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#709 A inerrância bíblica é defensável?

March 23, 2021
Q

A inerrância é defensável, ou sequer vale a pena tentar defendê-la, dados os problemas a seguir?

*inerrância se aplica apenas aos documentos originais, que não temos e não poderíamos identificar, mesmo que os tivéssemos

*embora sejam, em sua maioria, triviais, há muitíssimas variações pequenas nos manuscritos disponíveis

*nosso conhecimento de contextos culturais milhares de anos atrás é incompleto

*observe “o sentido desta palavra é incerto” e outras notas de rodapé de tradução na NIV, que mostram dificuldades de tradução; nosso conhecimento de línguas de milhares de anos atrás é incompleto

*as traduções para línguas modernas são diversas; por exemplo, procure um verso qualquer no site Bible Gateway e clique no link “em todas as traduções em inglês” para ver quanta variação existe em mais de 50 traduções

*E aqui vai a parte mais importante: interpretação. Não há interpretações inspiradas que acompanhem os textos originais. Por isso, as denominações têm teologias significativamente divergentes, a maioria delas supostamente baseada no que são, em essência, as mesmas Escrituras.

Deus usa seres humanos falíveis para pregar o evangelho, traduzir as Escrituras, escrever comentários e desenvolver teologias. Eles nem sempre o fazem perfeitamente. Então, por que seria problema admitir a possibilidade de que alguns erros humanos tenham se insinuado nos textos originais? À luz do que foi dito acima, que diferença isso faz?

Creio que tenho uma visão elevada das Escrituras. Para mim, o conteúdo é tão poderoso que sobrepuja quaisquer erros, desde a transmissão da mensagem divina original até ao fim da linha. E, apesar da tradução e outros problemas, funciona para pessoas que falam muitas línguas distintas, em diferentes épocas da história, com condições sociais diferentes etc. Em última instância, funciona para “quem tiver ouvidos para ouvir”. Eu poderia acrescentar mais uma pergunta: o que perdemos ao largar mão da inerrância?

Ralph

Estados Unidos

Dr. Craig responde


A

Escolhi a sua pergunta esta semana, Ralph, porque acabei de completar o capítulo inicial, De Scriptura sacra (Da Sagrada Escritura), do meu projeto de teologia filosófica sistemática. Já que escrever sobre a doutrina das Escrituras me deu a oportunidade de abordar a questão da inerrância bíblica, tenho o prazer de compartilhar minhas ideias aqui.

A sua pergunta mistura duas questões distintas: (1) Será que cristãos deveriam afirmar a doutrina da inerrância bíblica? E (2) será que a doutrina da inerrância bíblica é defensável? Tratemos de uma de cada vez.

Primeiramente, será que devemos afirmar a doutrina da inerrância bíblica? A doutrina da inerrância bíblica é correlata da doutrina da inspiração bíblica. Segunda Timóteo 3.16 nos garante: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”. Obviamente, Paulo (ou o autor) está falando das Escrituras judaicas, nosso Antigo Testamento. Porém, na medida em que se crê que os escritos do Novo Testamento pertencem à Sagrada Escritura (2 Pedro 3.16), eles também têm esta propriedade. A característica mais notável das afirmações de 2 Timóteo 3.16 é que, em contraste marcante com o judaísmo helenístico, aqui não se fala que os profetas ou mesmo os autores das Escrituras são inspirados, mas, sim, as próprias Escrituras. Diz-se que são “sopradas por Deus” (theopneustos), que procedem, por assim dizer, “da boca de Deus” (Mateus 4.4). O comentarista I. H. Marshall diz: “O objetivo do adjetivo aqui é, sem dúvida, enfatizar a autoridade das Escrituras como provenientes de Deus e indicar que têm um propósito divinamente concebido, relacionado ao seu plano de salvação”.[1]

Como a Escritura é inspirada, diz-se que é proveitosa para vários fins, tanto pedagógicos (ensino e repreensão) quanto pastorais (correção e instrução em justiça).[2] Em primeiro lugar, ela é valiosa para a instrução na doutrina cristã (didaskalia). Nas Epístolas Pastorais, didaskalia é o termo técnico para o conteúdo doutrinário das Escrituras.[3] “Em vez de descrever a mensagem básica do evangelho, didaskalia descreve as formulações doutrinárias do evangelho (cf. 1 Timóteo 4.6)”.[4] Nesse mesmo contexto de lidar com falsos mestres, “repreensão” (elegmos) indica a refutação da falsa doutrina. A Escritura, portanto, serve não apenas ao fim da pregação, mas também da são doutrina (2 Timóteo 4.2-3).

Implícito no que dizemos é o entendimento de que a inspiração escriturística é de natureza tanto plenária quanto verbal. “Plenária” e “verbal” indicam, respectivamente, amplidão e profundidade, por assim dizer, da inspiração escriturística. Em relação à inspiração plenária, uma vez que todas as Escrituras são inspiradas por Deus (2 Timóteo 3.16), segue daí que não apenas a profecia ou o discurso divino direto são as palavras de Deus, mas toda a Escritura. Qualquer livro considerado parte da Escritura sagrada é, ipso facto, inspirado do começo ao fim.

Além disso, sendo soprada por Deus, a Escritura deve ser inspirada verbalmente, ou seja, as próprias palavras da Escritura são sopradas por Deus. Embora seja tentador pensar que é o conteúdo proposicional que é inspirado, independentemente da linguagem em que esse conteúdo é expresso, uma breve reflexão revela que, como depósito linguístico, como graphē (2 Timóteo 3.16), devem ser as palavras da Escritura que são inspiradas. Isso não precisa implicar que diferentes palavras não poderiam ter sido escolhidas pelo autor humano que talvez servissem com igual eficácia ao mesmo fim, mas simplesmente que essas palavras que foram escolhidas são divinamente inspiradas.

Curiosamente, então, são os textos originais hebraicos, aramaicos e gregos das Escrituras que são inspirados, e não as diversas traduções. Daí, o interesse extremo no trabalho de críticos textuais em estabelecer o texto original, com o qual traduções posteriores são comparadas e por meio do qual são constantemente reavaliadas. O texto original é o padrão pelo qual toda tradução é medida. O fato de que os escritores do Novo Testamento citem com mais frequência o Antigo Testamento em grego, em vez do texto hebraico, não compromete a doutrina da inspiração verbal mais do que o fazem anglófonos que citam traduções em inglês que eles e o seu público entendem.

Há quem entenda que a inspiração verbal implique que apenas os autógrafos escriturísticos, agora perdidos, é que foram inspirados. Ora, aparentemente, os erros dos copistas não são inspirados, uma vez que não eram parte do texto soprado por Deus, mas corrupções dele. Pela mesma razão, traduções do texto não são inspiradas, mas constantemente revisadas. Porém, a perda dos autógrafos não implica a perda da Palavra de Deus. Ao distinguir entre tipos e testemunhos de obras literárias, podemos afirmar que qualquer testemunho do mesmo tipo é tão inspirado quanto o original. Duas cópias físicas de Guerra e paz, de Tolstói, por exemplo, não são objetos idênticos, mas, mesmo assim, pode-se dizer que contêm o mesmo romance, que não deve ser identificado com nem um dos exemplares físicos. Assim, dois testemunhos do Novo Testamento são igualmente inspirados, se o tipo deles o é. Afinal, são idênticos nas suas palavras.

Do mesmo modo, implícitas no que dissemos estão inúmeras conclusões importantes relacionadas à doutrina da Escritura. Primeiramente, a Escritura é comunicação verbal de Deus para o homem e, portanto, nesse sentido, revelação proposicional de Deus. Em segundo lugar, como revelação divina ou comunicação de Deus, a Escritura carrega a autoridade de Deus. Em terceiro lugar, a Escritura nos comunica com autoridade diversas verdades sobre Deus. Em quarto lugar, enquanto Palavra autorizada de Deus para nós, a Escritura é verdadeira em tudo o que ensina.

A quarta implicação é conhecida, entre teólogos evangélicos, como a doutrina da inerrância.[5] Esta doutrina controversa é desprezada por muitos, desnecessariamente. Conforme observa James Orr, o autor de 2 Timóteo 3.16 não diz que a inspiração divina da Escritura “assegurou a inerrância verbal em questões históricas, geográficas, cronológicas ou científicas ordinárias. Mas parece, no mínimo, claramente subentendido que não houve nenhum erro que pudesse interferir ou anular a utilidade da Escritura para os fins especificados”.[6] Não apenas parece filosoficamente inconcebível que Deus pudesse nos ensinar falsidades doutrinárias, mas a própria Escritura afirma explicitamente que aquilo que Ele nos ensina são verdades doutrinárias. A pergunta controversa, portanto, não deve ser: “Será que a Escritura é verdadeira em tudo o que ensina?”, mas, sim, “O que a Escritura ensina?”.

Na verdade, os evangélicos conhecem bem o que se costuma referir como “os fenômenos da Escritura”, que muitas vezes parecem discordar da verdade literal do que certa passagem escriturística diz. Inerrantistas costumam estar bem dispostos a negar, em casos de falsidade histórica, geográfica ou científica, que as Escrituras ensinam ou afirmam as falsidades em questão. Um exemplo que é quase embaraçoso por ser tão óbvio, mas útil precisamente por isso, é a comparação que Jesus faz do Reino de Deus com uma semente de mostarda: “O reino do céu é comparável a um grão de mostarda que um homem pegou e semeou em seu campo. Mesmo sendo a menor das sementes, quando cresce é o maior dos arbustos e torna-se uma árvore, de modo que as aves do céu vêm e se aninham nos seus ramos” (Mateus 13.31-32). É indiscutível que o conteúdo do ensino de Jesus não é botânica, mas a natureza pouco auspiciosa do irromper do Reino de Deus na sua pessoa. Por isso, embora seja falso que a semente de mostarda é a menor de todas as sementes, ninguém que seja são considera que as palavras de Jesus estejam ensinando falsidade.

Muitos inerrantistas enfatizam que é impossível separar história de doutrina cristã, de modo que aquilo que as Escrituras ensinam sobre história deve ser tão verdadeiro quanto o que elas ensinam sobre teologia.[7] Em especial, a morte e a ressurreição de Jesus devem ser afirmadas como eventos históricos por qualquer cristão fiel à Bíblia. Devemos concordar que a doutrina cristã costuma estar intimamente ligada com a historicidade de determinados eventos e devemos examinar, caso a caso, se isso é mesmo verdade em dado evento. Com certeza, é verdade no caso da morte e ressurreição de Jesus, tão centrais para a doutrina cristã da salvação (1 Coríntios 15.17). No entanto, embora a historicidade desses eventos pertença ao ensino das Escrituras, é muito menos claro que muitos dos detalhes em torno desses mesmos eventos pertençam ao ensino das Escrituras. Os evangelistas, evidentemente, tiveram boa dose de liberdade ao relatar as suas histórias, de modo que a precisão detalhada nem sempre era importante.

J. D. G. Dunn enfatizava que a transmissão de tradição oral é caracterizada por “tanto elementos de estabilidade quanto elementos de variabilidade — estabilidade de assunto e tema, de detalhes principais ou intercâmbios centrais, variabilidade nos detalhes secundários e nas ênfases particulares a serem extraídas”.[8] Quem executa a tradição oral tem liberdade de variar nos detalhes incidentais da sua história, desde que os temas centrais e as frases principais se mantenham. Nos evangelhos, a tradição oral de Jesus nos foi congelada no tempo. Com base no seu estudo do evangelhos, Dunn tira duas conclusões: primeiro, “as variações entre as diferentes versões da mesma história na tradição não indicam uma atitude arrogante ou falta de interesse histórico diante dos eventos narrados... Pelo contrário, as variações exemplificam o caráter do recontar oral”.[9] Segundo, “as diferenças introduzidas pelos evangelhos, quer como diversidade oral, quer como edição literária, encontram-se consistentemente no caráter de abreviação e omissão, esclarecimento e explicação, elaboração e extensão de motivo... elas não parecem constituir nenhuma mudança radical na substância ou caráter ou enfoque da história contada”.[10] Esses resultados não animam “nem aqueles que só se contentam com a historicidade de cada detalhe e palavra do texto, nem aqueles que só conseguem enxergar e ouvir neles a fé das primeiras igrejas”.[11]

Considere, por exemplo, a história da negação que Pedro fez de Jesus, após a prisão deste.[12] Todos os evangelistas relatam a história de como Pedro seguiu o grupo que o prendia até a casa do sumo sacerdote, onde, no pátio, ele foi confrontado sucessivamente por várias pessoas, em especial uma serva, a respeito da sua relação com Jesus, o que ele nega cada vez. Depois da terceira acusação, imediatamente o galo canta, assim como Jesus predissera. João parece trabalhar a partir de uma fonte independente (João 19.15-16), mas, somente nos evangelhos sinópticos, detalhes sobre Pedro se aquecendo junto à fogueira e a sua auto-imprecação podem ou não ser incluídos na história. Além disso, a identidade dos seus três acusadores entra em conflito, assim como o número de cantos do galo, levando alguns inerrantistas a propor a harmonização dos relatos, mantendo que Pedro, na verdade, negou Jesus seis vezes. Tal harmonização não apenas é incapaz de lidar com o caráter da tradição oral, mas reconcilia os detalhes somente à custa de negar a afirmação unânime dos evangelistas de que Pedro negou Jesus três vezes. Neste caso, é mais plausível manter que os evangelistas se contentam em permitir que a história da tríplice negação de Pedro seja contada de maneiras diferentes, desde que o ponto central se mantenha. Não se teria pensado que um relato que exibe tamanha flexibilidade ensinasse erro como se fosse verdade.

Assim, os fenômenos da Escritura nos exigem, com bastante razão, entender a inerrância escriturística a partir da veracidade da Escritura em tudo o que ela ensina, e aprendemos indutivamente o que a Escritura ensina por meio de um exame da própria Escritura. Tal exame revela que os diversos fatos de ciência, história e assim por diante talvez não pertençam ao ensino da Escritura, como o fazem verdades doutrinárias.

Por fim, no que diz respeito à importância e utilidade da inerrância escriturística, na ausência de uma Escritura inerrante, o fundamento da doutrina cristã seria fortemente solapado. Embora seja verdade que algumas doutrinas cristãs — por exemplo, a existência de Deus ou a ressurreição de Jesus — possam ser conhecidas sem o ensino autorizado da Escritura e, portanto, não seriam solapadas pela demonstração de que as Escrituras ensinam falsidades, ainda assim a fé cristã, com toda certeza, ficaria seriamente comprometida em relação a diversas doutrinas — por exemplo, justificação pela graça mediante a fé — sem uma autoridade de ensino inerrante. Uma vez que parte importante da doutrina cristã não pode ser estabelecida independentemente das Escrituras, a falibilidade das Escrituras em questões doutrinárias solaparia fortemente a fé cristã.

A doutrina da inerrância bíblica estabelece uma espécie de suposição padronizada da verdade das afirmações das Escrituras que pode proteger a teologia do dano doutrinário, assim como a presunção de inocência até que se prove o contrário serve para proteger da injustiça cidadãos em democracias ocidentais. Algum tipo de argumento convincente será exigido para condenar as Escrituras por falsidade em qualquer caso, e o inerrantista pode apresentar defesas da verdade das Escrituras nesse sentido. Caso não o consiga, o inerrantista pode negar que a falsidade pertença ao ensino das Escrituras e fornecer argumentos exegéticos que o apoiem. O problema da verdade da doutrina da inerrância surgiria apenas caso alguma declaração das Escrituras pertencesse incontestavelmente ao ensino das Escrituras, mas fosse demonstravelmente falsa.

Já foi demais para a sua primeira pergunta! E a segunda: será que essa doutrina é defensável? Penso que sim. Conforme o discerne corretamente Richard Swinburne, o principal desafio a tal doutrina hoje será ético.[13] Muitos alegarão que o ensino bíblico sobre a ética sexual, por exemplo, é ultrapassado e imoral. Uma apologética robusta será exigida para refutar tais desafios.

No entanto, as objeções que você elenca no seu parágrafo de abertura foram, em grande parte, rebatidas por meio de uma formulação adequada da doutrina da inerrância:

*a veracidade do texto original não é afetada por nosso acesso a ele; em todo caso, temos o texto dos autógrafos, mesmo que não tenhamos os autógrafos em si.

*a veracidade do texto original não é afetada por erros de copistas; em todo caso, as variações nos manuscritos são triviais, de modo que nenhuma doutrina cristã depende delas.

*a veracidade do texto original não é afetada por nossa incerteza acerca da cultura antiga; em todo caso, sabemos muito mais da cultura do primeiro século do que qualquer outra geração anterior, e nenhuma doutrina cristã depende de nenhuma incerteza.

*a veracidade do texto original não é afetada por nossa incerteza acerca do significado de diversas palavras; em todo caso, as palavras cujos significados permanecem incertos são mais do que compensadas pelo ensino claro das Escrituras.

*a veracidade do texto original não é afetada por traduções em línguas modernas; de fato, a pluralidade de traduções é grande benefício para entender as nuanças do texto original.

*a veracidade do texto original não é afetada pela ausência de interpretações inspiradas; felizmente, as principais confissões cristãs concordam na maior parte dos pontos doutrinários essenciais.

Acho que você consegue perceber que essas preocupações não são, de modo algum, objeções à inerrância bíblica, mas suscitam, principalmente, questões hermenêuticas (ou interpretativas).

 

[1] I. Howard Marshall, A Critical and Exegetical Commentary on the Pastoral Epistles, International Critical Commentary (Londres: T. & T. Clark International, 1999), pp. 794-795.

[2] A Escritura, portanto, satisfaz aos desiderata de Michael Rea para uma autoridade, especificando tanto o seu domínio de autoridade (doutrina e moralidade) quanto tipo de autoridade (teorética e prática) (Michael C. Rea, “Authority and Truth”, em The Enduring Authority of the Christian Scriptures, ed. Donald A. Carson [Grand Rapids: William B. Eerdmans, 2016]).

[3] William D. Mounce, Pastoral Epistles, Word Biblical Commentary 46 (Grand Rapids: Zondervan, 2000), p. 570. Dos quinze usos nas Epístolas Pastorais, didaskalia é empregado nove vezes para denotar o conteúdo, e não a atividade, do ensino (1 Timóteo 1.10; 4.1, 6; 6.1, 3; 2 Timóteo 4.3; Tito 1.9; 2.1, 10).

[4] Mounce, Pastoral Epistles, p. 42.

[5] Assim, por exemplo, a Declaração de Chicago sobre Inerrância Bíblica, que representa a visão de muitos teólogos evangélicos, afirma: “Sendo dada por Deus plena e verbalmente, a Escritura não tem erros ou falhas em tudo o que ensina, tanto no que afirma sobre os atos de Deus na criação, sobre os eventos da história mundial e sobre as suas próprias origens literárias sob Deus, quanto no seu testemunho da graça salvadora de Deus nas vidas de indivíduos” (“The Chicago Statement on Biblical Inerrancy,” https://library.dts.edu/Pages/TL/Special/ICBI_1.pdf [grifo meu]).

[6] James Orr, Revelation and Inspiration (Nova Iorque: Charles Scribner’s Sons, 1910), p. 162.

[7] Por exemplo, Carl Henry afirma: “A inerrância verbal implica que a verdade está associada não apenas ao ensino teológico e ético da Bíblia, mas também a questões históricas e científicas, na medida em que são parte da mensagem expressa dos escritos inspirados. O relato da criação de Gênesis tem implicações para a relação causal de Deus com o cosmo; a narrativa de Êxodo ensina a fuga histórica dos hebreus do Egito; os relatos no evangelho do nascimento e ressurreição de Jesus descrevem eventos factuais no mundo externo” (Carl F. H. Henry, God, Revelation and Authority, Vol. 4: God Who Speaks and Shows [Wheaton, Ill.: Crossway], Kindle location 455-456 [grifo meu]).

[8] James D. G. Dunn, Jesus Remembered (Grand Rapids: William B. Eerdmans, 2003), p. 249. Para abordagem um pouco diferente, ver Michael R. Licona, Why Are There Differences in the Gospels?: What We Can Learn from Ancient Biography, com prefácio de Craig A. Evans (Oxford: Oxford University Press, 2017). Nas duas abordagens, o argumento saliente continua sendo que os evangelistas, a despeito da sua confiabilidade fundamental, não estão preocupados com precisão histórica minuciosa em relação a detalhes secundários.

[9] Dunn, Jesus Remembered, p. 223.

[10] Dunn, Jesus Remembered, p. 224.

[11] Dunn, Jesus Remembered, p. 249; cf. 254.

[12] Embora Dunn não examine esta tradição, ele fala o seguinte a seu respeito: “Os distintos

relatos no âmbito dos detalhes e do contexto dentro da história mais ampla... são típicos da

variação de execução e performance” (Dunn, Jesus Remembered, p. 774).

[13] Richard Swinburne, Revelation: From Metaphor to Analogy, 2.ed. (Oxford: Oxford University Press, 2007), cap. 11.

- William Lane Craig