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#673 Deus” é nome próprio?

July 17, 2020
Q

Caro Dr. Craig,

Tenho uma pergunta muito simples: “Deus” é nome próprio que usamos para Deus, como se fosse seu primeiro nome? A princípio, pode até parecer uma pergunta tola, mas acho que, quando se pensa nela com profundidade, ela realmente traz graves problemas metafísicos, em especial caso se rejeite o teísmo clássico (simplicidade, atemporalidade, asseidade etc.). Por grande parte da história, teólogos cristãos disseram que “Deus” não é nome próprio e dá apenas uma aproximação do que seja a natureza divina, a saber, a realidade última. Parece-me, no entanto, que, caso alguém creia que Deus é uma pessoa, como o senhor o faz, “Deus” teria de ser algo como o primeiro nome de Deus, o que me é uma ideia muito estranha.

Anthony

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Existe uma discussão surpreendente de boa de sua pergunta no livro Logic and Theism [Lógica e teísmo], capítulo 1, do filósofo ateu Howard Sobel. Conforme explicou Sobel, a palavra “Deus” funciona tanto como nome próprio quanto como nome comum. Costuma-se distinguir os dois usos pela presença ou ausência de um artigo definido/indefinido antes da palavra. Assim, quando dizemos: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito”, usamos a palavra “Deus” como nome próprio. Porém, quando dizemos: “Existe um Deus” ou “Adoramos o Deus de Israel”, usamos “Deus” como nome comum.

Parece-me que, no caso, não há “problemas metafísicos” à espreita. Discordo que os teólogos cristãos tenham dito que “Deus” não é nome próprio. Muito pelo contrário: é o uso de “Deus” como substantivo comum que é relativamente frequente. Quando usado como substantivo comum, “Deus” pode ser ambíguo. Quais propriedades constituem o conceito genérico de um Deus? Em alguns contextos, ser o criador e arquiteto transcendente do universo pode ser a intenção por trás de “Deus”. Em ainda outros contextos, ainda mais propriedades podem ser acrescentadas a uma entidade para que ela seja contada como Deus. Não vejo aí nenhuma relevância metafísica; precisamos simplesmente esclarecer, em determinado contexto, o que queremos dizer com a palavra.

Penso que o uso de “Deus” como substantivo comum quase sempre implica que Deus é pessoal. É o que queremos dizer com “um Deus”. No entanto, nomes próprios podem ser dados a entidades impessoais, tanto quanto a pessoais — por exemplo, Monte Rushmore, Titanic, Rota 66. O motivo por que a maioria das pessoas pensa que, ao usar “Deus” como substantivo próprio, Deus é pessoal, ocorre porque já pensam que a entidade referida por aquele termo é pessoal.

- William Lane Craig