English Site
back
5 / 06

#86 Conhecimento sobre o Destino dos Perdidos

August 03, 2014
Q

Dr. Craig,

Obrigado pelo seu trabalho abençoado. Seus escritos e palestras tem me ajudado durante alguns períodos escuros de dúvida e questionamentos em minha vida. Tenho lido alguns trabalhos seus sobre Universalismo de Talbot e tenho algumas perguntas com respeito ao conhecimento que os salvos terão de seus amados que estão perdidos. Você mencionou que Deus pode nos guardar do conhecimento dos perdidos. Em seu artigo você escreve;

Mas eu não vejo nenhum motivo para pensar que tal blindagem de seu povo redimido desse conhecimento doloroso é uma engano imoral. Todos podemos pensar em casos em que nós blindamos pessoas de conhecimento que seria doloroso para eles e que eles não precisavam ter, e, longe de fazer algo imoral, nós estamos, assim os preservando, exemplificando uma virtude de misericórdia.

Você tem falado e escrito repetidamente da sua crença que o amor supremo de Deus por nós faz com que seja impossível que Ele retire nosso livre arbítrio, ou mudar quem nós somos. Mas se Deus tirasse esse conhecimento de nós ele não estaria fazendo exatamente isso? Ele não está nos blindando de conhecimento mas tirando conhecimento de nós. Eu nunca me esqueceria que eu tinha um filho e desejo estar com eles depois da morte a menos que Deus especificamente alterasse minha mente.

Eu também acho difícil acreditar em sua afirmação posterior que meu amor e alegria em estar na presença do Senhor faria com que eu não me importasse com meus amados queimando no inferno. Uma simplificação bruta e talvez injusta daquilo que você escreveu:

É possível que a própria experiência em si de estar na presença imediata de Cristo (isto é, a visão beatífica) irá simplesmente retirar na mente de Seus redimidos qualquer noção dos perdidos no inferno. Tão esmagadora será Sua presença e o amor e alegria que ela inspira que o conhecimento dos perdidos será banida da consciência do povo de Deus. Assim, os redimidos ainda teriam tal conhecimento, mas eles nunca estariam cônscios dele e então nunca sofrerão por ele.

Eu só estou tendo problemas me imaginando tão feliz que eu simplesmente não penso sobre meu filho que está queimando em condenação eterna.

Queria saber se você talvez poderia expandir sobre suas afirmações iniciais ou me apontar na direção de outras literaturas.

Obrigado por seu trabalho e que Deus continue te abençoando no seu ministério.

Eric

United States

Dr. Craig responde


A

Para leitores que não estão familiarizados com esta discussão, deixe-me dizer a título de pano de fundo que Thomas Talbott defende o universalismo (a doutrina que todo ser humano irá encontrar salvação) na base de que pessoas redimidas nunca poderão ser verdadeiramente felizes no céu se eles soubessem que outras pessoas estavam no inferno. Já que o céu é um estado de suprema felicidade, segue que todos deverão (eventualmente) ser salvos. (Ver artigos sobre o universalismo de Talbott sob “Artigos Acadêmicos: Particularismo Cristão”)

Eu afirmo que o argumento não é bom porque, primeiro, assume sem justificativa que os redimidos no céu sabem que algumas pessoas estão condenadas, e segundo, falha em distinguir entre saber que p e estar ciente que p, onde p é qualquer fato.

Minha primeira opinião sugere que é possível que Deus remova da mente dos redimidos qualquer conhecimento dos perdidos. Parece-me que fazer isso é misericordioso e envolve nenhum ato errado da parte de Deus. Você retruca, Eric, que Deus violaria o livre arbítrio das pessoas redimidas se Ele tomasse tal iniciativa. Eu não vejo que essa implicação segue. O respeito de Deus pelo livre arbítrio do ser humano tem a ver com tomadas de decisões. Deus não causará que você escolha uma decisão moralmente significativo ao invés de outro. Ele deixa com você. Mas obviamente Deus limita nossa liberdade de muitas formas moralmente neutras. Ele me situou de tal forma que eu não posso, por exemplo, escolher começar a falar Vietnamita ou voar por aí quando bato meus braços. Minha liberdade é circunscrita de inúmeras formas assim. Nenhum desses violam minha integridade como um agente moral. Minhas decisões moralmente significativas ainda dependem de mim. Da mesma forma, se Deus remove dos redimidos conhecimento a respeito dos perdidos, incluindo conhecimento de amados que estão condenados, Ele não viola a integridade moral ou livre arbítrio das pessoas envolvidas, como se Ele tivesse removido seu conhecimento de cálculo. Pelo menos eu estou para ver qualquer argumento que removendo tal conhecimento violaria livre arbítrio da forma moralmente significativa que está em questão.

A segunda opção eu acredito ser mais atraente: os redimidos retém conhecimento do destino dos perdidos mas eles não estão cônscios disso. Quando você pensa a respeito, nós não estamos cônscios da maioria daquilo que sabemos. Esta alternativa sugere que a experiência de estar na presença imediata de Cristo será tão envolvente para os redimidos que eles não pensarão dos condenados no inferno. Você responde que você não consegue imaginar-se tão feliz que você não pensaria no seu filho que está condenado. Bem, para te ajudar a expandir sua imaginação um pouco, imagine uma experiência de dor - vamos dizer, ter sua perna amputada numa batalha sem anestesia - que é tão intenso que tira a noção de qualquer outra coisa. Em tal condição você não estaria pensando no seu filho nem um pouco. Agora substitua a noção de dor por um sentimento de alegria e júbilo, mas imensuravelmente mais intenso e cativante. Esta é a visão beatífica dos redimidos no céu! Não é nenhum pouco inverossímil, parece para mim, que tal experiência evitaria que você trouxesse o conhecimento doloroso do destino do seu filho à mente.

Eu não estou afirmando, é claro, saber se qualquer uma dessas alternativas é verdade mas meramente afirmando que eles servem para derrotar o argumento para universalismo de Talbott.

- William Lane Craig