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#821 Os condenados recebem o que merecem?

March 06, 2023
Q

Caro Dr. Craig,

Tenho algumas perguntas sobre o seu podcast de 12 de dezembro de 2022, em que o senhor respondeu à questão de Zhao: “Por que é que Deus não nos dá tempo infinito para aceitar a Jesus?”

Na sua resposta, o senhor disse: “Se Deus desse quantidade infinita de tempo para as pessoas virem à fé em Cristo, a justiça jamais seria feita para os que se recusam a crer em Cristo e que rejeitam a Deus. Jamais receberiam o que merecem, pois tudo continuaria pela infinitude”. Porém, de acordo com a visão tradicional do castigo eterno dos ímpios, não é justamente isto que acontece? Os ímpios são punidos, mas nunca recebem plenamente o que merecem, porque o castigo não cessa jamais.

A título de comparação, suponhamos que um criminoso seja sentenciado a 20 anos de prisão. Depois de 19 anos, o criminoso, sem dúvida, recebeu a sua pena, mas a justiça ainda não foi feita, pois a justiça demanda 20 anos. Parece-me que o mesmo se dá com o castigo eterno: embora os ímpios sejam, sem dúvida, punidos, a justiça nunca é feita, porque a sentença nunca está completa.

Ouvi o senhor dizer que o tormento eterno dos ímpios é justo, porque, no inferno, eles continuam a pecar e, portanto, continuam a exigir o castigo. Isto parece suscitar o mesmo problema: a justiça nunca é feita, porque sempre há mais castigo à espera dos ímpios.

Como o senhor disse, em resposta a uma pergunta diferente (encontrada aqui: https://www.reasonablefaith.org/videos/short-videos/isnt-hell-a-double-punishment), “Deus tem de lhe dar [ao ímpio] o que merece, porque assim é a justiça”. No entanto, os ímpios, no inferno, jamais recebem, de verdade, o que merecem, porque, embora sejam punidos, o castigo jamais é completo e, portanto, a justiça nunca é cumprida.

Em outro lugar (https://www.reasonablefaith.org/videos/short-videos/william-lane-craig-qa-what-is-hell-is-hell-compatible-with-a-loving-god), o senhor disse: “Deus é justiça absoluta. Todo pecado, todo delito no universo, receberá o que merece”. Mais uma vez, parece que Deus perseguirá eternamente o pecado, punindo um pecado após o outro cometido no inferno. Assim, embora a sua afirmação seja verdadeira — todo pecado receberá o que merece —, a justiça jamais será feita?

Assim, como é que o senhor soluciona a demanda de que os ímpios recebam o que merecem com a ideia de que, no inferno, a justiça jamais é feita, porque o castigo nunca acabará?

Darren

Estados Unidos

Dr. Craig responde


A

Parece-me óbvio, Darren, que existe enorme diferença entre o castigo a ser adiado indefinidamente e o castigo a ser prolongado indefinidamente. No primeiro caso, os ímpios não são punidos nunca, ao passo que, no segundo caso, eles são punidos para sempre. Assim, os dois casos não são paralelos, mas tão distintos quanto o dia e a noite!

Por isso, a única questão que resta é se os condenados, no inferno, recebem, de fato, o que merecem. Pois bem, depende do que se pensa que eles mereçam. Qual é o castigo ao qual são sentenciados por Deus? Eu diria que é algo como a separação eterna de Deus. Se isto estiver correto, os condenados no inferno recebem, sim, o que merecem, porque o seu castigo continua para sempre.

O problema com a sua analogia de um criminoso sentenciado a vinte anos é que a sua sentença tem duração finita. Porém, suponha, por sua vez, que o criminoso seja sentenciado à prisão perpétua. No caso, desde que não ganhe liberdade condicional, ele receberá justamente o que merece, quer viva 20, 50 ou 100 anos. Ele passará a sua vida na prisão. Trata-se de analogia melhor, tanto em relação ao nosso pecado como crime capital diante de Deus quanto em relação ao castigo dispensado aos condenados com a separação de Deus para sempre.[i]

 

[i] Talvez ajude ter em mente a diferença entre um infinito em potencial e um infinito real. Se os ímpios fossem condenados a cumprir pena por um número de anos realmente infinito, eles jamais cumpririam a sua sentença. Porém, se os ímpios são condenados a cumprirem a sua pena por um número de anos potencialmente infinito, eles cumprem, sim, a sua sentença ao ser punidos interminavelmente.

- William Lane Craig