#248 Regressão Infinita e o Argumento Cosmológico de Leibniz
January 14, 2015Dr. Craig,
Eu não posso agradecer a você o suficiente por seu trabalho apologético. Eu tenho usado fielmente seus podcasts, debates, livros e artigos por cerca de 4 anos. Eu estou reformulando uma pergunta que mandei anteriormente e que nunca foi selecionada. Eu estou esperançoso de que esta versão da pergunta vai ser mais clara e mais fácil de responder.
Eu tenho concentrado meus esforços recentemente na tentativa de obter uma compreensão mais profunda do argumento cosmológico de Leibnitz. Este parece ser um argumento intrigante a favor da existência de Deus, pois é convincente para mim e é estritamente um argumento filosófico. Por isso, independentemente do que acontece na ciência, eu posso saber que esse argumento vai perseverar. Dito isto, aqui está a minha preocupação:
Eu apresentei o argumento cosmológico Leibnitziano da seguinte forma para um amigo:
Premissa 1: Tudo o que existe tem uma explicação para sua existência, seja na necessidade de sua própria natureza ou em uma causa externa.
Premissa 2: Se o universo tem uma explicação para sua existência, esta explicação é Deus.
Premissa 3: O universo existe.
Conclusão: Portanto, a explicação para a existência do universo é Deus.
Meu amigo então me perguntou: "Por que não postular uma regressão infinita de explicações? O que torna isso pior do que postular Deus (atuando como o causador não causado), como a explicação que termina a série de causas externas?" A pergunta: "O que causou o universo?", leva a um empate entre o ateu e o teísta? Ambos acreditam que tudo o que existe tem uma explicação - o ateu postula uma regressão infinita de explicações e o teísta postula que as explicações com o tempo terminarão com Deus, cuja explicação é a necessidade de Sua própria natureza. Eu acho que a objeção ateísta é uma rejeição à premissa 2 como indicado acima. O ateu provavelmente reafirmaria a premissa 2 para dizer: "Se o universo tem uma explicação para sua existência, esta explicação é Deus [...] Ou uma regressão infinita de explicações."
Eu encontrei uma breve referência ao assunto em seu podcast do Defenders II sobre a existência de Deus parte 2 (cerca de 17 minutos, 45 segundos no podcast), quando um aluno propôs que, se as coisas que existem através de uma causa externa não são, em última instância, explicadas por algo que existe em sua própria natureza, então nada existiria. Você respondeu: "Essa linha de raciocínio vai envolvê-lo em argumentar contra a possibilidade de uma regressão infinita de explicações. Então eu prefiro fazê-lo desta forma, de modo a evitar os argumentos de tipo regressão infinita". Eu estou esperando que você pode ainda esclarecer como a objeção da regressão infinita de explicações tem sido evitada ou tratada.
Podemos simplesmente considerar a regressão infinita de explicações como um conjunto? Já que o conjunto tomado como um todo não tem explicação, isso viola a premissa 1, certo? É justo dizer que, se o ateu quer postular uma regressão infinita de explicações, então ele deve estar disposto a negar a premissa 1 porque ele deixa o conjunto (que contém os membros infinitos) sem explicação?
Eu espero que você decida que muitos achariam edificante ouvir uma forte contestação à visão de que o universo é explicado por uma regressão infinita de explicações. Obrigado.
Humildemente submetido,
Steve
United States
Dr. Craig responde
A
Steve, minha versão do argumento cosmológico de Leibniz que você colocou acima com precisão é modelada sobre a formulação do filósofo Stephen T. Davis. Uma das características da formulação de Davis que eu achei (e acho) atraente é que ela apenas evita qualquer necessidade de discutir sobre uma regressão infinita de explicações. Ela é formulada de uma forma que a pergunta nem sequer é levantada. Era a respeito disso que eu estava me referindo no podcast do Defenders a que você se refere.
Por que isso? Simplesmente porque "o universo" deve incluir toda a realidade espaço-tempo. Alguém não se começa com o evento ou estado das coisas presente e busca sua explicação e, então por sua vez, pede uma explicação daquele evento ou estado das coisas e assim por diante, argumentando que tal série não pode ir ao infinito, porque se não, nada se explica. Não, em vez disso, alguém só junta tudo sob a categoria chamada "universo" e pergunta-se: qual é a explicação para o universo? Assim, o universo irá incluir qualquer realidade física que abrange realidades como um multiverso. Por que um multiverso existe? É por uma necessidade de sua própria natureza ou tem uma causa externa?
Leibniz fez uma jogada semelhante ao lidar com a possibilidade de que o universo pode ser eterno no passado para que cada estado das coisas é explicado por um estado temporalmente prévio de estado das coisas ad infinitum. Como Leibniz viu, tal hipótese não responde à pergunta por que é que existe um universo afinal. Nós ainda podemos perguntar: "Por que existe um universo eterno?" Lembre-se que o argumento cosmológico de Leibniz não está à procura de uma primeira causa temporal; é consistente com o universo sendo eterno no passado. Nós ainda podemos perguntar de um universo eterno, "Por que existe algo em vez de nada?"
Da mesma forma, simplesmente não há necessidade de falar de uma regressão infinita de explicações que sejam não-temporalmente ordenadas (como um multiverso incorpóreo). Basta misturá-las todos juntos, como Leibniz fez com os estados passados do universo e perguntar: "Por que esta hierarquia de entidades existem em vez de nada?" Penso eu que deve ser um ser metafisicamente necessário para explicar por que existe algo em vez de nada.
Portanto, o seu amigo não está negando a premissa (2) e oferecendo alguma outra explicação que não seja que Deus, não, pelo menos, se ele está usando "o universo" como é usado na argumentação, pois o universo inclui tudo o que a hierarquia das coisas contingentes que pode se imaginado existindo. O que ele está realmente dizendo é que não há nenhuma explicação de por que essa hierarquia de coisas existe. Não tem nenhuma causa externa e não é necessário em seu ser. Ele acha que só existe inexplicavelmente. Esta é basicamente a sua resposta em seu penúltimo parágrafo, exceto que devemos evitar a linguagem de conjuntos e apenas falar sobre o universo como toda a realidade física. O ateu diz que na ausência de Deus, não há explicação para a existência da realidade física.
- William Lane Craig