#105 Ateísmo: Uma Filosofia sem Esperança?
January 14, 2015Olá Dr. Craig,
Li seu artigo “Deus Existe?” e nele você afirma:
“Se Deus não existe, então nós devemos em última instância viver sem esperança. Se não há Deus, então em última instância não há esperança de libertação das deficiências de nossas existência finita.”
Eu simplesmente preciso descordar disso. Eu acho que como um ateu alguém pode certamente viver com uma tremenda esperança. Quero dizer que se não há Deus, em última instância, não existe ninguém para dar satisfação. Nenhum medo de estar diante de um Deus justo e santo para dar conta da sua vida. Alguém pode vier a vida de sua escolha como resultado disso, sem medo de retribuição. Esta é a esperança para o ateu.
Você pode refutar esse tipo de esperança?
Obrigado,
Bill
United States
Dr. Craig responde
A
Bem, Bill, a sua é com certeza uma defesa curiosa para a defesa do ateu: a esperança de escapar o julgamento de Deus! Devo conceder que o ateu pode (na verdade deve) ter esperança de que ele não irá cair nas mãos do Deus vivo (Heb 10:31)!
Mas isso não nega na verdade o que eu disse. Eu identifiquei sentidos específicos em que o ateísmo é uma filosofia sem esperança:
2. Se Deus não existe, então em última instância, nós devemos viver sem esperança. Se não há Deus, então, em última instância, não há esperança de libertação das deficiências de nossa existência finita.
Por exemplo, não há esperança de libertação do mal. Apesar de muitas pessoas perguntarem como Deus poderia criar um mundo envolvendo tanto mal, de longe a maior parte do sofrimento no mundo é devida a própria desumanidade do homem para com o homem. O horror de duas guerras mundiais durante o último século efetivamente destruíram o otimismo ingênuo sobre o progresso humano do século 19. Se Deus não existe, então estamos presos sem esperança em um mundo cheio de sofrimento sem propósito e sem redenção, e não há esperança para a libertação do mal.
Ou novamente, se não há Deus, não há esperança de libertação do envelhecimento, doenças e morte. Apesar de ser difícil para vocês como estudantes universitários contemplarem, o fato certo de que a menos que você morra jovem, algum dia você - você mesmo - será um homem velho ou uma mulher velha, lutando uma batalha sem vitória contra o envelhecimento, lutando contra o inevitável avanço de deterioração, doença e talvez senilidade. E final e inevitavelmente você morrerá. Não há vida além do túmulo. Ateísmo é portanto uma filosofia sem esperança.
Note que eu estou falando sobre as deficiências de nossa existência finita. Eu identifico duas em particular: (i) o mal e (ii) envelhecimento, doença e morte. Parece-me que o ateísmo é sem esperança nesses assuntos. Em uma famosa citação, o filósofo ateu Bertrand Russell lamentou,
Que o homem é o produto de causas que não tinham previsão do fim que estavam atingindo; que sua origem, seu crescimento, suas esperanças e temores, seus amores e suas crenças, nada mais são que o resultado de colocações acidentais de átomos; que nenhum fogo, heroísmo, intensidade de raciocínio e sentimento pode preservar a vida de um indivíduo além do túmulo; que todos os trabalhos das eras, toda a devoção, toda a inspiração, todo o brilho do gênio humano, estão destinados à extinção na vasta morte do sistema solar, e que o templo das realizações do homem deve inevitavelmente ser enterrado por baixo dos escombros do universo em ruínas – todas essas coisas, se não além de disputa, são tão certas, que nenhuma filosofia que as rejeita pode ter esperança de permanecer. Somente dentro do cadafalso dessas verdades, somente sobre o firme alicerce do desespero obstinado a habitação da alma pode ser construída com segurança. [1]
Sartre, Camus, e muitos outros ateus tem eloquentemente expressado o desespero para o qual o ateísmo leva. Nesse sentido o ateísmo é desesperançoso.
Ironicamente, o cristianismo, por contraste, não somente provê esperança de libertação do mal e do envelhecimento, doença e morte, mas também supre a esperança com o que você mesmo estima: libertação das mãos de um Deus justo e santo. Este foi o grande insight de Martin Luther. A mesma justiça de Deus que moldou sua condenação como um pecador longe de Cristo, tornou-se uma fonte de salvação para ele como alguém que pela fé é unido com Cristo. Pois quando você confia em Cristo como seu Salvador e Senhor, Deus considera você com a justiça de Cristo. “Portanto agora não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Rom. 8.1).
Portanto qualquer esperança que o ateu poderia entreter é aproveitada muitas vezes mais pelo Cristão, pois nós temos, não o mero escape do julgamento, mas salvação positiva. Você pode dizer que cristãos portanto desistem de ser capaz de agir com impunidade, como os ateus podem. De fato; mas, Bill, eu não iria querer agir desta forma! Quando você vai a Cristo, Deus muda seus desejos para que você queira viver uma vida justa e sem culpa. A Bíblia diz que o fruto do Espírito de Deus enchendo sua vida é amor, alegria, paz, bondade, generosidade, fidelidade, gentileza e auto-controle (Gálatas 5:22). Pense sobre esta lista de virtudes pessoais. Não é esta a pessoa que você gostaria de ser?
Um ponto final: você descreveu a esperança do ateu. Quão firme é esta esperança? Quão bem fundada ela é? A maioria dos ateus com quem eu conversei admitem que o ateísmo não pode ser provado; na verdade, muitos insistem nisso. Mas então como eu posso saber que o ateísmo é verdade? A esperança cristã é firmemente fundada, não somente no testemunho do Espírito Santo, mas nos argumentos da teologia natural e a exidência para Jesus e sua ressurreição. Mas a esperança do ateu é, por sua própria confissão, sem um fundamento forte. Então o que acontece se sua esperança é sem fundamento? E se você estiver errado?
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[1]
Bertrand Russell, “A Free Man’s Worship”, em Basic Writings of Bertram Russell, editado por Robert E. Egner e Lester E. Denonn, 1961, p. 67.
Bertrand Russell, “A Free Man’s Worship”, em Basic Writings of Bertram Russell, editado por Robert E. Egner e Lester E. Denonn, 1961, p. 67.
- William Lane Craig