English Site
back
5 / 06

#316 Criacionismo Evolucionista e a Imagem de Deus na Humanidade

May 16, 2015
Q

Caro Dr. Craig,

Primeiro deixe-me felicitá-lo por sua defesa incrível do Cristianismo conforme você viaja o mundo, debate e faz palestras. Eu sou um grande fã, para dizer o mínimo. No entanto, eu tenho uma pergunta que foi colocada na minha cabeça ultimamente, a respeito de seus pontos de vista sobre a criação e evolução. Primeiro, eu acho que você está certo quando diz que evolução (nos seus vários significados) não é incompatível com o teísmo, tornando-a inútil como uma objeção ao conceito de Deus. Afora isso, se eu entendi direito, você mantém que visões como o criacionismo evolucionista são compatíveis com o relato de Gênesis, na Bíblia. O que me incomoda sobre isso é que eu acho que, ao considerar esta visão, de que Deus usou a evolução para trazer a diversidade da vida na Terra, incluindo os seres humanos, você enfraquece e elimina a noção de que a humanidade foi criada à imagem de Deus, ou, pelo menos, torna ela problemática. Agora, eu entendo que você quer dizer que o criacionismo evolutivo é que Deus criou a vida em um nível básico, sendo esse celular, e dirigiu-a para criar a diversidade que vemos em todos os lugares e, em algum ponto na linha do tempo evolucionista, seres humanos surgem e então foram escolhidos para serem especiais para Deus. Se eu caracterizei a sua visão de forma errada, por favor esclareça em detalhes. Então isso me leva à pergunta, como é que você mantém a visão do criacionismo evolucionista, ao manter firmemente que o homem foi criado à imagem de Deus?

Andrew

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Já que eu não sou um criacionista evolucionista, Andrew, eu acho que a minha resposta à sua pergunta teria que ser "eu não sei". O criacionismo Evolutivo é o nome atualmente chique dado ao que costumávamos chamar de evolução teísta, que é a visão que o paradigma evolucionário atual é totalmente adequado, de modo que a evolução da complexidade biológica, atualmente observada, não requer nenhuma intromissão causal de Deus. Como minhas palestras atuais sobre Criação e Evolução na nossa classe Defenders deixam claro, no entanto, eu ainda não estou convencido de que os mecanismos postulados pelo paradigma evolucionário atual são adequados para explicar a diversidade biológica que observamos hoje.

Não se pode exagerar quão extraordinária é a extrapolação do paradigma atual. Muitos de nós provavelmente pensamos que se a mutação aleatória e a seleção natural pode explicar, por exemplo, a evolução do cavalo, então, isso certamente mostra o poder dos mecanismos neo-darwinistas para explicar a diversidade biológica. Na verdade, a evolução dentro de uma única espécie como essa não é nada em comparação com a grande variedade de vida. Você pode pensar que, se pudéssemos mostrar que mutações aleatórias e seleção natural poderiam explicar, por exemplo, como um morcego e uma baleia evoluíram de um ancestral comum, isso certamente mostraria o poder desses mecanismos. Pense novamente! Um morcego e uma baleia são ambos mamíferos, que é apenas um dos grupos do filo dos vertebrados. Mesmo a evolução de um morcego e uma baleia de um ancestral comum é uma banalidade absoluta em comparação com a vasta gama do reino animal. Essa demonstração não serviria para explicar, por exemplo, como um morcego e um ouriço-do-mar evoluíram de um ancestral comum, para não falar de um morcego e uma esponja. Isso representa uma extrapolação de proporções gigantescas. Na verdade, representa um enorme salto de fé na eficácia dos mecanismos darwinianos.

Além disso, todo o reino animal e vegetal são apenas dois galhos no ramo dos eucariontes. Há ainda dois outros ramos das bactérias e Archaea a serem contabilizados. A extrapolação dos mecanismos darwinianos de mariposas e moscas da fruta e bicos de tentilhões para a produção e evolução de todos os seres vivos é uma extrapolação de tirar o fôlego, de proporções gigantescas. Sabemos que, na ciência, tais extrapolações muitas vezes falham. Por exemplo, Albert Einstein tentou extrapolar seu princípio da relatividade da teoria especial para um princípio geral da relatividade que relativizaria não somente o movimento uniforme, mas também acelerou os movimentos giratórios. Mas a extrapolação falhou. Em vez disso, o que Einstein descobriu foi uma nova teoria da gravitação. O nome "teoria da relatividade geral" é, portanto, basicamente um equívoco.

Então, eu pergunto: onde está a evidência para a extrapolação extraordinária que o paradigma atual envolve? Michael Behe diz que "a evidência para a descendência comum parece convincente", mas " [...] exceto na periferia da vida a evidência para um papel crucial para mutações aleatórias é terrível." Agora, se ele está errado sobre isso, então qual é a evidência? Estou verdadeiramente aberto para ela. Mas que é? Quando eu, como um observador objetivo, olho para as evidências, parece-me que não nos foram mostradas quaisquer boas razões para pensar que os mecanismos neo-darwinistas sejam suficientes para explicar a evolução da extraordinária diversidade de vida que vemos neste planeta durante o tempo disponível.

Então, eu não estou convencido de que o criacionismo evolucionista seja verdadeiro. Parece-me que o chamado criacionismo progressivo se encaixa com as evidências muito bem. O Criacionismo Progressivo sugere que Deus intervém periodicamente para trazer milagrosamente novas formas de vida e, então, permite que a mudança evolutiva aconteça no que diz respeito a essas formas de vida. Mas, quanto a mudança evolutiva grande, isso não aconteceria pelos mecanismos da seleção natural e mutação não dirigidas por Deus. Em vez disso, seriam necessárias intervenções milagrosas de Deus no processo da evolução biológica para trazer mudança evolutiva ampla. Então, em vez do criacionismo evolucionista, teríamos uma espécie de criacionismo progressivo pelo qual Deus cria complexidade biológica ao longo do tempo.

Dito isto, no entanto, eu não entendo por que o criacionista evolucionista e o criacionista progressivo não podem afirmar que o homem é criado à imagem de Deus. Os meus colegas do Antigo Testamento me dizem que a noção do homem à imagem de Deus, no contexto do Antigo Oriente Próximo, provavelmente se refere ao homem como regente representante de Deus na Terra. Agora, a fim de cumprir tal função, o homem teria que possuir certas propriedades inerentes à personalidade, como a auto-consciência, racionalidade, liberdade, e a capacidade de manter relacionamentos pessoais. Estes são o tipo de propriedades que os teólogos têm tradicionalmente identificado como constitutivos da imagem de Deus no homem. Estas não são propriedades pertencentes ao corpo hominídeo do homem, mas a sua alma. Assim, parece uma questão de indiferença como o corpo físico do homem pode ter se originado. Contudo Deus escolheu criar nosso corpo hominídeo, a coisa fundamental que nos torna humanos sendo a nossa alma, investido com o tipo de propriedades que acabamos de descrever.

- William Lane Craig