#366 Bases para o Ceticismo quanto ao Sepultamento de Jesus e a Tumba Vazia
May 16, 2015Dr. Craig,
Em seus debates sobre a ressurreição, você muitas vezes apresenta quatro fatos que a maioria dos estudiosos do Novo Testamento apoiam, ou seja, o enterro honroso, a descoberta do sepulcro vazio por mulheres, as aparições post-mortem (pós-ressurreição), e a crença genuína dos discípulos na ressurreição. Enquanto a maioria dos estudiosos apoia esses fatos, a minha pergunta tem a ver com a minoria que discorda. Por exemplo, John Dominic Crossan afirmou que Jesus foi enterrado em uma cova rasa, onde seu corpo foi comido por cães selvagens. A minha pergunta é a seguinte: a partir de que fontes os estudiosos que discordam com os quatro fatos expostos acima tiram as suas conclusões? Da maneira que eu entendo, existem pouquíssimas fontes extra-bíblicas que abordam a ressurreição, e nenhuma que contradiz os quatro fatos expostos acima. E os evangelhos canônicos deixam muito claro que os quatro fatos são realmente o que aconteceu. Então, com que bases estes estudiosos dissidentes disputam os quatro fatos dito acima?
Obrigado.
Jake
Estados Unidos
United States
Dr. Craig responde
A
Lembro-me bem, Jake, do meu espanto quando li pela primeira vez que Crossan acreditava que o corpo de Jesus não foi devidamente enterrado, como os evangelhos descrevem, mas jogado em uma cova rasa, onde foi provavelmente desenterrado e comido por cães selvagens. Depois de já ter concluído o meu trabalho de doutorado na Alemanha sobre a historicidade da ressurreição de Jesus, eu estava bem ciente de que a grande maioria dos historiadores do Novo Testamento acham as provas para o enterro de Jesus em uma tumba por José de Arimatéia convincentes. [1] Então eu me perguntei, que evidências Crossan tem para pensar que a maioria dos estudiosos estão errados sobre isso? Como é que ele refuta as múltiplas linhas de evidência que convenceram a maioria dos estudiosos do fato do sepultamento de Jesus por José de Arimatéia? Que evidências ele descobriu que nos levariam a pensar que o corpo de Jesus foi em vez disso despachado como ele imagina?
Bem, você pode imaginar a minha decepção quando descobri, ao ler a sua obra, que Crossan não apresenta nenhuma evidência específica, muito menos evidência convincente, para sua hipótese sobre o destino do cadáver de Jesus. Em vez disso, o cenário acima representa apenas seu palpite sobre o que aconteceu com o corpo de Jesus, com base no que ele acredita ser procedimentos normais de enterro. [2] Já que não aceita a historicidade da descoberta do túmulo vazio (para não falar da ressurreição), Crossan, trabalhando de trás pra frente, percebe que ele tem que negar a historicidade do relato do enterro também. Porque se o relato do enterro é correto, o lugar (ou local) da sepultura de Jesus era conhecido em Jerusalém tanto para judeus quanto para cristãos, o que faria um movimento fundado sobre a crença na ressurreição de um homem morto impossível em Jerusalém em face de um túmulo contendo seu cadáver. Então Crossan é forçado a negar um fato que é aceito pela grande maioria dos estudiosos do Novo Testamento hoje.
Crossan supõe que o corpo de Jesus foi colocado em um cemitério de terra normalmente reservado para criminosos executados; mas ele não oferece nenhuma evidência específica para esta suposição. [3] Em vez disso, ele procura minar a credibilidade dos relatos dos evangelhos do sepultamento e ressurreição de Jesus por meio de uma análise geral dos textos e tradições dos evangelhos. Infelizmente, sua análise tradição-histórica é tão bizarra e tão artificial que a esmagadora maioria dos críticos do Novo Testamento acha que ela é totalmente implausível. [4] Veja a minha crítica da análise de Crossan. [5]
O que está realmente dirigindo o ceticismo de Crossan não são as considerações históricas, mas as filosóficas, ou seja, o anti-sobrenaturalismo de Crossan. Como emerge sob interrogatório no meu debate com ele sobre a ressurreição de Jesus, Crossan é, de fato, um ateu que pensa que Deus é apenas uma construção da imaginação humana que os crentes impõe sobre a realidade. [6] Portanto, um evento sobrenatural como a ressurreição é a priori impossível, independentemente da evidência.
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[1]
Eu apresento as evidências que tem convencido a maioria dos eruditos da historicidade do sepultamento de Jesus em Reasonable Faith, 3ª ed. (Wheaton, Ill.: Crossway, 2008), pp. 361-71. Veja também neste site
Eu apresento as evidências que tem convencido a maioria dos eruditos da historicidade do sepultamento de Jesus em Reasonable Faith, 3ª ed. (Wheaton, Ill.: Crossway, 2008), pp. 361-71. Veja também neste site
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[2]
John Dominic Crossan, Quem Matou Jesus?- As Raízes do Anti-semitismo na Historia Evangélica da Morte de Jesus (Editora: Imago, 1995), cap. 6; idem; O Jesus Histórico—A Vida de um Camponês Judeu do Mediterrâneo (Editora: Imago, 1994); idem, The Cross that Spoke: The Origins of the Passion Narrative [A cruz que falou: As origens da narrativa da paixão], (San Francisco: Harper & Row, 1988), pp. 21, 235-240; idem, Four Other Gospels [Outros Quatro Gospels: Sombras nos Contornos de Canon] (Minneapolis: Winston, 1985), pp. 153-164.
John Dominic Crossan, Quem Matou Jesus?- As Raízes do Anti-semitismo na Historia Evangélica da Morte de Jesus (Editora: Imago, 1995), cap. 6; idem; O Jesus Histórico—A Vida de um Camponês Judeu do Mediterrâneo (Editora: Imago, 1994); idem, The Cross that Spoke: The Origins of the Passion Narrative [A cruz que falou: As origens da narrativa da paixão], (San Francisco: Harper & Row, 1988), pp. 21, 235-240; idem, Four Other Gospels [Outros Quatro Gospels: Sombras nos Contornos de Canon] (Minneapolis: Winston, 1985), pp. 153-164.
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[3]
Na verdade, Crossan parece ter seriamente entendido mal os costumes funerários normais em Israel. No judaísmo, os cadáveres eram considerados impuros e iriam contaminar qualquer coisa com que eles entrassem em contato. Seria impensável, então, que as autoridades judaicas permitissem que os cadáveres fossem enterrados de tal forma que fossem desenterrados por cães, os quais poderiam, então, correr pelas ruas da cidade santa de Jerusalém levando ossos humanos! Na verdade, pode muito bem ter sido o caso que até mesmo os corpos de criminosos executados tenham sido colocados em tumbas comuns com os restos de outros criminosos para que não contaminassem nenhuma outra coisa.
Na verdade, Crossan parece ter seriamente entendido mal os costumes funerários normais em Israel. No judaísmo, os cadáveres eram considerados impuros e iriam contaminar qualquer coisa com que eles entrassem em contato. Seria impensável, então, que as autoridades judaicas permitissem que os cadáveres fossem enterrados de tal forma que fossem desenterrados por cães, os quais poderiam, então, correr pelas ruas da cidade santa de Jerusalém levando ossos humanos! Na verdade, pode muito bem ter sido o caso que até mesmo os corpos de criminosos executados tenham sido colocados em tumbas comuns com os restos de outros criminosos para que não contaminassem nenhuma outra coisa.
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[4]
Em uma crítica severa Howard Clark Kee elogia o procedimento de Crossan como "um triunfo do raciocínio circular" (Kee, " A Century of Quests of the Culturally Compatible Jesus," Theology Today, 52 [1995]: 22; cf. p 24.). Um pouco mais caridosamente, N.T. Wright diz que Historical Jesus [O Jesus Histórico] de Crossan "é um livro para se apreciar por sua aprendizagem, sua detalhismo, sua maneira de lidar brilhante com múltiplas e complexas questões, sua inventividade incrível, e acima de tudo, sua enorme capacidade de leitura [...] É ainda mais frustrante, portanto, ter que concluir que o livro é quase totalmente errado "(Wright, Jesus and the Victory of God [Jesus e a Vitória de Deus] [Minneapolis: Fortress, 1996], p 44)”. Da mesma forma, Ben Meyer elogia o livro por sua legibilidade, ritmo rápido e informações úteis, mas conclui: "Como uma pesquisa do Jesus histórico, é irrecuperável" (Meyer, crítica do The Historical Jesus [O Jesus Histórico], Catholic Biblical Quarterly 55 [1993], p. 576).
Em uma crítica severa Howard Clark Kee elogia o procedimento de Crossan como "um triunfo do raciocínio circular" (Kee, " A Century of Quests of the Culturally Compatible Jesus," Theology Today, 52 [1995]: 22; cf. p 24.). Um pouco mais caridosamente, N.T. Wright diz que Historical Jesus [O Jesus Histórico] de Crossan "é um livro para se apreciar por sua aprendizagem, sua detalhismo, sua maneira de lidar brilhante com múltiplas e complexas questões, sua inventividade incrível, e acima de tudo, sua enorme capacidade de leitura [...] É ainda mais frustrante, portanto, ter que concluir que o livro é quase totalmente errado "(Wright, Jesus and the Victory of God [Jesus e a Vitória de Deus] [Minneapolis: Fortress, 1996], p 44)”. Da mesma forma, Ben Meyer elogia o livro por sua legibilidade, ritmo rápido e informações úteis, mas conclui: "Como uma pesquisa do Jesus histórico, é irrecuperável" (Meyer, crítica do The Historical Jesus [O Jesus Histórico], Catholic Biblical Quarterly 55 [1993], p. 576).
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[5]
“John Dominic Crossan on the Resurrection of Jesus” [John Dominic Crossan sobre a Ressurreição de Jesus] em The Resurrection, ed. S. Davis, D. Kendall, e G. O’Collins (Oxford: Oxford University Press, 1997), pp. 249-271.
“John Dominic Crossan on the Resurrection of Jesus” [John Dominic Crossan sobre a Ressurreição de Jesus] em The Resurrection, ed. S. Davis, D. Kendall, e G. O’Collins (Oxford: Oxford University Press, 1997), pp. 249-271.
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[6]
O Verdadeiro Jesus Queira, Por Favor, Ficar de Pé! Com John Dominic Crossan. Ed. Paul Copan com respostas por Robert Miller, Craig Blomberg, Marcus Borg, e Ben Witherington III (Grand Rapids, Mich.: Baker Bookhouse, 1998), pp. 49-51.
O Verdadeiro Jesus Queira, Por Favor, Ficar de Pé! Com John Dominic Crossan. Ed. Paul Copan com respostas por Robert Miller, Craig Blomberg, Marcus Borg, e Ben Witherington III (Grand Rapids, Mich.: Baker Bookhouse, 1998), pp. 49-51.
- William Lane Craig