#87 Bichos de Estimação no Céu?: Uma Defesa
August 03, 2014Uma pergunta simples de apenas 5 palavras...
E os animais de estimação?
E depois um adendo...
Eu sei que tem MUITAS pessoas por aí que não os consideram “apenas um gato” ou “apenas um cachorro”, etc. Eles são membros da nossa família, melhores amigos, e nós os amamos tanto quanto... às vezes mais.
Eu não consigo ver o céu sendo muito “celestial” sem eles.
Seus pensamentos seriam muito apreciados e valorizados.
Jim
United States
Dr. Craig responde
A
Sua pergunta vem em um tempo crucial em nossas vidas, Jim, pois acabamos de perder nosso amado gato de 15 anos, Muff. Nós retornamos de uma conferência da Sociedade de Filosofia Evangélica em Providence, só para sabermos que Muff tinha vomitado sangue e estava agora fraca demais até mesmo para se mover. Nossas babás de gato nos avisaram de que ela estava morrendo. Ao chegarmos em casa encontramos Muff simplesmente deitada em seu cesto manchado, mal conseguindo levantar sua cabeça.
Nós a levamos imediatamente ao veterinário, entendendo que o fim estava próximo. A decisão de realizar eutanásia em Muff era claramente o curso de ação certo; mas, preciso dizer-lhe, foi a decisão mais dolorosa que eu já tive que fazer em minha vida. Pois, apesar de podermos usar eufemismos como “colocar Muff pra dormir,” estava bastante claro para mim que o que eu estava fazendo: eu estava direcionando o doutor a matar Muff.
Ao o veterinário começar a injetar o soro na parte inferior da perna de Muff, havia uma sensação horrorosa de irreversibilidade passando por mim com o que eu havia feito. Um pensamento passou por minha cabeça, “Eu nunca mais quero passar por isso novamente.” Porém, também entendi que o sofrimento é o custo do amor. Se você nunca quer sofrer, então tenha certeza de que você nunca ame.
Nós, originalmente, compramos Muff e sua irmã Puff como filhotes para nossos dois filhos. Mas, com o passar do tempo, as crianças cresceram, e foram para a faculdade, finalmente sozinhos no seu próprio caminho, e Muff e Puff tornaram-se nossos animais de estimação. Você pode até ter ouvido eu me referir a Muff em minhas palestras e debates; por exemplo, para mostrar a estupidez em definir ateísmo como a mera ausência de crença em Deus, já que Muff claramente não era atéia, mesmo que ela (presumivelmente) não tivesse crença em Deus. Com o tempo, Muff e Puff ficaram muito apegados a nós. Cada final de tarde, depois do jantar, quando eu sentava na minha cadeira para assistir TV ou ler e-mails no meu laptop, Muff vinha e pulava do meu lado e ronronava enquanto eu lhe dava carinho ou apenas deitava sua cabeça na minha perna e ela adormecia. Ela amava ser, como os alemães dizem, dabei, e era uma companheira carinhosa.
Perder a Muff tem sido uma lembrança aguda para aproveitar a vida como a temos agora e não considerar as bênçãos da vida como certas. Você nunca sabe quando poderá ficar privado delas, seja através da perda de uma pessoa amada, ou por doença, ou acidente, ou dificuldades. Jan constantemente me lembra de que, “esses são os 'bons e velhos tempos'!” Não nos esqueçamos de aproveitá-los enquanto podemos.
Então nós veremos Muff novamente um dia no céu? Eu não faço a mínima ideia. Mas de forma alguma é impossível. Deus pode recriar Muff ou no mínimo uma duplicação da Muff. (Isso na verdade entra em perguntas filosóficas muito interessantes sobre a ressurreição dos mortos e identidade com o passar do tempo. No caso de pessoas humanas, a identidade pessoal na vida ressurreta por vir é garantida pelo estado intermediário da alma após a morte.)
É importante entender bem que a esperança judaico-cristã por imortalidade é a esperança de existência corporal, não um estado etéreo de uma alma imaterial. Nós teremos corpos ressurretos físicos, que habitam os novos céus e a nova terra, libertos da morte e corrupção. Por que tal nova criação não seria agraciada com plantas e animais assim como seres humanos? Sem dúvida as descrições do Reino de Deus em que o leão deitará com o cordeiro são metáforas para um reino de paz entre a humanidade sob o comando de Deus. Da mesma forma, descrições da árvore da vida dando seu fruto é sem dúvida uma metáfora para vida eterna. Mas tais descrições são certamente consistentes com vida vegetal e animal no eschaton. Então, por que não?
Se Deus fizer tal ato de graça na nova criação, eu certamente espero, da minha parte, que ele inclua rinocerontes entre os animais lá!
- William Lane Craig