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#135 Argumentos Teístas

October 28, 2014
Q

Reservas sobre Alguns Argumentos Teístas

Argumentos teístas proporcionam evidência positiva para a existência de Deus. Em debates, os oponentes do Dr. Craig procuram refutar seus argumentos teístas. Aqui, Dr. Craig responde perguntas com respeito aos três argumentos teístas e demonstra a força de cada um.

Olá Dr. Craig, eu tenho algumas perguntas simples para você. Primeiro, eu não sou mais cristão, mas sou um agnóstico. Tenho escutado seus argumentos a favor da existência de Deus e estou bastante impressionado. Porém, alguns de seus argumentos eu tenho tido problemas em aceitar. Estes são: o argumento da Sintonia Fina (Ajuste Preciso), o argumento Moral e o conhecer Deus através de experiência pessoal. Tenho apenas uma objeção para todos eles e estava curioso de quais seriam suas respostas a elas.

O Ajuste Preciso: Este argumento (baseado em meu entendimento) é baseado na ideia de que a vida só pode ser formada sob as condições do nosso universo e só leva em conta a vida como nós a conhecemos. Não seria possível para vida se formar sobre diferentes constantes físicas? Se sim, o ajuste preciso o sintonia fina do nosso universo não seria irrelevante para a questão da existência de Deus?

O Argumento Moral: Você afirma que a moralidade objetiva surge através de Deus (para colocar de forma muito simples). Não seria tão plausível quanto isso ver a moralidade como algo evoluindo de homo sapiens antigos e do desenvolvimento de diferentes sociedades e civilizações, e das necessidades que surgem por viver nessas sociedades? A moralidade não poderia ter surgido naturalmente através das demandas de uma sociedade de se conformar às normas?

A Experiência Pessoal: Ser capaz de conhecer Deus através de experiência pessoal é algo difícil de aceitar. O cérebro pode fazer coisas incríveis e nos fazer sentir muitas coisas diferentes. Aqueles sofrendo de psicoses veem coisas que não estão de fato lá, sentem como se eles mesmos fossem Jesus e outras ilusões anormais. Para aqueles de nós, que não está sofrendo de algum tipo de psicose, não podería também fazer sentido coisas que nós pensamos que deveríamos sentir? Aquela voz dentro da nossa cabeça nos falando que deveríamos tirar o lixo quando a mulher pede; isso não poderia ser simplesmente nós mesmos, falando em vez de uma puxada de Deus?

Eu sei que não apresentei formalmente um argumento, mas estas são apenas perguntas que eu tenho quanto as suas premissas que dão suporte a sua conclusão de que Deus existe. Obrigado por seu tempo,

Nathan

United States

Dr. Craig responde


A

Argumento Teístas

Eu escolhi a sua pergunta, Nathan, porque eu realmente acho que posso lhe ajudar. É a minha esperança que você volte ao Senhor, que espera ansioso poder lhe receber de volta à casa, assim como o pai na parábola de Jesus do filho pródigo.

Argumentos Teístas - o argumento do Ajuste Preciso

1. O Ajuste Preciso. Sua compreensão do argumento está incorreta. Veja minha exposição do argumento no Reasonable Faith, 3a ed. Quando os cientistas falam sobre o universo admite o permite a existência de vida, eles não estão se referindo apenas as forma de vida atuais. Por “vida”, cientistas querem dizer a penas a propriedade de organismos de ingerir comida, extrair energia dela, crescer, adaptar-se a seu ambiente e reproduzir. O que quer que seja que possa cumprir essas funções conta como forma de vida. E para que a vida assim definida exista, qualquer que seja essa forma, as constantes e quantidades no universo têm que ser inacreditavelmente ajustadas. Você sugere que se as constantes e quantidades tivessem valores diferentes, então formas diferentes de vida poderiam ter evoluído. Mas você está subestimando as consequências verdadeiramente desastrosas de uma mudança nos valores dessas constantes e quantidades. Na ausência desse ajuste preciso nem matéria, nem mesmo química existiriam, menos ainda os planetas onde a vida pudesse se desenvolver.

Alguém pode pensar, “Mas quem sabe em um universo governado por diferentes leis da natureza, essas consequências desastrosas poderiam não resultar.” No entanto, essa objeção também demonstra uma compreensão equivocada do argumento. Não estamos preocupados com universos governados por diferentes leis da natureza. Não temos a menor ideia de como tais universos seriam! Antes, estamos preocupados somente com universos governados pelas mesmas leis da natureza, mas com diferentes valores das constantes e quantidades arbitrárias. O filósofo John Leslie fornece a seguinte ilustração: imagine uma mosca solitária, que pousou em uma área ampla e vazia da parede. Dispara-se um único tiro e a bala acerta a mosca. Ora, mesmo se o restante da parede fora dessa área vazia estivesse coberta de moscas, de modo que um tiro aleatório provavelmente acertaria uma delas, ainda assim continuaria sendo altamente improvável que um único e aleatório tiro conseguiria atingir a mosca solitária que pousou naquela área ampla e vazia da parede.

Da mesma forma, precisamos nos preocupar apenas com universos governados pelas mesmas leis da natureza, para determinar quão provável é que um deles permita vida. Porque as leis são as mesmas, nós podemos determinar o que aconteceria se as constantes e quantidades fossem ser alteradas. E os resultados são desastrosos. Um universo que permite a existência de vida é como essa mosca solitária na parede.

Argumento teístas - o argumento da moralidade

2. Moralidade . A resposta as suas perguntas é: Tudo depende! Se Deus não existe, então, como tenho argumentado, o que você diz é exatamente o que são valores morais: meros subprodutos da evolução biológica e social. Mas se Deus existe, eles não são. Pois a verdade de uma crença é independente de como você veio a ter esta crença. Você pode ter adquirido suas crenças morais através de um biscoito da sorte, ou lendo folhas de chá, e elas podem ainda ser verdade. Particularmente, se Deus existe, então valores e deveres morais objetivos existem, independentemente de como nós aprendemos a respeito deles. A versão sócio-biológica no máximo prova que nossa percepção de valores e deveres morais evoluiu. Mas se valores morais são gradualmente descobertos, não inventados, então nossa percepção gradual e falível desses valores não mina sua realidade objetiva mais do que nossa percepção gradual e falível do mundo físico mina sua realidade objetiva.

Então a pergunta real é: você acha que existe uma distinção objetiva entre o bem e o mal, certo e errado? Tenho certeza que sim. Filósofos que refletem em nossa experiência moral não veem razão para desconfiar desta experiência mais do que da experiência dos nossos cinco sentidos. Eu acredito no que meus cinco sentidos me falam, que existe um mundo de objetos físicos lá fora. Da mesma forma, na ausência de alguma razão para desconfiar da minha experiência moral, eu deveria aceitar o que ela me diz, que algumas coisas são objetivamente boas ou ruins, certas ou erradas.

Argumentos Teístas - o argumento da experiência

3. A Experiência Pessoal. A mera possibilidade de ilusão psicológica não dá base para pensar que a experiência de alguém é realmente ilusória. Se fosse assim, nós deveríamos ser céticos com o mundo de objetos físicos que nós experimentamos ao nosso redor. Pois o que você diz sobre a experiência de Deus poderia ser dito sobre a experiência sensorial do mundo. Você não poderia ser um cérebro em uma vasilha de química ligado a eletrodos, estimulado por um cientista louco a acreditar que o mundo ao seu redor é real? Você não poderia ser um corpo deitado em uma Matrix, induzido a viver, sem você saber, em uma realidade virtual? Sua experiência em tais casos não seria qualitativamente diferente da sua experiência real.

Mas essa possibilidade faz você duvidar da veracidade dos seus sentidos, e faz você suspeitar que na verdade é um cérebro em uma vasilha ou um corpo em um Matrix? É claro que não! Pois você é racional para aceitar as declarações dos seus sentidos a menos que você tenha alguma boa razão para pensar que elas são ilusórias. Da mesma forma, na ausência de alguma razão para pensar que minha experiência com Deus é ilusória, sou perfeitamente racional em aceitá-la como verídica. É claro, pessoas como Freud tentaram mostrar que crença em Deus é o resultado de uma projeção neurótica, mas as análises psicológica delas não passaram por escrutínio. Você reconhece que cristãos não são psicóticos ou doentes mentais. Então por que eu deveria pensar que estou iludido?

- William Lane Craig