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#32 Apateísmo

July 12, 2012
Q

Depois de apenas uma visita ao seu excelente sítio, tenho a certeza razoável de que posso demonstrar ao ateu que a posição dele é insustentável. Recentemente encontrei por acaso alguém que se descreve como apateísta. Após uma breve pesquisa descobri que todos os argumentos que eu posso apresentar serão respondidos com: “Seu Deus não é relevante e não tem importância para mim”.

Esse sujeito pode ser uma causa perdida, nada obstante, tem muitos seguidores. De que maneira posso fazer confiantemente a defesa da existência de Deus, a qualquer momento que surja no sítio dele uma discussão que toque em Deus ou, com relação a isso, em qualquer outra crença.

Obrigado por sua atenção.

Mike

United States

Dr. Craig responde


A

É a segunda vez esta semana que ouço alguém usar esse solecismo para descrever suas visões sobre a existência de Deus. Deve ser a mais nova tendência entre os incrédulos.

O “apateísmo” (provavelmente de “apátheia” + “theós” + “ismo”) caracteriza as pessoas que simplesmente não ligam se Deus existe ou não.

Dessa forma, o apateísmo não é uma alegação verdadeira e por isso não pode ser verdadeiro ou falso. Ele não afirma nem nega nada. É apenas uma atitude ou um estado psicológico de indiferença com respeito à existência de Deus.

Deduz-se que o apateísta nada tem a oferecer a título de contestação de seus argumentos a favor da existência de Deus. Em resposta de sua defesa, ele meramente diz: “Não ligo”. A solidez de seus argumentos permanece intocada pela falta de interesse do apateísta. Por isso, você pode continuar a apresentar confiantemente seus argumentos, sabendo que a apatia dele de forma nenhuma põe em dúvida a verdade de suas premissas ou a validade de suas inferências.

De fato, seria interessante ver o que seu amigo diria se você respondesse ao argumento do seu apateísmo assim: “Entendo que você não liga se Deus existe ou não. Mas você acha que ele existe? Já que isso não lhe importa, você pode ser totalmente objetivo. Assim, o que você acha: Deus existe?”. Afinal de contas, ele precisa revelar que é realmente um ateu ou agnóstico, e então você pode lhe perguntar a respeito de suas razões para acreditar no que diz.

Por outro lado, se ele meramente continuar a repetir que apenas não liga, diga-lhe: “Hum, que estranho! Até a maioria dos ateus reconhece que a existência de Deus faria uma tremenda diferença para a humanidade. Por que você não liga?”.

Nesse ponto, ele deve dizer algo como a observação do seu amigo: “Seu Deus não importa e nada significa para mim”. Agora, essa é uma resposta espantosa. Ser relevante é ter consequências práticas, fazer a diferença”. Na minha mente, qualquer pessoa que acha o cristianismo irrelevante ou está usando a palavra “irrelevante” com um sentido idiossincrático ou então, francamente, não passa de um pensador muito raso. (É óbvio, se o cristianismo não é verdadeiro, então não é relevante. Mas então, presumivelmente, a razão por que isso não é importante para o apateísta não se deveria ao fato de o cristianismo ser irrelevante, mas à possibilidade de não ser verdadeiro. Mas acho desconcertante que alguém possa pensar que o cristianismo seja verdadeiro, mas irrelevante). Para a pessoa superficial, o cristianismo pode não parecer relevante, porque ela jamais pensou em fazer as perguntas mais profundas sobre a vida.

Portanto, convide-o a pensar a respeito da pergunta: “SE o cristianismo fosse verdadeiro, que consequências teria ele para a sua vida? Que diferença faria?”. Penso que, se o cristianismo for verdadeiro, então é imensamente relevante para nossas vidas. Procurei tratar dessa questão em minhas palestras e textos sobre “The Absurdity of Life without God” [O absurdo da vida sem Deus]. Permita-me, portanto, simplesmente arrolar seis maneiras por que o cristianismo é relevante se for verdadeiro.

1. Se o cristianismo for verdadeiro, há um significado para a sua vida.
2. Se o cristianismo for verdadeiro, há valores e deveres morais na vida.
3. Se o cristianismo for verdadeiro, há um propósito para a sua vida.
4. Se o cristianismo for verdadeiro, há esperança de livramento das desvantagens de nossa existência finita, como o sofrimento, o envelhecimento e a morte.
5. Se o cristianismo for verdadeiro, há perdão para todas as coisas erradas que você fez.
6. Se o cristianismo for verdadeiro, você tem a oportunidade de um relacionamento pessoal com Deus e da felicidade eterna.

Dados todos esses benefícios maravilhosos, parece-me absolutamente imperativo descobrir se o cristianismo é verdadeiro. Mas esse imperativo é incompatível com a atitude do apateísta.

Então, o desafio do apateísmo não é filosófico, mas psicológico. A questão é como podemos conseguir que o pessoal se interesse pela questão de Deus. Mostrando-lhes o gritante contraste nas respectivas consequências do ateísmo e do cristianismo para os seres humanos, talvez os motivemos para considerar seriamente a questão sobre se o Deus da Bíblia realmente existe ou não.

Mas, uma vez que o desafio do apateísmo é psicológico, a melhor estratégia para lidar com ele não é intelectual, mas relacional. Torne-se amigo de verdade do apateísta, mostre que você se importa com ele como um fim em si mesmo; com o tempo, o seu amor genuíno por ele será provavelmente mais eficaz do que qualquer apologética racional que você possa lhe apresentar. Lembre-se: o desafio aqui é simplesmente levá-lo a voltar-se para a questão. É mais provável que isso ocorra como resultado da sua amizade do que como resultado de seus argumentos.

Suspeito fortemente que o pretenso apateísta é usualmente apenas um ateu preguiçoso. Ele realmente acha que Deus não existe, mas simplesmente não quer ser importunado para justificar seu ponto de vista. Ele não liga porque acha que não é verdade.

- William Lane Craig