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Doutrina da Revelação (Parte 4): A inspiração da Escritura

March 01, 2023

Inspiração

Nas nossas aulas, andamos a pensar sobre o modo em que Deus se revela de maneiras especiais à humanidade mediante o seu Verbo ou Palavra viva (o seu Filho Jesus Cristo), por meio da sua Palavra escrita nas Sagradas Escrituras e por meio de revelações particulares feitas a indivíduos, como sonhos, visões e assim por diante. A maneira principal em que conhecemos a Palavra de Deus hoje é por meio das Sagradas Escrituras. Poucos somos beneficiários de revelações particulares, e Jesus Cristo já ascendeu e está assentado à destra do Pai, de modo que dependemos da revelação de Deus nas Sagradas Escrituras como a sua Palavra para nós.

Isto nos traz, então, à questão da inspiração da Escritura. As Escrituras são inspiradas por Deus. Segunda Timóteo 3.16 é o locus classicus para este ensinamento: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar toda boa obra”. Observe o que se diz aí sobre a inspiração da Escritura. É a própria Escritura que é inspirada por Deus. A palavra, no caso, significa “soprada por Deus”. A inspiração não é, primordialmente, uma propriedade dos autores da Escrituras. É propriedade do próprio texto. Com muita frequência, as pessoas pensam que os autores da Escrituras foram inspirados por Deus para escrever o que escreveram. Porém, não é bem isto que 2 Timóteo 3.16 diz. Não é que os autores da Escritura eram inspirados; antes, o produto final é inspirado: o que eles escreveram (o texto) é soprado por Deus. Assim, a inspiração é, primordialmente, uma propriedade do texto, e não dos autores do texto. Penso que veremos que isto é importantíssimo.

Não quer dizer, obviamente, que os autores da Escrituras estivessem desprovidos da direção do Espírito Santo no que disseram ou escreveram. Vejam 2 Pedro 1.19-21:

Assim, temos ainda mais firme a palavra profética. E fazeis bem em estar atentos a ela, como a uma candeia que ilumina um lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vosso coração. Sabei antes de tudo que nenhuma profecia das Escrituras é de interpretação particular. Pois a profecia nunca foi produzida por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, conduzidos pelo Espírito Santo.

No caso, ao menos em relação a profecias contidas na Escritura, ele diz que o Espírito Santo estava envolvido na condução (e ali se diz “conduzidos” ou “carregados” pelo Espírito Santo). Assim, esses profetas, quando proferiam uma revelação de Deus, era o Espírito Santo que os estava conduzindo ou carregando, de modo que aquilo que falassem fosse de Deus.

Na passagem em Timóteo, vemos que a inspiração é, primordialmente, uma propriedade do texto. O texto que é soprado por Deus e inspirado por ele, sendo, portanto, a Palavra de Deus para nós. Em segundo lugar, vemos em 2 Pedro que os autores da Escritura foram conduzidos pelo Espírito para dizer o que disseram.[1]

Esta é a doutrina da inspiração da Escritura. Queremos perguntar, então: “E a extensão da inspiração?”. No caso, queremos observar três propriedades da inspiração da Escritura.

1. A inspiração escriturística é plenária. Quer dizer, todas as Escrituras são inspiradas por Deus. É o que diz 2 Timóteo 3.16. Toda a Escritura é inspirada por Deus. Assim, não é só parte dela que é inspirada por Deus, mas toda ela. A Escritura carrega consigo a propriedade da inspiração plenária. Por isso, não se pode pôr de lado certos livros da Bíblia como se não fossem inspirados e considerar outros como se fossem genuinamente inspirados. Toda a Escritura é inspirada por Deus.

2. A inspiração escriturística é verbal. Ou seja, as próprias palavras da Escritura são inspiradas. A propriedade de inspiração plenária diz respeito à amplidão da inspiração. Inspiração verbal diz respeito à profundidade da inspiração. Não é só que todos os livros da Bíblia sejam inspirados por Deus. É disso que trata a inspiração plenária. É, de fato, que até no nível de cada palavra empregada se dá assim também. Cada palavra é inspirada por Deus. É isto que quer dizer inspiração verbal.

Para mostrar que esta é a atitude dos autores da Escritura diante da Escritura, vejam, por exemplo, como eles, às vezes, fundamentam um argumento numa única palavra ou até uma única letra no texto, a fim de fazer uma observação teológica. Por exemplo, em João 10.34-36, Jesus discute com líderes religiosos da sua época sobre a sua afirmação de ser o Filho de Deus. Em João 10.34-36, lemos o seguinte:

Jesus lhes respondeu: “Não está escrito na vossa lei: ‘Eu disse: Sois deuses?’ Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a Escritura não pode ser anulada, por que, então, dizeis "tu blasfemas" àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo por eu ter dito: “Sou Filho de Deus?"

Pouco importa, no caso, o argumento que Jesus dá para não estar blasfemando. Não é este o enfoque. O que queremos observar é que, quando Jesus cita os Salmos, ele se refere a uma única palavra encontrada em Salmo 82.6, a palavra “deuses”.

Igualmente, vejam o argumento de Paulo em Gálatas 3.16. No caso, ele está falando das promessas feitas a Abraão e à sua semente. Paulo diz:

Assim, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente. A Escritura não diz: “E a teus descendentes”, como se falasse de muitos, mas como quem se refere a um só: “E a teu descendente, que é Cristo”.

 

Mais uma vez, pouco importa o argumento que Paulo está propondo aqui. A questão é que o argumento que ele propõe depende de a única palavra “descendente” ou “semente” estar no plural ou no singular. Ele diz que a profecia não diz o plural (às tuas “sementes” ou aos teus “descendentes”), mas à tua semente (descendente), no singular, e se trata de Jesus Cristo. Ele enxerga a passagem como referência, primordialmente, a Cristo. Independentemente do que se pense sobre o argumento de Paulo, a questão é que ele se articula a partir da diferença entre uma única palavra da Escritura, a depender de estar ela no plural ou no singular.[2]

Por isso, a inspiração da Escritura não pode ser considerada como se fossem apenas ideias gerais da Escritura a serem inspiradas — que aquilo que Deus inspirou é uma ideia num verso ou passagem —, mas não se estendesse às próprias palavras. Penso que vimos que o argumento que se propõe com frequência depende apenas de uma única palavra ou forma verbal, não podendo, portanto, ser tratado como se fosse simplesmente a ideia geral que o autor partilha como inspirada, mas que o autor pôde escolher quaisquer palavras que quisesse para expressar tal ideia.

Os teólogos costumam falar da Escritura como a revelação proposicional de Deus. Quando se escuta este termo, não se deve entender a palavra “proposicional” com o sentido que os filósofos dão a proposições. É muito confuso. Quando o filósofo fala de proposição, quer dizer o conteúdo informativo da frase. A mesma proposição pode ser expressa com frases completamente diferentes. Por exemplo, a frase “a neve é branca” no vernáculo. “Snow is white” é frase completamente diferente. Nenhuma delas tem palavras em comum. O vernáculo tem quatro palavras; em inglês, são três palavras. Ainda assim, ambas expressam a mesma proposição. Têm o mesmo conteúdo proposicional — o mesmo conteúdo informativo —, a saber: a neve é branca. Assim, quando os filósofos falam de proposições, é isto que querem dizer. Querem dizer o conteúdo informativo expresso por frases. Porém, não é nisto que pensam os teólogos ao falarem da revelação proposicional de Deus. O que teólogos pretendem com proposicional, na minha opinião, seria melhor expresso pela palavra “fraseológico”. Ou seja, as frases da Escritura são inspiradas por Deus. Deus revelou-se no seu Verbo ou Palavra, Jesus Cristo, numa pessoa viva, mas ele revelou-se nas Escrituras com frases. Ele inspirou certas declarações linguísticas. Estas são, portanto, a sua Palavra para nós. Por isso, não confunda a noção de revelação proposicional com aquilo que querem dizer os filósofos, pois, do contrário, não se chegará à inspiração verbal. Caso se diga que Deus meramente inspirou o conteúdo proposicional da frase, no sentido dos filósofos, não se obterá, por exemplo, “a neve é branca”, “snow is white”, “la neige est blanche” ou “der Schnee ist weiß”. Qualquer uma delas seria expressão verbal do mesmo conteúdo proposicional. Assim, creio haver a tentação de dizer, como filósofo: “O que Deus inspirou não são bem as palavras da Escritura; ele inspirou o conteúdo proposicional da Escritura, e isto se pode dar de diferentes formas”. Assim, uma Bíblia no vernáculo, por exemplo, é tão inspirada quanto uma Bíblia em inglês. As duas têm o mesmo conteúdo proposicional inspirado. No entanto, só para enfatizar mais uma vez, não é isto que os teólogos querem dizer quando falam de revelação proposicional. Querem, de fato, dizer revelação fraseológica: Deus se revelou em frases (declarações linguísticas) hebraicas e gregas. Ele não se revelou em alemão, inglês ou sânscrito. Ele se revelou em frases hebraicas e gregas.

Daí, a implicação um tanto estranha, na minha opinião, de que apenas o texto grego e hebraico seja, realmente, a Palavra de Deus inspirada. Caso se leve a sério a revelação verbal, são essas palavras hebraicas e grega inspiradas por Deus. Não é a Bíblia na minha língua. Estas palavras não foram inspiradas por Deus.[3] As palavras que Deus inspirou, sopradas por Deus, são as palavras originais em grego e hebraico, e é por isso que, na minha opinião, temos tremendo incentivo para aprender as línguas bíblicas, de modo a podermos trabalhar com dicionários de grego e hebraico, além de outras ferramentas, a fim de entender o texto e o significado original.

Devo dizer que, ao pensar a este respeito, a noção de inspiração verbal se aproxima muito, na verdade, da ideia muçulmana do Alcorão. O muçulmano diria que, quando se lê o Alcorão traduzido no vernáculo, não se está lendo bem o Alcorão, pois não se está lendo o original em árabe. Assim, caso você veja um Alcorão na sua língua, costumará ver na capa: “Tradução do Alcorão”. Não é bem um Alcorão. É uma tradução do Alcorão. Penso, com relutância, que é bem esta mesma posição a que a inspiração verbal nos compromete como cristãos. O texto inspirado por Deus são as frases originais em grego e hebraico. O que tenho aqui é uma tradução da Palavra de Deus. Se for tradução boa, ela me dará, no sentido do filósofo, o mesmo conteúdo proposicional. Conseguirei entender o conteúdo proposicional que o hebraico e grego expressaram. Entretanto, quando se pensa no que é inspirado (lembrem-se que dissemos que toda a Escritura é inspirada por Deus, não sendo os autores da Escrituras inspirados, mas, sim, o texto inspirado por Deus e soprado por Deus), de qual texto estamos falando? Parece-me que a conclusão é inescapável: é o texto hebraico e grego. É o que foi inspirado por Deus. Sublinha-se, assim, a importância de buscar voltar ao texto original quando se faz exegese ou estudo bíblico para assegurar-se de que ele está sendo entendido, porque, por vezes, as nossas traduções são inadequadas ou equivocadas.

DISCUSSÃO COMEÇA

Aluno: Além das línguas a estudar, perguntaríamos também qual versão? Digamos que tenhamos múltiplas transcrições: qual está correta?

Dr. Craig: Com certeza! Espero que entendam a pergunta dele. Foi a seguinte: “Qual é o texto original?”. Não temos mais os autógrafos, o manuscrito original que Paulo, de fato, escreveu, por exemplo, aos colossenses, ou o Evangelho de Lucas que foi, de fato, escrito por Lucas. O que temos são cópias de cópias de cópias. Sabemos que, na transcrição e manuseio do texto, muitos erros de copistas foram introduzidos. Centenas de milhares de erros de copistas foram introduzidos na transmissão do texto. Por isso, biblistas têm interesse vital em conseguir reconstruir o texto original da forma mais precisa possível. Felizmente, no caso do Novo Testamento, conseguimos fazê-los com enorme grau de precisão. Das 138 mil palavras contidas no Novo Testamento, creio que só 1400 palavras, aproximadamente, ainda são incertas. Não temos certeza exata de qual texto ler nesses casos. Nenhum deles é significativo. Nenhuma doutrina depende de uma dessas variantes textuais. Por exemplo, uma estaria em 1 João, quando ele diz: “Estas coisas vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa”. Outros manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos para que a vossa alegria seja completa”. A diferença é o pronome pessoal “nossa” ou “vossa”. Não temos muita certeza do que disse o texto original, neste caso. Assim, caso você tenha um Novo Testamento, verá que na parte inferior da página estará o chamado aparato, onde se listam as diversas variantes textuais e o grau de certeza que temos no texto que reconstruímos.

Infelizmente, algumas pessoas inescrupulosas, como Bart Ehrman, tentam abusar desta incerteza em nível popular, implicando que o texto do Novo Testamento é enormemente incerto, porque todos esses erros foram introduzidos.[4] Porém, o que ele não esclarece ao leigo é que é a tarefa mesma dos estudiosos críticos comparar a riqueza de manuscritos que temos, de modo a conseguir determinar qual seja a lição original. Lembro ouvir entrevista de Ehrman na rádio, em que o entrevistador disse em dado momento: “Pois bem, o que você acha que o texto original do Novo Testamento realmente disse?”. E Ehrman respondeu: “Como assim?”. Ele disse: “Você explicou que todos esses erros de cópia foram introduzidos. Então, o que você acha que o original disse de verdade?”. Ehrman respondeu: “Disse exatamente o que diz o texto que temos hoje”. Ele disse: “Mas pensei que você tivesse dito que há todas essas incertezas e erros na transcrição...”. E Ehrman respondeu: “Ah, sim, mas conseguimos reconstruir o texto original. Por isso, agora sabemos com certeza de uns 99% o que o texto original disse”. Assim, pode-se ver que a questão ganha uma feição bem diferente.

Mas a sua pergunta está bastante correta. Se o original grego e hebraico é que soprado por Deus, sem dúvida alguma, será importante que reconstruamos o texto original da melhor forma que pudermos e que leiamos Bíblias baseadas em traduções dos melhores e mais antigos manuscritos. É por isso que, apesar de toda a sua beleza literária, a Bíblia do Rei Tiago [King James Bible] não deveria ser usada pelos cristãos em estudo bíblico sério, hoje em dia. Ela se baseia na família de textos bizantina, que é a pior e mais corrupta família de textos do Novo Testamento. Porém, quando se tem uma tradução moderna, como Revised Standard Version, American Standard Version, English Standard Version ou NIV, a leitura será de uma tradução baseada nos melhores manuscritos disponíveis atualmente. Por isso, é possível ter elevado grau de confiança de que, ao ler essas palavras, ao menos no original grego, estará diante das próprias palavras que Paulo, Lucas ou João escreveram.

Aluno: Ouvi dizer que, em algumas dessas situações, pode-se debater qual era a intenção da Escritura. Volta-se para o modo em que se interpretaria uma palavra grega ou hebraica. Por exemplo, a defesa do comportamento homossexual. Ouvi dizer que, no texto original, a palavra usada, às vezes, significa “relação entre homens e meninos”, e não necessariamente só entre dois homens. Teria sido esta a intenção, em vez do comportamento homossexual entre dois homens? Como resolver estas questões da intenção de determinado uso da palavra, mesmo que se tenha a palavra original?

Dr. Craig: Você está indicando que este tipo de estudo vocabular é crucial e comum na exegese do Novo Testamento. Você está correto, no seu exemplo em Romanos 1, de que há quem tente defender as relações homossexuais dizendo que o que está, de fato, sendo condenado é a pederastia, o uso de meninos por homens para o prazer sexual. Mas, então, outros olharão para o texto e defenderão que não é nada disso que o texto diz, especialmente quando trata de mulheres tendo relações antinaturais com outras mulheres. E é assim que caminha a exegese. É, simplesmente, inevitável que as pessoas apelem para o texto original grego a fim de justificar a sua própria interpretação. No caso, o leigo fica, francamente, à mercê dos estudiosos, porque ele não sabe quem está certo. Por isso, penso que a melhor coisa que o leigo pode fazer (além de aprender grego ou aprender a usar o software Logos,[5] por exemplo) é encontrar estudiosos nos quais se possa confiar de verdade e cujo juízo seja confiável na elaboração de veredicto abalizado.[6] Não consigo enxergar outro caminho além deste.

Aluno: Qual é o papel de uma concordância para o leigo? Por exemplo, a Versão do Rei Tiago é, notoriamente, pouco confiável, mas existe uma concordância para ela. Será que ajuda, de algum modo, a levar o leigo para mais perto de qual fosse a intenção ou quais fossem as palavras reais a serem traduzidas?

Dr. Craig: Não da forma em que entendo a palavra concordância. A minha Bíblia tem uma concordância no fim, que é uma espécie de índice verbal. Se procuro a palavra “regozijar-se”, ela me dá todas as referências bíblicas para o uso de “regozijar-se”. Lá está “reinar” e todos os versículos onde a palavra aparece. Ou “memória” ou “remover”. Uma concordância é só um índice da tradução. É um índice de assuntos ou de nomes. Mas ela se baseia na tradução, e não no original grego ou hebraico. Assim, a concordância não é exatamente o que você precisa. Você precisa de um dicionário bíblico, e não de uma concordância. O dicionário bíblico vai de A a Z em diferentes tópicos, dando-lhe as línguas originais, as nuanças e assim por diante. Assim, por exemplo, se você pegar o seu dicionário bíblico e procurar o verbete sobre “Satanás” (se quiser ler sobre Satanás), ele lhe dirá a respeito das diferentes palavras empregadas em hebraico e grega para esta figura, onde ele aparece na literatura extrabíblica da época, dando-lhe este tipo de conhecimento mais profundo do modo em que as palavras são utilizadas. Penso que todo cristão maduro deveria ter um bom dicionário bíblico na sua biblioteca para poder consultar quando fizer estudo bíblico sério.

Aluno: Parece haver esta pressuposição de que 2 Timóteo também seja aplicável ao Novo Testamento, de que o Novo Testamento também é inspirado. Como é que sabemos que todo o Novo Testamento se qualifica como Escritura?

Dr. Craig: Correto. Obviamente, 2 Timóteo não está falando do Novo Testamento. Está falando das Escrituras judaicas que Timóteo aprendera desde a infância. A sua pergunta tem a ver com o porquê de considerarmos o Novo Testamento como inspirado. Trataremos desta questão um pouco mais adiante. Mas você tem bastante razão em dizer que 2 Timóteo está falando do Antigo Testamento, da Bíblia hebraica.

Aluno: E os comentários?

Dr. Craig: Penso que comentários também são muito esclarecedores sobre o texto. Eu os encorajo, quando fizerem estudo bíblico ou estudo de algum livro bíblico, a arranjarem alguns bons comentários bíblicos escritos, repito, por autores confiáveis. Por exemplo, uma das coisas que fiz nos meus devocionais anos atrás foi pegar o comentário de William Lane (não é meu parente!). Ele era um ótimo estudioso de Novo Testamento na área do Evangelho de Marcos. Era um pequeno comentário de um volume sobre Marcos, escrito por um excelente estudioso de Novo Testamento. O que eu fazia era ler uma breve passagem em Marcos naquela manhã e, então, ler o comentário de Lane sobre o livro de Marcos. E caramba! Era esclarecedor! Oferecia mesmo muitas informações contextuais sobre o texto e me ajudava a ver aplicações e significados que Marcos continha, mas eu não tinha enxergado. Por isso, definitivamente, comentários também são, na minha opinião, ótima ferramenta para usar, em especial ao fazermos o estudo de um livro bíblico.

Acho que, no caso, estamos falando do que deve haver na biblioteca do cristão. Penso que é triste como o cristão mediano fica, simplesmente, sem saber destes recursos. Ainda assim, existem em abundância. Há centenas de coisas assim, caso você saiba onde procurá-las. Todos nós devemos ter um dicionário bíblico, devemos ter diversas traduções diferentes das Escrituras, a fim de compará-las umas com as outras; e, se fizermos estudo bíblico, acho que devemos arranjar alguns bons comentários bíblicos. Se não quiser comprá-los, pode pegá-los emprestado de bibliotecas. De fato, aqui na igreja, você consegue obter este tipo de material de graça.[7]

Aluno: [inaudível]

Dr. Craig: Sério? Crosswalk.org? OK.

DISCUSSÃO TERMINA

 

Isto nos traz ao fim da sessão. O que faremos da próxima vez é discutir a propriedade da Escritura de ser confluente, ou seja, tanto o produto de autoria humana quanto de autoria divina, e indagar qual teoria de inspiração pode ajudar-nos a melhor entender como a Escritura pode ser tanto a Palavra de Deus quanto a palavra do homem, simultaneamente.[8]

 


[1] 5:00

[2] 10:04

[3] 14:57

[4] 20:15

[5] Ver http://www.logos.com (acesso em 07 de dezembro de 2014).

[6] 25:05

[7] 30:05

[8] Duração total: 30:57 (Copyright © 2014 William Lane Craig)