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#799 O tempo e a vitória de Deus sobre o mal

October 07, 2022
Q

Olá, Dr. Craig. Espero que esteja tudo bem.

Esta é uma questão que ainda não vi, mas talvez o senhor tenha visto. Surgiu por causa do triste falecimento de um cão da família.

Ao estudar a eternidade divina — obviamente, uma questão enorme —, a questão que, de fato, talvez seja a mais crucial é qual teoria de tempo se adota.

Segundo a teoria B do tempo, tudo no passado, presente e futuro está em paridade ontológica. Por outro lado, segundo a teoria A do tempo, as coisas realmente vêm à existência e deixam de existir. Em certo grau, será que o senhor pensa que a teoria A do tempo torna o mal e o sofrimento no mundo mais suportáveis? Embora eu não creia que adotar esta visão tornará mais fácil o luto por um ente querido, a ideia do sofrimento que jamais deixa de existir, segundo a teoria B do tempo, parece bastante perturbadora. Gostaria de saber o que pensa a este respeito.

No amor de Cristo,

Christian

Escola de Teologia Talbot

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Abordei esta questão, Christian, no capítulo 5 do meu livro Time and Eternity [Tempo e eternidade] (Wheaton, Ill.: Crossway, 2001). O problema que você traz à tona parece-me ser uma das objeções teológicas mais sérias à chamada teoria B do tempo. A ideia de que o mundo exista aflexivamente parece negar o triunfo de Deus sobre o mal. Segundo a teoria B do tempo, o mal, na verdade, não é jamais derrotado no mundo: ele existe com tanta firmeza quanto sempre, em todas as suas diversas localizações no espaço-tempo, mesmo que tais localizações sejam todas anteriores a algum momento no tempo cósmico (por exemplo, o Dia do Juízo). A criação, de fato, não é jamais expurgada do mal, segundo este ponto de vista; no máximo, pode-se dizer que o mal infecta apenas aquelas partes da criação anteriores a certos outros eventos. A mancha, porém, é indelével.

O que isto implica para eventos como a crucificação e a ressurreição de Cristo é muito perturbador. Em certo sentido, Cristo está pendurado permanentemente na cruz, pois os terríveis eventos do ano 30 d.C. jamais se esvaem ou transcorrem. A vitória da ressurreição se torna um triunfo vazio, pois as partes espaço-temporais de Jesus que foram crucificadas e sepultadas permanecem moribundas e mortas, jamais sendo ressuscitadas para a nova vida. É incerto como podemos dizer com Paulo: “Tragada foi a morte pela vitória!” (1 Coríntios 15.55), quando a morte, na verdade, jamais foi desfeita, segundo a teoria B do tempo. Portanto, parece-me que, independentemente dos problemas filosóficos ou científicos da teoria B, a objeção teológica à teoria B do tempo a exclui.

- William Lane Craig