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#727 Criação e mudança

September 07, 2021
Q

Caro William Lane Craig,

Fico muito persuadido pelo argumento cosmológico; no entanto, encontrei uma refutação pelo filósofo Schopenhauer.

1. Os relata da relação causal são mudanças.

2. Toda mudança é alteração.

3. Toda alteração pressupõe um substrato de alteração que não muda em relação à sua existência e identidade.

4. Alguns, mas não todos, substratos de alteração são não-últimos: deve haver substratos últimos de alteração.

5. Se há substratos últimos de alteração, eles não vêm à existência ou desaparecem.

6. Como mudanças ocorrem, há substratos últimos de alteração.

7. Há substratos últimos de mudança que não vêm à existência ou desaparecem, sendo, portanto, sempiternos. (5, 6)

8. A existência destes substratos sempiternos está na base de toda causação.

Logo, 9. A existência dos substratos últimos de mudança não pode ter uma causa divina ou de outro tipo.

Logo, 10. Argumentos cosmológicos, pressupondo por convenção que a causação da existência faz sentido, são os mesmos, e todos inválidos.

Gabby

Filipinas

Philippines

Dr. Craig responde


A

A falha no argumento, Gabby, é que a premissa (5) é falsa. Talvez você se interesse em saber que Tomás de Aquino concordava que, em toda mudança, há algum substrato permanente que perdura por toda a mudança de um estado para o outro. Para Tomás, a matéria-prima é substrato último que perdura pela geração e corrupção de seres materiais.

É precisamente por esta razão que Tomás mantinha que a criação e a aniquilação não são mudança, pois, na criação e na aniquilação, não há nada que perdure de um estado para o próximo. Antes, na criação, uma substância vem a existir de novo e, na aniquilação, ela simplesmente deixa de ser, sem remanescente. Assim, a matéria-prima pode, em si, ser criada ou aniquilada por Deus.

Uma vez que a criação não é mudança, mas começo absoluto do existir, a premissa (1) também é falsa. O começo do universo causado por Deus não é mudança, porque não há um substrato permanente. Por isso, se o argumento cosmológico kalam está correto de que o universo começou a existir, o começo do universo não é, em si, uma mudança, mas uma fase da criação.

 

- William Lane Craig