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#349 O Argumento Moral em favor de Deus

May 16, 2015
Q

Dr. Craig,

Eu sou um ateu agnóstico (eu não sei ao certo, mas eu não acredito em Deus [ou deuses]). Recebi seu "Presente de Natal para os Ateus" impresso pela FoxNews, que me levou a saber mais sobre você e seus pontos de vista. Eu admito que as minhas primeiras respostas foram emocionais ("Como ele se atreve!"), mas essas emoções logo se transformaram em perguntas e pensamento. Só porque eu encontrei sua resposta a um outro ateu, eu queria abordar dois pensamentos que você deixou naquele caso: Você disse: "Espero que os materiais aqui o levem a questionar o seu ateísmo. Não seria algo se Deus realmente existisse?" Seus pontos e pensamentos me levam a questionar meu ateísmo, mas eu também sinto que o ateísmo (ou qualquer tradição de fé) teria pouco sentido, para mim, se não fosse constantemente questionado. Além disso, seria algo se Deus realmente existisse; eu não sei realmente ao certo o que esse algo seria, mas eu sinceramente duvido que a verificação da existência de Deus iria me obrigar a seguir os ditames morais da Bíblia ou de qualquer religião em particular - a minha visão subjetiva da moralidade demasiadas vezes me leva à descoberta que os ditames de Deus são imorais. Como tal, foi o seu ponto sobre a moralidade objetiva que se tornou o foco do meu pensamento.

Em sua Pergunta # 16 sobre o 'Extermínio dos Cananeus', você expõe o seu argumento da moralidade objetiva bastante conciso da seguinte forma:

1. Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem.

2. Valores morais objetivos existem.

3. Portanto, Deus existe.

Eu tenho alguns problemas com a análise. A primeira questão é que eu não acredito que os valores morais objetivos existam. Mas mesmo se eu admitisse que eles existem, a sua lógica aqui falharia. Sua primeira declaração acima só fornece o que deve ser verdadeiro da moralidade objetiva se Deus não existe. Não provê o que deve ser verdadeiro de Deus se a moralidade objetiva existisse. Em suma, você age como se # 1 fosse uma declaração "se e somente se", quando na verdade é uma simples declaração "se/então". # 2 acima não satisfaz o 'se' de sua declaração 'se/então', o que significa que # 3 não é uma conclusão lógica exata.

Como eu mencionei anteriormente, eu não acredito que os valores morais objetivos existam. Ao ler os seus escritos sobre este assunto, percebo que você se concentra nos argumentos que muitos céticos e ateus trazem à tona, ou seja, os atos imorais percebidos ordenados ou não tolerados por Deus na Bíblia. Você coloca os argumentos do porquê essas percepções estão erradas e como Deus é (e sempre é) o fundamento da moralidade objetiva.

Meu problema vem da ideia de que Deus existe fora da subjetividade. De acordo com Webster, objetividade seria algo "baseado em fatos e não sentimentos ou opiniões". Em cada encarnação de Deus com que eu já me deparei ou ouvi falar, Ele é um ser que claramente tem sentimentos e esses sentimentos orientam os mandamentos que Ele dá. Ele é um Deus ciumento. Ele é um Deus vingativo. Ele é um Deus que quer ser amado e sente fortemente os insultos ao Seu nome. Embora eu possa compreender um cristão identificando Deus como o verdadeiro fundamento ou a base da moralidade, não consigo entender como um Deus tão informado pela emoção pode ser considerado objetivo.

Mesmo se eu conceder Deus sendo o criador da existência, isso não lhe concede objetividade nem autoridade sobre a moralidade. É possível que um criador seja verdadeiramente objetivo sobre a sua própria criação? A criação é igual a autoridade moral? Eu diria que não.

Eu diria que a moralidade é sempre subjetiva porque a moralidade é, em sua essência, uma parte da condição humana. Existem situações nas quais não há resposta objetiva correta ou coisa certa a fazer, embora haja muitas situações em que a imoralidade parece ser uma boa resposta para "o bem maior".

Dwight

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Estou feliz por ter achado a entrevista da Fox News estimulante, Dwight! Estou tão feliz que você tenha respondido como fez, superando a sua reação emocional inicial e tomando a decisão de explorar a questão de forma racional e desapaixonada. Verdadeiramente, se Deus existe, isso seria "algo", e a pergunta mais importante da vida se tornaria: "Como devo me relacionar corretamente a esta Pessoa de quem eu dependo momento a momento de minha existência?"

Agora com relação ao argumento moral, você aceita a premissa (1), mas afirma que a "lógica falha aqui," pois "# 3 não é uma conclusão lógica exata". Você está enganado sobre isso, Dwight. A inferência é logicamente impecável. Aqui está uma simbolização da derivação da conclusão:

1. ¬ p → ¬ q (Premissa)

2. q (Premissa)

3. ¬ ¬ q (Negação Dupla, 2)

4. ∴ ¬ ¬ p (Modus tollens, 1, 3)

5. ∴ p (Negação Dupla, 4)

Ao apresentar esse argumento, eu suprimo os preceitos envolvendo dupla negação, uma vez que estas são prontamente supostas. Assim, o argumento é um argumento válido a favor da existência de Deus. A única questão é a verdade das duas premissas.

Você e eu concordamos que, se Deus não existe, então os valores e deveres morais objetivos não existem. Mas você precisa se perguntar por que você acha que os valores morais objetivos não existem. Você pode dizer: porque Deus não existe! Mas como você sabe disso? Qual você acha que é melhor justificado para você: a existência de valores morais objetivos ou a não-existência de Deus? Você teria que ter argumentos bastante impressionantes a favor do ateísmo a fim de triunfar a experiência moral. Mas você tem, honestamente?

Você argumenta que um Deus que possua sentimentos subjetivos não pode ser o alicerce de valores morais objetivos. Mas isso é confuso. Eu tenho argumentado que os valores morais objetivos estão enraizados na natureza de Deus, não em Sua vontade e que esta natureza é expressa a nós na forma de mandamentos divinos, os quais constituem os nossos deveres morais. Deus pode ter sentimentos subjetivos, mas estes não são a base do valor e dever moral. Longe de ser incompatível com os valores e deveres morais objetivos, os sentimentos subjetivos como compaixão, indignação moral, simpatia e assim por diante são, na verdade, parte de ser um agente moral perfeitamente bom.

Eu suspeito que o problema é que você não compartilha alguns dos sentimentos morais atribuídos a Deus e por isso rejeita o fato que Ele seja o fundamento da moralidade. Mas, então, você se encontra em uma situação bastante peculiar. Pois você nos disse que você não acha que existem valores e deveres morais objetivos. Então, por que a indignação com um Deus ciumento, vingativo e egocêntrico? No seu ponto de vista (visão), não há nada de errado em ter tais sentimentos! Em sua opinião, a única objeção à moralidade teísta deve ser uma objeção de coerência, que a moralidade baseada no teísmo é de alguma forma inconsistente. Mas o fardo da minha resposta para o problema da chacina dos cananeus, que você cita, é justamente para mostrar que não há inconsistência aqui. Não posso deixar de suspeitar que, na verdade, você acredita nos valores morais objetivos afinal.

Deixe-me dizer, de passagem, que como Deus é o maior bem, temos uma obrigação moral de amá-Lo e adorá-Lo, e Ele seria mal se Ele não se importasse se as pessoas cumprissem as suas obrigações morais ou não.

Talvez a dificuldade aqui é que você parece pensar em Deus simplesmente como um criador e tem toda a razão em dizer que ser um criador não equivale a autoridade moral. Mas o conceito teísta de Deus é muito mais rico do que a noção de um criador e designer do universo. Ele também é o que Platão chamou o Bem, o paradigma e lócus do valor moral. Como tal, Ele idealmente serve como a base dos valores e deveres morais objetivos.

- William Lane Craig