#137 Rodada Relâmpago
October 28, 2014Eu decidi fazer uma rodada relâmpago essa semana de perguntas que podem ser respondidas rapidamente. Em alguns casos eu darei referências onde já abordei os assuntos mais detalhadamente.
Pergunta 1:
Um dos seus argumentos, eu acho, é o de que Deus é a “primeira causa” (espero que eu esteja colocando corretamente). Porém, eu tenho um problema sobre o qual eu espero que você possa lançar luz. Se o tempo teve um começo no Big Bang, então por que causa e efeito ainda estariam lá “antes” do tempo? Nós realmente não podemos saber a natureza do que existia antes do big bang de qualquer forma lógica, então não seria arriscado construir e argumentar sobre ela?
Adam
- país não especificado
United States
Dr. Craig responde
A
Dr. Craig responde:
Não havia nada, Adam, nem mesmo Deus, temporalmente antes do Big Bang. Deus é causalmente anterior ao Big Bang, não temporalmente anterior. Algo deve ser causalmente anterior à origem do universo, a menos que você esteja pronto a acreditar que algo pode surgir do nada. Podemos saber diversas coisas sobre a causa do universo através de uma análise conceitual da noção de uma causa do espaço e tempo. Veja meu Time and Eternity (2003) para a discussão.
Pergunta 2:
Querido Dr. Craig:
Primeiro, obrigado pelo seu ministério. Reasonable Faith tem sido um imenso conforto para mim ao enfrentar a pressão que recebemos em uma faculdade de alto padrão para concluir “bem, todas essas pessoas inteligentes dizem que o cristianismo é falso, portanto, provavelmente é falso.” Você exemplifica porque, como C. S. Lewis escreveu, pouquíssimos perdem a fé porque raciocinaram em um argumento honesto; de fato, você mostra que argumento honesto está do lado do cristão. Então, novamente, muito obrigado.
Em segundo lugar, eu tenho uma pergunta que eu gostaria de abordar. Em resumo, é como você responde a céticos que dizem “Muito bem, eu consigo ver que ateísmo puro é insustentável, mas eu acredito em Spinozismo, ateísmo manco, e isso evita suas objeções mais sérias.”
Como sem dúvida você já sabe pelo seu debate com o Dr. Curley, ele mesmo sendo Spinozista, esta é uma opinião popular hoje em dia e é defendida por alguns filósofos brilhantes e honestos.
Por exemplo, A Última Palavra, como Victor Reppert nota, é a versão de Thomas Nagel do “Argumento da Razão” que o Dr. Reppert escreve a respeito em seu Companheiro a Teologia Natural. Isto é, ele conclui que “a capacidade do universo de gerar organismos com mentes capazes de entender o universo é, em si, de alguma forma, um fator fundamental do universo.” No entanto, Dr. Nagel (em um capítulo incrível e memorável sobre seu “medo de religião”) nota que isso “soa um tanto religioso, algo vagamente Spinozista.” Porém, ele mantém que “alguém pode admitir tal enriquecimento dos elementos fundamentais da ordem natural sem passar para qualquer coisa que deveria contar literalmente como uma crença religiosa.” E, é claro, existem muitos outros exemplos, talvez mais notavelmente Albert Einstein.
Tenho encontrado essa visão frequentemente entre filósofos modernos e suspeito que seja algum tipo de “neo neo ateísmo” para aqueles, como Dr. Curley e Nagel que têm conhecimento demais sobre filosofia para aderir ao “neo ateísmo.”
Então, fora a ressurreição (cuja implicação é clara, porém difícil de fazer o cético encarar), como seus argumentos refutam o Spinozismo? Particularmente, você pode me apontar a uma necessidade filosófica de um Deus transcendente, em vez de imanente? Como você poderia mostrar ao Dr. Nagel que sua válvula de escape é ilusória?
Felicidades,
Rob
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Spinozismo, que diz que Deus e o universo são idênticos, é incompatível com o argumento da contingência, o argumento cosmológico kalam, o argumento moral, o argumento ontológico, sem mencionar o fato da ressurreição de Jesus. Então se qualquer um desses argumentos é bem sucedido, o Spinozismo falha. Pois todos eles concluem uma realidade transcendente além do universo.
Pergunta 3:
Acabei de aprender que o consenso científico é que é perfeitamente comum para estruturas ordenadas aparecerem espontaneamente em processos não equilibrados, e que esse mesmo mecanismo explica a estrutura em larga escala do universo, e é experimentalmente confirmado no modelo Lambda-CDM, que explica a provável origem da vida.
Existe este consenso e esse modelo explica de fato a origem da vida?
Anthony
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Como um resultado da gravitação, um universo que não está expandindo rápido demais ou devagar demais (um assunto da ajuste preciso!) irá naturalmente formar estruturas agrupadas como galáxias, estrelas e planetas. Mas isso não serve para explicar a origem da vida. Quem quer que tenha lhe falado que serve, Anthony, está simplesmente soprando fumaça! Veja o Signature in the Cell de Steve Meyer para uma boa discussão sobre os cenários correntes da origem da vida.
Pergunta 4:
Olá Dr. Craig,
Estou quase terminando de ler a sua mais recente edição do Reasonable Faith. Eu acredito que você afirmou em um ponto no livro (e estou parafraseando o melhor que posso) que, devido ao fato de que não podemos observar "universos paralelos", como proposto pelos cosmólogos, que favorecem a Teoria das Cordas e a Teoria-M, etc. que, pelo menos por agora, o modelo presente padrão parece ser o único com que você concorda. Eu acho que esta é basicamente a minha própria estimativa no momento. Mas, como todas as disciplinas científicas parecem fundir para trazer uma escola de pensamento evolucionista darwinista eo-darwinista unificada - e referem-se a estas questões de forma ocasional e tão levianamente, minha curiosidade leva-me a perguntar-lhe se você é um proponente da evolução e, se assim for, se você não poderia, por favor, explicar sobre suas crenças pessoais neste contexto, talvez juntamente com algumas razões?
Obrigado,
Dan
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Os cosmologistas não estão tendendo a uma explicação evolucionária da ajuste preciso do universo. Aqueles que querem defender a alternativa do acaso normalmente defendem algum tipo de Hipótese dos Muitos Mundos, de acordo com a qual todos os valores possíveis de constantes e quantidades fundamentais são supostos no Conjunto de Mundo. Veja minha discussão no Reasonable Faith, 3a ed. Para minhas próprias visões sobre a evolução biológica veja meus podcasts do Defenders sobre a Doutrina da Criação e meu recente debate com Francisco Ayala.
Pergunta 5:
Depois do seu debate com o Hitchens...esta pergunta foi apresentada.
Para dar crédito a pergunta veio de “lukeprog” no Senso Comum do Ateísmo.
"Dr. Craig,
Esta noite você argumentou que valores morais objetivos não podem existir à parte de baseá-los em traços e opiniões de uma pessoa em particular. Sua escolhe é Yahweh. Isso parece uma forma estranha de chegar a valores morais objetivos, mas mesmo assim, você já argumentou em outro lugar exatamente o oposto: que valores morais objetivos existem a parte de Yahweh.
Por exemplo, em sua resposta a Pergunta #61 em seu site, você escreve que aborto é errado porque vida tem um valor moral intrínseco, isto é, tem valor moral em si mesmo, a parte de qualquer coisa externa, incluindo as opiniões de Yahweh. Isto é uma discrepância ou eu entendi errado?”
Gostaria de saber dos seus pensamentos a este respeito.
Obrigado.
James
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Boa pergunta! Minha visão é que valores objetivos morais são fundamentados no caráter de Deus. Amor é virtuoso porque Deus é amoroso. Isso não é incompatível com a distinção entre o bom intrínseco e extrínseco. Algo tem valor extrínseco porque pode ser usado para um propósito. Por exemplo, um martelo tem valor extrínseco por causa de sua utilidade para agentes humanos. Por contraste, pessoas têm valor intrínseco, pois elas não são meramente meios para serem usados para um fim, mas devem ser tratadas como um fim em si mesmas. Então podemos perguntar, “Mas por que os seres humanos são intrinsecamente valiosos?” E a resposta será porque Deus é pessoal.
Pergunta 6:
Olá Dr. Craig, eu tenho uma pergunta para você a respeito de Jesus e a tentação. A Bíblia ensina em Hebreus 4:15 que Cristo sentiu “nossas enfermidades,” e “em tudo foi tentado como nós, porém sem pecado.” Já que Cristo viveu uma vida perfeita, sem pecado, e como Deus na carne, como esses “desejos” poderiam surgir nEle? Obrigado por sua ajuda!
Kevin
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Já que Cristo tem uma natureza verdadeiramente humana, ele estava suscetível a todas as fraquezas da humanidade, incluindo a ser tentado a pecar. Não deveria ser incongruente para você, Kevin, que Jesus sentiu, por exemplo, desejo sexual. Ele era, afinal, um homem! Ser tentado ou sentir o desejo de pecar não é pecar.
Pergunta 7:
Querido Dr. Craig,
Quando eu tive uma conversa recente com o meu pai, eu o achei com sérias dúvidas sobre se Cristo é verdadeiramente o caminho para Deus ou foi Deus encarnado. Ele tinha três razões para a dúvida. Sua primeira razão é que uma vez que ele não é Deus, ele não podia saber se Cristo estava realmente dizendo a verdade ou não. Sua segunda razão para dúvida é que, devido à recente onda de violência de extremistas radicais, como é que vamos saber se a fé do muçulmano radical não é verdadeiramente sincera e que ele realmente está servindo a Deus, mesmo em atos de atrocidades? Sua terceira razão para dúvida é que já que os cristãos eram inegavelmente brutais para outras culturas, apenas alguns séculos atrás, (Colombo e Cortez), como podemos acreditar que estamos servindo ao Deus certo?
Blake
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Eu não vejo estas razões como sendo convincentes, Blake. (1) Cristo é Deus na visão cristã e então pode ser confiado. A pergunta é se nós temos boas bases para pensar que ele é divino. Eu acho que temos na credibilidade histórica das declarações pessoais radicais de Jesus e sua vindicação pela ressurreição dos mortos. Veja Reasonable Faith, 3a ed. (2) Os jihad muito certamente são sinceros, mas não há razões para pensar que eles estão corretos em suas crenças. Podemos avaliar suas afirmações ao examinar as bases a favor e contra o Islã, como já fiz em meus debates com muçulmanos, e ao, da mesma forma, avaliar as bases a favor e contra a crença cristã. (3) Muitas pessoas que já se declararam cristãs são hipócritas e não verdadeiros discípulos de Jesus. Diga a seu pai para se perguntar, “Jesus teria esquartejado os Maias e os Incas?” A resposta é óbvia. Somente Ele é o nosso professor e Senhor e para quem deveríamos olhar como exemplo.
Pergunta 8:
Estou curioso de que conselhos você daria para muitos cristãos estudantes de PhD em áreas como filosofia e teologia que, devido à recente recessão na América, enfrentam perspectivas sombrias de emprego no academicismo.
Eu sei de muitos alunos que trabalharam duro para entrar nos melhores programas de PhD, e trabalharam muito duro para ir bem nestes programas. E seu alvo em todo o tempo tem sido tornar-se professor para ajudar no avanço do reino de Deus através de sua pesquisa e ensino.
Porém, também sei de muitos alunos que estão agora seriamente reconsiderando se deveriam tentar tornarem-se professores porque o mercado de trabalho no momento está muito ruim.
Muitos sentem que com a recente recessão, e o mercado acadêmico sombrio, é desanimador pensar que eles irão poder tornar-se professores, então eu sei de muitos que estão considerando abandonar suas aspirações acadêmicas a fim de ir atrás de profissões não-acadêmicas.
Assim, eu queria saber que conselhos você teria para os muitos alunos cristãos que se encontram divididos entre, por um lado, tentar alcançar o chamado para tornar-se um professor, porém, por outro lado, sentem-se sem esperança diante do mercado acadêmico recentemente sombrio.
Allen
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Não querendo ser volúvel, Allen, mas pessoas têm dito isso a mais tempo do que eu consigo lembrar! Como alunos de mestrado, no final da década de 70, todos nós nos preocupávamos com o mercado de trabalho sombrio para filósofos e a abundância de aplicantes para cada posição. Meu conselho a você é simplesmente esquecer isso tudo. Examine seu coração para ver qual a sua paixão e o seu chamado, e depois vá atrás, confiando que o Senhor proverá. Aqueles que desistem, ou devem ter um fraco senso do chamado de Deus, ou uma falta de confiança na provisão de Deus. Tem sido experiência minha e da Jan que Deus proverá de formas que você não poderia nem imaginar no começo! (Veja Pergunta #83) Então não permita que um coração temeroso detenha você de encontrar tudo o que Deus tem guardado para você.
Pergunta 9:
Dr. Craig,
Obrigado por seu trabalho! Tem sido de grande ajuda para mim. Eu acredito firmemente em Jesus e Deus (apesar de ser novo) e com a sua ajuda e de outros, estou aprendendo a digerir o que a Bíblia quer dizer.
Minha pergunta é: em algum lugar diz que nós teremos completa recordação de nossa vida aqui na terra que conheceremos a Deus?
Eu entendo que esse tipo de pergunta pode estar fora do seu foco, então eu não espero ouvir uma resposta.
Porém, eu gostaria de agradecê-lo novamente. Você faz um bom trabalho e eu posso apenas imaginar incontáveis outros que param e solidificam o que eles pensam ou o que foram ensinados e que são na realidade fatos sólidos e provados.
Deus abençoe,
Michael
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Não, Michael, não há nada na Bíblia que sugira que nós teremos total recordação na vida por vir. Na verdade, minha visão é que Deus poderá nos guardar de memórias dolorosas.
Pergunta 10:
Tenho ouvido repetidas vezes que não somente somos perdoados de nossos pecados por causa de Jesus, mas que também Deus esqueceu aqueles pecados pelos quais somos perdoados. Ouvi esta ideia mais recentemente no livro de Andrew Farley chamado 'The Naked Gospel' [O Evangelho Nu]. Porém, sou incapaz de enquadrar isso na onisciência de Deus. Eu não acredito que Deus possa esquecer de qualquer coisa devida a sua onisciência, então eu não acredito que ele esqueça dos nossos pecados. Porém, muitas pessoas aparentemente com educação insistem que ele possa e o faça.
O que realmente acontece?
Obrigado.
Jeremy
- país não especificado
Dr. Craig responde:
A linguagem de que Deus se lembra é uma expressão idiomática semítica que tem a ver com Deus tomar conta ou cuidar de algo. Então, por exemplo, quando a Bíblia diz que Deus lembrou-se de Israel quando estava na escravidão do Egito, não quer dizer que Deus de repente pensou, “Ah sim! Aquelas pessoas no Egito!” Da mesma forma, quando se diz que Deus não lembra mais dos nossos pecados, isso não significa que Deus olha para nós e pensa: “Pecados? Que pecados?” mas que Ele não considera nossos pecados contra nós. É claro, Ele sabe o que fizemos! Então não há incompatibilidade com onisciência.
Pergunta 11:
Primeiro eu gostaria de dizer o quanto eu admiro o trabalho que você tem feito. Eu sou um cristão e tenho grande interesse em aprender apologética.
Minha pergunta vem do argumento cosmológico. Usando um diágrafo de tempo que mostra que hoje é o último dia, portanto tempo não pode ser infinito porque algo que é infinito não tem um fim. Seria possível para um cético argumentar que a vida eterna também não é lógica? Porque se nós morrermos hoje, nós começarmos nossa existência eterna no céu e algo que é eterno não pode ter um começo.
Em uma conversa com um ateu, ele deixou implícito que “o universo estava mudando antes do tempo começar”. Eu chamei a atenção dele de que a palavra “mudança” implica tempo. Se algo mudou, isso significa que seu estado atual difere de seu estado anterior. (tempo passou) Isto é verdade para qualquer mudança; movimento, temperatura, massa, etc. Agora que penso nisso, como isso aplica-se para o céu? Se é eterno qualquer ato ou movimento que fizermos lá não requereria que tempo fosse presente?
Eu apreciaria muito sua opinião especializada.
Dan
- país não especificado
Dr. Craig responde:
O fato que nós teremos corpos ressurretos dinâmicos implica que haverá tempo no novo céu e nova terra. Nós não seremos como estátuas. Por causa da objetividade do tornar-se temporal, o passado e o futuro são assimétricos. Uma série infinita de eventos no passado é um infinito real, mas uma série infinita de eventos futuros é meramente um infinito potencial, isto é, sempre finito, mas crescendo rumo ao infinito como um limite. Para mais veja a Pergunta #127.
Pergunta 12:
Olá Dr. Craig.... Apesar desta pergunta não ser tão importante quanto, digamos, o problema do mal, eu ainda anseio por uma solução para prover uma resposta quando for necessário.
J.P Moreland descreve a trindade como sendo três “quem” (pai, filho, espírito santo), que compartilham o mesmo “o que” (atributos), e que no caso da encarnação, Jesus tomou um segundo “o que” (humanidade), enquanto, ao mesmo tempo, retendo seus atributos divinos. Como isso se aplica ao atributo divino de Jesus da onipresença, dado nossa inabilidade como humanos de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo?
Obrigado por tudo o que você faz! Deus abençoe,
Josh
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Já que Cristo tem uma natureza humana completa, assim como uma natureza divina completa, pode ser dito que ele possui certas propriedades relativas a uma natureza, mas não a outra. Jesus, então, era onipresente em sua natureza divina, mas a natureza humana dele era espacialmente restrita e limitada a alguns lugares em Israel. Para mais, veja meu capítulo sobre a encarnação no “Philosophical Foundations for a Christian Worldview” (em português: Filosofia e Cosmovisão Cristã).
Pergunta 13:
Olá Dr Craig.
Eu só estou enviando este e-mail primeiramente para dizer que estou muito impressionado com o tempo e a energia que você dedicou em sintonizar finamente (desculpe o trocadilho) o argumento cosmológico Kalam para o silogismo bem estabelecido que é hoje. Por causa de sua dedicação trabalhosa e incessante é agora amplamente considerado um dos argumentos mais persuasivos e respeitados para a existência de um Criador.
No entanto, tenho feito pesquisas e notei alguns problemas com o argumento. Primeiramente você descreve as contradições que surgem quando você descreve o tempo como esta absolutamente infinita cadeia de eventos, não afetada por outras dimensões, com que eu concordo completamente. Isso é bem sustentado pela relatividade, que afirma que o espaço e o tempo estão intimamente interligados, e o tempo é apenas uma descrição da atividade no espaço. No entanto a premissa (2) do ACK parece cair, uma vez que faz um mortal para trás, afirmando "o universo começou a existir", o que implica, fortemente, tempo absoluto! Como é que pode o universo começar a existir se não havia um tempo real quando ele não existia? A maioria dos astrofísicos e cosmólogos concordariam que especular sobre o que era "antes do big bang" é tão sem sentido quanto especular o que está ao norte do pólo norte! Literalmente não faz sentido!
Também acho que o ACK depende da definição difusa da palavra "universo". Se definirmos o universo como "tudo o que existe em qualquer lugar", então Deus é parte do universo, e uma vez que você descreve Deus como atemporal e imutável, isso refuta (2). Se você defini-lo como a "totalidade da matéria e da energia dentro do espaço-tempo”, então você pode encontrar uma maneira de contornar isso, mas ainda há mais um obstáculo. Não se pode negar que as regras de causa e efeito são condicionais no continuum espaço-tempo, o espaço e o tempo são o meio pelo qual as coisas começam a existir, deixam de existir, sofrem de causa e efeito e assim por diante. Não é contraditório dizer que a premissa (1), que pode ser inferida a partir da causa e efeito também pode ser aplicada ao próprio universo real? Isso me lembra do Paradoxo Russel, que fala sobre as contradições que surgem quando você tenta fazer do conjunto um membro de si mesmo. Parece estranhamente circular para mim, porque você está pressupondo que existem regras transcendentes de causa e efeito que não são contingentes das condições de tempo e espaço!
Finalmente, na verdade eu encontrei esse contra-argumento atrevido na forma de silogismo Modus Ponens:
(1) Tudo que é senciente tem uma causa
(2) Um Criador pessoal seria senciente
(3) Portanto, um Criador pessoal teria uma causa
Seria ótimo ouvir seus pensamentos Dr. Craig. Muito obrigado por tirar o tempo para ler minha pergunta!
Rhys
- país não especificado
Dr. Craig responde:
Perdoe-me pela brevidade, Rhys! Na cosmologia da relatividade geral existe um tempo cósmico que mede a duração do universo que é finito em seu passado. Começar a existir não faz com que houvesse um tempo em que algo não existia; e, sim, podemos dizer que algo começa a existir em t se ele existe em t e não há tempo anterior t* < t em que aquele algo existia. O universo satisfaz esta condição.
O universo pode ser considerado como sendo o espaço-tempo e os seus pontos limite, juntamente com o conteúdo do espaço-tempo. Eu certamente disputo a reivindicação reducionista de que a causalidade está condicionada ao continuum espaço-tempo. Você não acha que Deus poderia ter criado seres angélicos antes da existência do espaço físico e do tempo? E causando eternamente certos objetos abstratos, se tal coisa existe?
Quanto ao silogismo, não vejo nenhuma razão para aceitar premissa (1). Por outro lado, o princípio da causalidade, que é a primeira premissa do argumento Kalam, é baseado na intuição metafísica de que existência vem apenas de existência, essa existência não é derivada do não-existência. Este tem sido um dos princípios metafísicos mais universalmente defendidos na história da filosofia desde Parmênides. Deus, se existe, é um ser senciente sem causa, de modo que o proponente de (1) tem de provar que o ateísmo é verdadeiro, se ele quer que nós a aceitemos.
- William Lane Craig