#534 Um Deus Todo-Amoroso é melhor?
June 03, 2018Olá Dr. Craig,
Quero dizer que eu amo extremamente seu trabalho, o qual fez meu interesse pelo cristianismo crescer.
A minha pergunta tem a ver com um dos seus principais argumentos contra o Islã, que é sua afirmação de que no Islã Deus é moralmente imperfeito porque ele não é todo amoroso.
Então, como eu entendo, seu argumento é:
1- Um ser moralmente perfeito deve ser todo-amoroso (Ele ama a todos)
2 - Existem vários versos no Corão, que diz que Deus não ama certas pessoas (portanto, não é todo-amoroso)
3- Logo, Alá não é um ser moralmente perfeito
Agora, minha pergunta é:
Qual justificativa você forneceria para acreditar na primeira premissa. Nos seus debates com os muçulmanos, você parece ter assumir isso como certo sem fornecer um bom caso para sua veracidade. Para mim, é está longe de ser óbvio que amar pessoas como Hitler ou Stalin seja moralmente bom. Eu não acho que devemos elogiar uma pessoa por ela dizer que ama todas as pessoas, incluindo Hitler ou Stalin etc. Por que não é possível que a perfeição moral implique amar as pessoas que merecem o amor, mas não todas as pessoas?
Obrigado
Raef
Jordânia
Jordan
Dr. Craig responde
A
Obrigado pela sua pergunta, Raef! Eu jamais recebi uma pergunta da Jordânia antes!
Para determinar que tipo de ser um ser moralmente perfeito deveria ser devemos consultar nossas intuições morais. É melhor ser justo do que preconceituoso? É melhor ser uma pessoa atenciosa ao invés de indiferente? É melhor considerar as outras pessoas como fins em si mesmas do que como simples meios para serem usados para os próprios de alguém? Normalmente podemos responder a tais perguntas pensando sobre como as pessoas devem se tratadas ou como pensamos que os outros deveriam nos tratar.
Então, a questão neste caso é se é melhor dar amor incondicional ao invés de exigir que o amor de alguém seja conquistado. Aqui temo que suas intuições morais tenham sido distorcidas precisamente pelo conceito muçulmano de Deus que eu menciono. Uma pessoa criada numa cultura muçulmana na qual a visão de Deus é de uma pessoa cujo amor é condicional e deve ser conquistado é capaz de ter suas intuições morais distorcidas por uma visão tão culturalmente dominante de Deus.
Mas uma pessoa pode superar seus preconceitos culturais, tentando retroceder e examiná-los objetivamente. Às vezes, pergunto aos alunos o que eles pensariam de um pai que diz aos seus filhos: "Se você atingir o padrão e fizer o que eu digo, ENTÃO eu vou te amar!" Alguns alunos tiveram pais assim e sabem o terrível dano emocional que um pseudo-amor como este causa nas crianças. Isso não é amor, mas sim abuso. O Deus do Corão é exatamente assim. Se você faz as orações e paga as esmolas e realiza ações justas, ENTÃO ele irá te amar.
O Deus do Islã é, portanto, tão moralmente defeituoso como um pai que retém o amor de seus filhos, a menos que eles o mereçam. O amor que é imerecido e gratuito é um amor muito maior do que o amor que é estendido a uma pessoa simplesmente como dívida. A pessoa que ganhou o amor não tem motivos para agradecer, já que ela mereceu. É precisamente o amor que é imerecido que gera ação de graças e louvor.
Não confunda amar Hitler e Stalin como pessoas com tolerar seus atos malignos. Podemos amar as pessoas más como pessoas e, portanto, esperar e orar para que se afastem do mal que escolheram.
Então, acho que a primeira premissa do argumento é bastante segura e, portanto, dá boas razões para rejeitar a concepção islâmica de Deus.
- William Lane Craig