#128 Fé Cristã
September 25, 2014A fé cristã é logicamente incoerente? Como um Deus infinito pode ser descrito usando linguagem finita? Dr. Craig tira um momento para responder algumas perguntas importante que confundem um questionador não-cristão a respeito da natureza de Deus e o propósito da vida. Ele também explica que limitar as crenças de alguém apenas para aquilo que experimentamos resulta em um ceticismo auto-refutável, fazendo com que seja uma posição menos racional de se defender do que a crença na fé cristã.
Olá Sr. Craig,
Ainda estou lutando com esta visão cristã porque parece-me logicamente incoerente. Porém você acredita diferente. Aqui estão algumas ideias que eu não consigo compreender.
Deus deveria ser infinito, mas se ele é, então como ele pode ser descrito em termos finitos tais como amoroso, importando-se ou até mesmo um “Ele”?
Você também argumenta que do nada, nada surge. Apesar de eu pensar que este é um bom argumento para a criação de Deus do universo, eu não consigo usá-lo como uma explicação lógica para minha própria existência ciente e alma. Eu não lembro quando eu não existia, então isso significa que eu sempre existi? Ou eu tenho um começo finito e um fim finito? Ou eu tenho um começo finito e nenhum fim?
Eu também fico perdido quando o assunto é o nosso propósito de vida. Eu concordo com você que se não existe deus, não existem valores morais objetivos, e assim absolutamente nenhum sentido na vida. Niilismo e ateísmo andam de mãos dadas para mim. A afirmação cristão que diz que a razão para nossa existência é amar e servir o Senhor fariam sentido para mim se eu entendesse porque nós somos seres necessários. Já que deus é infinito, porque ele teria uma necessidade ou até mesmo uma vontade de produzir seres finitos?
Eu irei conceder que eu penso que todos tem sua própria fé de quase qualquer coisa, incluindo religião, história, matemática, e as ciências. Pessoas fazem julgamentos da história, baseados em seu fé que a história documentada está correta. Assim, eu acho que os chamados empíricos científicos como Richard Dawkins estão em falta em suas próprias crenças ao dizer que a ciência ou história é empírica porque suas conclusões na verdade são fundamentados em elementos de fé. Na realidade, eu acho que a história documentada, a ciência, a religião, só podem ser vistos através da fé antes de existirem coisas como câmeras, fotos e vídeos; e até mesmo estes são sujeitos a falsificação ou alteração. Isso resulta em mim uma visão agnóstica; é impossível para mim ou para qualquer outra pessoa saber a verdade e afirmar que entendem ou sabem qualquer coisa além de o que está acontecendo no presente finito de cada uma de nossas experiências na primeira pessoa. Portanto eu acho que apenas o presente é empírico.
Porém, parece que nós naturalmente desobedecemos esta conclusão lógica que não parece lógica OU ilógica para mim; eu encontrei um paradoxo. Se todos tivessem esta visão extrema do agnosticismo haveria caos e nenhum progresso de coisas como ciência, história ou matemática. Porque se não podemos nem mesmo confiar em nossa própria memória, não pode haver progresso de qualquer tipo que não pode ser duvidado logicamente. Enquanto escrevo isso, sinto que estou respondendo minha própria pergunta sobre fé, e que até mesmo a fé pode ser paradoxalmente empírica. Mas eu gostaria da sua perspectiva sobre o assunto.
Espero que você possa lançar luz sobre estas ideias.
Obrigado,
Tom
United States
Dr. Craig responde
A
Eu acho que posso ajudar a lançar luz sobre estas perguntas, Tom, então fico feliz que você as fez. Depois de ler minhas respostas espero que você veja que a fé cristão não é nem um pouco incoerente mas verdadeiramente ajuda-nos a fazer mais sentido do mundo.
Primeiro, termos como “amoroso” e “importa-se” não implicam finitude. Não há razão para pensar que um ser infinito não pode ser cuidadoso ou amoroso. Talvez você esteja confundindo “infinito” como “indeterminado,” pensando que um ser infinito não pode ter propriedades específicas. Mas isso não é o que “infinito” significa neste contexto. Falar de Deus como sendo infinito simplesmente significa que Deus tem tais propriedades superlativas como necessidade, auto-existência, onipotência, onisciência, onipresença, eternidade, perfeição moral e assim por diante. Na verdade, Deus sendo moralmente perfeito resulta em Seu amor e cuidado (Pergunta #123)! Quanto a Deus sendo um “Ele,” Jesus ensinou-nos a pensar em Deus (que como um ser sem corpo não tem gênero) sob a metáfora de um Pai Celestial e, portanto, um “Ele,” porque esta metáfora transmite tanto o cuidado amoroso paterno como a autoridade paterna.
Segundo, fora qualquer evidência para reencarnação ou pré-existência da alma, não há razão para pensar que você existiu antes da sua geração. Já que você começou a existir, segue que você deve ter tido uma causa para sua vinda a existência já que, como você disse, algo não pode vir a existência do nada. Isso não precisa ter sido Deus; talvez simplesmente foi seus pais. Em uma cosmovisão naturalista você tem um começo finito e um fim finito, como você observou; você tem uma extinção inevitável. Mas a fé cristã defende que você tem um começo finito mas não tem fim: você existirá para sempre.
Em terceiro lugar, a fé cristã oferece uma visão coerente do propósito de vida. O propósito da vida em geral é, nas palavras maravilhosas do Catecismo de Westminster, de glorificar a Deus e desfrutá-Lo para sempre. Você é um ser pessoal, feito a imagem de Deus, e é em um relacionamento com o Deus pessoal que a realização da existência humana deve ser encontrada. Deus é bondade e amor infinito, e você encontrará suas mais profundas necessidades realizadas nEle. Isso não significa que nós somos, como você disse, seres necessários. Deus não precisa de nós para Sua própria realização; como o bem supremo Ele encontra isso em Si mesmo. Nós somos criados não para o benefício de Deus mas para o nosso, que nós possamos experimentar a alegria de um relacionamento pessoal com Ele. Ao no criar livremente para o nosso próprio bem, Deus é glorificado como amor doado.
Quarto, sua afirmação que alguém só pode saber “o que está acontecendo no presente finito de cada uma de nossas experiências na primeira pessoa” irá, como você parece entender, no final das contas se resumir a um ceticismo inútil e auto-refutável. De fato, reduziria a existência humana a praticamente a menor forma de vida animal, uma existência como de uma lesma que simplesmente absorve e reage sem pensar a impressões dos sentidos correntes. É a glória do homem como um ser racional que nós podemos refletir em nossa experiência e vir a conhecer o mundo em que vivemos. Simplesmente não já razão para concordar com o cético que nós não temos conhecimento do mundo. O cético deveria ser mais cético de seu ceticismo! O nervo do ceticismo é cortado assim que entendemos que o cético está pressupondo que afim de saber alguma proposição p, devemos saber que conhecemos aquele p. Não somente isso é um pedido não-plausível sobre o que é o conhecimento (que posso saber algo sem saber que eu sei) mas, pior, o cético não pode justificadamente colocar esta exigência sobre nós, já que ele, como cético, não pode afirmar que sabe que afim de saber p, alguém deve saber que conhece p! O cético portanto pressupõe conhecimento em sua negação do conhecimento. Para mais no assunto de epistemologia da religião, eu recomendo fortemente o livro de Alvin Plantinga Warranted Christian Belief [Fé Cristã Justificada].
É minha sincera esperança que estas respostas a suas perguntas trarão clareza para sua compreensão da fé cristão e lhe ajudem a dar um passo para mais perto do conhecimento de Deus através de Cristo.
- William Lane Craig