#93 Moralidade e a Existência de Deus Conexão entre os Argumentos Moral e Cosmológico
August 03, 2014O argumento moral é fraco demais para ser eficiente ou ele pode ser uma persuasão poderosa para responder à pergunta “Deus existe?” Um seguidor das aulas dos Defensores da Albânia concorda com a formulação do Dr. Craig para o argumento moral, mas pergunta se raciocínio semelhante requereria que alguém acreditasse em Deus, porque ele teria a visão de um mundo externo objetivo. Dr. Craig responde que tal argumento é de fato sólido, porém, provavelmente, não persuasivo. Argumentos são eficientes, não somente porque eles são sólidos, mas porque suas premissas são mais plausíveis do que a negação das mesmas. Portanto, enquanto o ateu pode concordar com uma moralidade objetiva, ele irá requerer algumas razões adicionais para compreender o relacionamento entre a existência de uma palavra material real e a existência de Deus.
Olá,
Meu nome é Manol. Sou da Albânia. Me formei recentemente em Medicina e Cirurgia na Universidade da Bologna, na Itália. Sou cristão, e tenho usado seus argumentos muitas vezes durante evangelismo. Também estou me preparando para ensinar outros na igreja a respeito destes argumentos.
Estou escrevendo porque tenho uma pergunta com relação ao argumento moral, e porque eu tenho uma pergunta por curiosidade.
A) PERGUNTA DO ARGUMENTO MORAL
O argumento é:
1) Se Deus não existe, então valores morais objetivos não existem
2) Valores morais objetivos existem.
3) Portanto, Deus existe.
Concordo com tudo isso. A primeira premissa parece muito óbvia para mim. E eu concordo que em nossa experiência moral nós discernimos uma esfera de verdade moral objetiva.
Mas um dia eu estava pensando a respeito, considerando o que um ateu poderia responder a este argumento, e veio a minha mente que ele poderia responder que o argumento é “simplista” demais, ou “óbvio” demais.
Deixe-me explicar o que quero dizer. Seu argumento para sustentar a premissa 2 é que da mesma forma que o mundo exterior é objetivo, valores morais são objetivos. Nossa percepção de valores morais objetivos está em harmonia com nossa percepção do mundo exterior com nossos cinco sentidos.
Mas se esse paralelismo entre valores morais e o mundo exterior é verdade, então significa que o argumento pode ser transformado em algo assim:
1) Se Deus não existe, então um mundo exterior objetivo não existe.
2) Um mundo exterior objetivo existe.
3) Portanto Deus existe.
Mas, como um argumento não parece ser muito convincente. O paralelo está correto? Se sim, então porque você não está usando este segundo argumento nos debates ou palestras? Se o segundo argumento é usado, e foi provado não ser convincente, porque o argumento moral, que é um argumento paralelo, é convincente? Ou, se você acha que o segundo argumento não é convincente, não é por quê?
B) PERGUNTA DE CURIOSIDADE
Às vezes você não pode estar presente durante a aula do “Defender's”, e você manda um vídeo com a lição gravada. Frequentemente você menciona os “estúdios clandestinos”, ou “localidade altamente secreta”. O que são estes? Eles soam muito como aqueles filmes do 007, e cada vez que ouço você falar deles, fico confuso.
Obrigado por tudo o que estás fazendo e Deus abençoe,
Manol
Albania
Dr. Craig responde
A
Moralidade e a Existência de Deus
Manol, não consigo dizer quão feliz estou em receber uma pergunta de um Cristão tão articulado e pensativo na Albânia, um país tradicionalmente Muçulmano e recentemente Marxista! Com a sua educação e óbvias capacidades linguísticas, você está bem preparado para ser poderosamente usado por Deus em sua terra natal.
Estou impressionado que em contraste com tantos que falam inglês como língua nativa, você entendeu corretamente o argumento moral que eu defendo. Você está certíssimo ao pensar que o suporte para a segunda premissa está no fato que “em nossa experiência moral nós discernimos uma esfera de verdade moral objetiva.” Você entendeu corretamente o paralelo entre o que os nossos cinco sentidos nos dizem sobre a esfera de objetos físicos e o que nosso senso moral nos comunica sobre a esfera de valores e deveres. Assim como nós não conseguimos sair dos nossos cinco sentidos para verificar sua veracidade, e assim provar que nós não somos o proverbial “cérebro em um tanque” sendo estimulado por um cientista louco para perceber um mundo externo, nós também não podemos sair do nosso senso moral para verificar sua veracidade. Mas, em ambos os casos, somos perfeitamente racionais, na ausência de qualquer objeção as nossas crenças, em acreditar que nós apreendemos realidades objetivas.
Com base nisso você construiu um argumento paralelo que, se dúbio, deveria fazer-nos pensar que o argumento moral também é dúbio. Agora, o argumento paralelo que você construiu é, na realidade, um tipo de argumento cosmológico para a existência de Deus. Na verdade, acredito que seja um argumento sólido! É obviamente válido, e ambas as premissas parecem ser verdades para mim. Pois o mundo externo objetivo obviamente existe, e se Deus não existisse, então nenhum tipo de mundo existiria, incluindo um mundo externo objetivo! Não é que se Deus não existisse, então um mundo externo seria meramente uma ilusão subjetiva; mas que não existiria nada de fato!
Então, porque não usar esse argumento paralelo em debates ou palestras? A resposta a esta pergunta serve para destacar o que faz um argumento ser bom. Solidez não é suficiente para fazer um argumento ser bom. É fácil construir um argumento sólido para a existência de Deus. Por exemplo:
1. Ou Deus existe ou a lua é feita de queijo verde.
2. A lua não é feita de queijo verde.
3. Portanto, Deus existe.
Este argumento é logicamente válido, e ambas as premissas são verdade (uma disjunção como (1) é verdade se uma de suas disjunções forem verdade, e, nesse caso, a primeira disjunção “Deus existe” é verdade). Mas tenho certeza que você não recomendaria que usasse esse argumento em debates ou palestras! Por que não? Simplesmente porque ninguém acreditaria na primeira premissa a menos que ele já acreditasse que a conclusão fosse verdade. O argumento é, então, circular ou, como dizemos, incorre a petição de princípios.
Então ser sólido não é suficiente para fazer um argumento ser bom. O argumento deve também não cometer qualquer falácia lógica informal, como incorrer a petição de princípios, e as premissas devem ser mais plausíveis do que o contrário. A primeira premissa de seu argumento paralelo ameaça incorrer na petição de princípios, e não está apto para ser mais plausível do que a sua negação para alguém que já não é teísta. Por contraste, como você sabe, a primeira premissa do argumento moral é um que muitos dos próprios ateus acreditam e defendem. Portanto, apesar das premissas dos seus dois argumentos serem paralelos, o suporte para as premissas é um pouco diferente.
A fim de ter um bom argumento cosmológico, precisamos prover alguma razão para pensar que seu Deus não existisse, então o mundo não existiria. Eu mesmo gosto da seguinte versão de Leibniz do argumento cosmológico:
1. Qualquer coisa que existe tem uma explicação para sua existência, ou por necessidade de sua própria natureza, ou em uma causa externa.
2. Se o universo tem uma explicação para sua existência, esta explicação é Deus.
3. O universo existe.
4. Portanto, o universo tem uma explicação para sua existência. (de 1, 3)
5. Portanto, a explicação para a existência do universo é Deus. (de 2, 4)
Nesse argumento, a premissa (1) é uma versão modesta do Princípio de Razão Suficiente e a (2) é logicamente equivalente à declaração típica do ateu que se o ateísmo é verdade, então não existe explicação da existência do universo. Este é, eu acho, um bom argumento (ver pergunta #25).
Já sua pergunta de curiosidade, estou feliz que você faça parte de nossa aula Defenders por extensão! Fico impressionado quando viajo para o exterior em conhecer pessoas que são, de fato, membros de nossa classe e escutam regularmente. Você deve entender que as aulas são podcasts gravados anteriormente. Dessa forma podemos colocar uma nova lição de aula cada semana, a despeito do fato de que com minhas frequentes viagens, muitas vezes não estou lá certos domingos para ensinar a aula. Às vezes, no passado, eu filmava uma lição para mostrar em minha ausência, apesar de mais frequentemente hoje em dia eu depender do meu colega, Joe Mulvihill, para me substituir quando estou longe. As sessões a que você se refere foram gravadas durante o tempo em que a Al-Qaeda estava liberando vídeos de Osama Bin Laden, de sua localização secreta. Então, minhas referências aos nossos “estúdios clandestinos” eram uma brincadeira a respeito disso. Então, só dê uma boa risada e fique tranquilo que nada sinistro está acontecendo!
- William Lane Craig