#91 Crítica do Dawkins ao Argumento Ontológico
August 03, 2014Saudações, Dr. Craig, meu coração e minha mente sentem-se abençoados e realizados através da sua apresentação do caráter de Deus. Sou fã do argumento ontológico para a existência de Deus (assustador, eu sei). No livro de Richard Dawkins, “Deus, um delírio,” ele faz referências à 'prova' de Douglas Gasking's que Deus não existe, que é assim:
1. A criação do mundo é a conquista mais maravilhosa imaginável.
2. O mérito de uma conquista é o produto de (a) sua qualidade intrínseca e, (b) a habilidade de seu criador.
3. Quanto maior a inabilidade (ou desvantagem) do criador, mais impressionante é a conquista.
4. A desvantagem mais formidável para um criador seria sua não-existência.
5. Portanto, se supormos que o universo é o produto de um criador existente, nós podemos conceber um ser maior, isto é, um que criou tudo enquanto não existindo.
6. Um Deus existente, portanto, não seria um ser que é a maior coisa que a mente humana pode conceber, porque um criador mais formidável e incrível seria um Deus que não existisse.
7. Portanto, Deus não existe.
Você já refutou esta formação ou a encontrou em algum lugar? Quais são suas ideias sobre essa formação? Obrigado!
Jeff
United States
Dr. Craig responde
A
Preciso confessar que eu nunca havia encontrado este argumento até eu ler Deus, um Delírio. A razão para sua obscuridade não é difícil de achar: é tão mal feita que até mesmo detratores do argumento ontológico, que entendem o argumento, iriam concordar que esta objeção não é boa. Para entender porquê, vamos rever o argumento ontológico.
A versão abaixo vem de Alvin Plantinga, um dos melhores filósofos americanos. É formulada em termos de semântica de mundos possíveis. Para aqueles que não estão familiarizados com a terminologia de mundos possíveis, deixe-me explicar que por “um mundo possível”, alguém não está querendo dizer um planeta ou até mesmo um universo, mas, sim, uma descrição completa da realidade, ou como poderia ser uma realidade. Dizer que Deus existe em um mundo possível é simplesmente dizer que existe uma descrição possível da realidade que inclui a afirmação “Deus existe” como parte dessa descrição.
Agora, em sua versão do argumento, Plantinga concebe Deus como um ser que é “maximamente excelente” em todos os mundos possíveis. Plantinga leva excelência máxima como incluindo tais propriedades como onisciência, onipotência, e perfeição moral. Um ser que tem excelência máxima em todos os mundos possíveis teria o que Plantinga chama de “grandeza máxima.” Então argumenta:
1. É possível que um ser de excelência máxima exista.
2. Se é possível que um ser de excelência máxima exista, então um ser de excelência máxima existe em alguns mundos possíveis.
3. Se um ser de excelência máxima existe em alguns mundos possíveis, então ele existe em todos os mundos possíveis.
4. Se um ser de excelência máxima existe em todos os mundos possíveis, então ele existe no mundo real.
5. Se um ser de excelência máxima existe no mundo real, então um ser de excelência máxima existe.
6. Portanto, um ser de excelência máxima existe.
As premissas (2)-(5) desse argumento são relativamente sem controvérsias. A maioria dos filósofos concordaria que se a existência de Deus é sequer possível, então Ele deve existir. O assunto principal a ser resolvido com respeito ao argumento ontológico de Plantinga é qual a justificativa para acreditar na veracidade da premissa chave “É possível que um ser de excelência máxima exista”.
A ideia de um ser de excelência máxima é uma ideia intuitivamente coerente, e então parece plausível que tal ser poderia existir. A fim de o argumento ontológico falhar, o conceito de um ser de excelência máxima deve ser incoerente, como o conceito de um solteiro casado. Mas o conceito de um ser de excelência máxima não parece nem um pouco incoerente. Isso provê uma justificativa prima facie para pensar que um ser de excelência máxima existe.
Em seu livro, Dawkins devota seis páginas inteiras, transbordando de ridicularização e injúria, ao argumento ontológico, sem levantar qualquer objeção séria ao argumento. (Ele nota de relance a objeção de Immanuel Kant que existência não é uma perfeição; mas já que o argumento de Plantinga não pressupõe que seja, podemos deixar esta irrelevância de lado.) Ele então cita a paródia do argumento que você menciona acima, que é projetada para mostrar que Deus não existe porque um Deus “que criou tudo enquanto não existindo” é maior do que um que existe e criou tudo.
Ironicamente, esta paródia, longe de enfraquecer o argumento ontológico, na verdade o reforça! Pois um ser que cria tudo enquanto não existindo é uma incoerência lógica e é, portanto, impossível: não existe um mundo possível que inclui um ser não-existente que cria o mundo. Se o ateu quiser defender - como ele deve - que a existência de Deus é impossível, o conceito de Deus teria de ser da mesma forma incoerente. Mas parece que não é. Isso dá suporte para a plausibilidade da premissa (1) do argumento de Plantinga.
Eu acho que você pode ver que Dawkins nem mesmo entende a lógica do argumento ontológico, que vai da possibilidade lógica da existência de Deus para sua própria realidade. A paródia do argumento que vai de uma impossibilidade lógica para a realidade não é um paralelo para o argumento.
Dawkins se ri, “Eu esqueci dos detalhes, mas uma vez eu irritei uma reunião de teólogos e filósofos ao adaptar o argumento ontológico para provar que porcos podem voar. Eles sentiram a necessidade de recorrer à Lógica Modal para provar que eu estava errado” (Deus, um delírio, p. 84). Isto é realmente vergonhoso. O argumento ontológico é um exercício da lógica modal - a lógica do possível e do necessário. Consigo apenas imaginar Dawkins fazendo um transtorno nessa conferência profissional com sua paródia espúria, da mesma forma em que ele passou vergonha na conferência da Fundação Templeton, em Cambridge, onde ele descreve para filósofos e teólogos, que o estavam confrontando, sua objeção fraca para o argumento teleológico!
Se você está interessado em mais respostas às críticas de Dawkins aos argumentos teístas, dê uma olhada no meu novo livro com Chad Meister God Is Great, God Is Good [Deus é grande, Deus é Bom], a ser publicado esse ano pela InterVarsity Press.
- William Lane Craig