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#745 A revolução continuará?

September 12, 2021
Q

Olá, Dr. Craig.

 

Tenho sido tremendamente abençoado por seu ministério e fico feliz por ter a honra de lhe enviar uma pergunta. Sou estudante de 15 anos de idade e estou estudando apologética. A minha pergunta é a seguinte: como os argumentos a partir da teologia natural estão se dando no momento? O senhor acha que eles virão a ser refutados algum dia? Se sim, o que aconteceria com a racionalidade da crença em Deus? Pergunto porque provavelmente tenho uma longa vida pela frente (a não ser que Jesus volte) e, muito em breve, perderemos Alvin Plantinga, J. P. Moreland e outros pesos pesados da filosofia cristã, tornando o teísmo mais vulnerável. E se (e com isto me preocupo bastante), em algum momento, a origem do universo for explicada satisfatoriamente sem Deus, o argumento do ajuste fino for refutado (até mesmo alguns filósofos cristãos não utilizam este argumento), o argumento a partir da contingência for considerado irrelevante e as provas da existência de Deus não puderem mais superar os problemas do mal e do ocultamento divino (ao navegar na internet por materiais de descrentes, parece até evidente que isto já aconteceu muito tempo atrás)? Como posso ter segurança de que a verdade do teísmo cristão continuará evidente ao longo das décadas vindouras? Obrigado por sua atenção, e Deus abençoe.

Caleb

United States

Dr. Craig responde


A

Obrigado por suas palavras encorajadoras, Caleb! A resposta curta à sua pergunta é que não podemos “ter segurança de que a verdade do teísmo cristão continuará evidente ao longo das décadas vindouras”, ao menos se estivermos falando de muitas décadas — digamos, até o fim deste século. Não há nenhuma garantia. A cultura ocidental secular está à deriva e anda afetando a cultura por todo o mundo. Quem sabe se um novo Iluminismo, tal qual o que varreu a igreja e a monarquia nos séculos XVI e XVII, não está a caminho, trazendo consigo apostasia e descrença generalizadas?

É exatamente por esta razão que a sua geração precisa pegar a tocha que a nossa geração lhes está passando e correr com diligência a corrida diante de vocês. Os argumentos da teologia natural precisam ser renovados a cada geração, tanto para dar conta de avanços contínuos quanto para responder a novas objeções propostas contra eles. Jamais podemos cochilar sobre os espólios; os cristãos em cada geração sucessiva precisam pensar mais além do que o fazem os seus contemporâneos seculares.

Dito isto, não sou nem um pouco pessimista em relação à validade duradoura dos argumentos que você menciona. Como expliquei em outros lugares, é muito improvável que, “em algum momento, a origem do universo [será] explicada satisfatoriamente sem Deus”. Nada aponta para esta direção; de fato, a tendência na cosmogonia contemporânea é bem o contrário, pois um modelo proposto atrás do outro não conseguiu escapar do começo do universo. O mesmo se dá com o ajuste fino: a multiplicidade e variedade dos parâmetros que exigem o ajuste fino são tais que é muitíssimo improvável que qualquer física futura o mande embora, e objeções formidáveis confrontam propostas de multiversos que tentam explicar o ajuste fino pelo acaso. O argumento a partir da contingência talvez seja (e, sem dúvida, já é) “considerado irrelevante”, mas isto é, em si, irrelevante para a sua validade. Por outro lado, o ônus da prova que o problema do mal e o ocultamento de Deus colocam nos ombros do ateu é tão esmagador que é questionável que alguém consiga sustentá-lo.

Antes, a preocupação correta é que estes argumentos não venham mais a encontrar defensores capazes na próxima geração, de modo que a sua influência cultural desvaneça. Como você bem colocou, eles não são refutados, mas apenas considerados irrelevantes.

Será que a revolução na filosofia cristã iniciada por Plantinga, Alston, Adams e outros esmorecerá, ou será que ela será levada adiante com zelo e habilidade pela próxima geração? Devo dizer que fico muito encorajado com a capacidade intelectual e o número de jovens filósofos cristãos que estão tomando o lugar da velha guarda. Muita coisa boa continua a ser produzida. Um avanço especialmente encorajador é o nascimento e crescimento da teologia analítica, um subproduto na teologia da revolução iniciada por filósofos cristãos. A curto prazo, pelo menos, o future parece promissor.

A questão, Caleb, é que você não precisa se preocupar com os argumentos. Você precisa, sim, preocupar-se em levar adiante a boa obra iniciada por aqueles que o antecederam. É um chamado às armas e à ação!

- William Lane Craig