, e não de outra?

Quanto a "B", isso implicaria que a "Bondade" é auto-existente, independente de Deus, e que a natureza moral de Deus não pode variar, porque ela é necessariamente "trancada" em refletir essas verdades externas necessárias.

Assim, se adotarmos "B", não temos o problema da natureza moral de Deus sendo livre para variar - e nós meramente chamando-a "bom" porque essa é a maneira como as coisas são neste mundo. Nós acabaríamos com um Deus cuja natureza moral é necessariamente fixa de uma determinada maneira.

O problema é que isso é simplesmente porque a sua natureza corresponde a uma norma que não necessita dele, em primeiro lugar ... e talvez algum tipo de "ciência" (melhor do que a de Sam Harris, é claro) poderia descobrir isso? Ou seja, o argumento de Eutífron teria sucesso em mostrar que o bom é independente de Deus.

Espero que isso tenha feito sentido. É um quebra-cabeças, e atualmente me impede de adotar um modelo TCD.

Muito obrigado novamente por seu brilhante trabalho, Dr. Craig!

Peter

United Kingdom

Dr. Craig responde


A

Argumento Moral a favor de Deus

Bom ouvir de você, Peter! Estou ansioso para conhecê-lo em outubro durante a nossa visita ao Reino Unido.

Vamos lidar primeiro com a pergunta simples. "Se o cristianismo fosse provado falso, e o Islã verdadeiro, você simplesmente largaria as suas convicções morais atuais e adotaria os do Islã porque você percebeu que 'tinha o Deus errado'?” Essa pergunta, eu acho, está mal fraseada. A pergunta importante não é o que eu faria nas circunstâncias imaginadas, mas o que eu deveria fazer. O que eu faria é um fato autobiográfico sobre a minha psicologia pessoal, que é de pouco interesse filosófico. Além disso, seria presunçoso para eu fazer previsões sobre o que eu faria em circunstâncias diferentes (lembra-se do apóstolo Pedro na noite da traição de Jesus?). O que é de interesse é o que devo fazer, dadas as circunstâncias imaginadas. Assim colocada, a resposta da questão é clara: se o Islã fosse comprovado verdadeiro e o cristianismo falso, então o Islã seria verdade, e, é claro que eu deveria acreditar nele. A mesma resposta se apresentaria para o ateu: se o ateísmo fosse provado falso e o Islã verdadeiro, então você deveria obedecer aos mandamentos de Allah? Claro que sim, pois então o Islã é a verdade, e você realmente tem essas obrigações morais, por mais difícil que possa ser para você digeri-las.

Vamos , então, para a segunda pergunta: “A Bondade é 'boa' porque ela é encontrada na natureza de Deus, ou Deus é 'bom' porque sua natureza corresponde necessariamente ao bom?" Mais uma vez, eu acho que a formulação da pergunta pode ser melhorada, selecionando certas qualidades como a compaixão, a justiça, a generosidade, e assim por diante, e perguntando: "Estas qualidades são boas porque elas são encontradas na natureza de Deus, ou elas são boas de forma totalmente independente de Deus?" A resposta a essa pergunta é óbvia: a visão teísta é que essas qualidades são boas porque eles são encontradas na natureza de Deus. A alternativa (que Deus é bom porque a sua natureza corresponde ao Bom) é apenas platonismo tudo de novo, que nós já rejeitamos (veja a minha crítica em três vertentes do Platonismo).

Então, qual é o problema para o teísta clássico?

A objeção é que podemos conceber diferentes mundos possíveis em que o caráter moral de Deus é diferente. Mas, Peter, este não é o modelo que eu defendo! Na maioria das Teorias do Comando Divino, Deus possui Suas qualidades morais essencialmente (na verdade, isso é apenas o que significa dizer que elas são parte de Sua natureza!). Portanto, não há um mundo possível em que Deus não é bom, imparcial, gracioso, amoroso, e assim por diante. Então, eu não acho que é possível que Allah seja Deus, pois Allah não é todo-amoroso e imparcial.

Argumento Moral a favor de Deus - As qualidades morais de Deus são uma

parte essencial de Sua natureza

Sua analogia do baralho de cartas pressupõe que as qualidades morais de Deus são propriedades contingentes de Deus. Mas o teísmo clássico mantém que essas propriedades são essenciais para Deus. Por isso, é fundamentalmente equivocado dizer que as qualidades morais de Deus "só acontecem de uma certa maneira."

Vamos pensar um minuto também sobre a alternativa B. Por que pensar que o conteúdo do Bom é o mesmo em todos os mundos possíveis? E nos mundos em que o Bom compreende diferentes propriedades morais? E por que achar que Deus é necessariamente trancado em refletir o Bom? Por que, nesta visão, não poderia também ser contingente que Deus é bom? Acho que você justamente diria que não existem tais mundos. O conteúdo do Bom é essencial a isso, e Deus é necessariamente bom, então Ele não poderia ter deixado de refletir o Bom. Eu concordo; mas então por que não há uma resposta similar disponível para o teísta clássico? A única diferença entre o platônico e o teísta clássico a este respeito é que o teísta identifica o Bom com o próprio Deus. Assim como o Bom não poderia ter sido diferente, assim Deus não poderia ter sido diferente.

Eu acho que onde esta objeção está realmente chegando, é na alegação de que é, de alguma forma, arbitrário adotar a natureza de Deus como o Bom. Mas toda a teoria realista moral tem que ter um ponto de parada explicativo em que se atinge o bom supremo. Qualquer um que aborda a teoria moral tem o direito de identificar o que ele quer como seu último ponto de parada explicativo. A pergunta, então, será: o final explicativo posta por alguma teoria moral é plausível? No caso do teísmo, tendo Deus como o explicativo final de alguém é, penso eu, eminentemente plausível. Pois o próprio conceito de Deus é o conceito de um ser necessário, metafisicamente final, e que é, além disso, digno de adoração. Na verdade, Ele é o maior ser concebível, e é o melhor ser Bom, que meramente refleti-lo. Então, o ponto de parada do teísta, em contraste com, digamos, o do humanista, não é nem um pouco arbitrário ou prematuro.

- William Lane Craig