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#305 Deus e a Aplicabilidade da Matemática

May 16, 2015
Q

Dr. Craig,

Em seu recente debate com o Dr. Rosenberg, você traz para a mesa dois novos argumentos (pelo menos que eu nunca vi você propor antes). Estou encantado com o argumento contra o naturalismo com base na intencionalidade. A minha pergunta diz respeito ao argumento contra o naturalismo baseado na aplicabilidade da matemática.

Não é o caso de que a matemática poderia, e na minha opinião parece ser, apenas uma ficção útil, como você mencionou em seu debate? Você diz algo ao longo das linhas de que "isto não explicaria como a natureza parece ter sido escrita na linguagem da matemática". Também não é o caso que, se conceitos matemáticos são ficções úteis, então eles descrevem (com precisão, se bem pensado) o universo como apreendido pela nossa percepção? Não deveríamos esperar que as nossas ficções úteis fossem úteis precisamente porque elas descrevem com precisão as nossas observações?

Eu penso que talvez esteja perdendo o ponto do argumento. Talvez seja o caso de que você não está dizendo que Deus deva existir porque nossas ficções úteis, particularmente as da matemática que descrevem a realidade, sejam apenas uma feliz coincidência. Na verdade, que tipo de coincidência seria que confirmasse o fato de nossas ferramentas serem projetadas para o propósito a que servem? Talvez você esteja defendendo o ponto que sem Deus o universo não necessariamente exibiria estas propriedades extremamente lógicas.

Talvez eu esteja completamente errado sobre isso. Você poderia me ajudar a acertar?

Continue o excelente trabalho para Deus,

Brad

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Obrigado por seus comentários gentis, Brad! Fiquei feliz por ser capaz de incluir dois novos argumentos para a razoabilidade da crença em Deus em meu debate com Alex Rosenberg.

Eu também gosto muito do argumento de estados intencionais de consciência. O artigo de Alvin Plantinga "Contra o Materialismo" já tinha me convencido de que os objetos físicos não apresentam intencionalidade. [1] Mas foi ao ler o livro de Rosenberg, onde ele apresenta o mesmo tipo de considerações contra objetos físicos exibindo intencionalidade, que me convenceu a colocar isso em forma de um argumento teísta. Uma vez que Deus é uma mente sem corpo, a existência de mentes se encaixa muito melhor em uma visão de mundo teísta do que em uma visão de mundo não-teísta. A conclusão de Rosenberg que estados intencionais da consciência não existem é, dada a nossa experiência, patentemente falsa. Sua resposta que a minha experiência de intencionalidade é uma ilusão é auto-destrutiva. Pois já que uma ilusão é, em si, um estado intencional (temos uma ilusão de algo), é auto-referencialmente incoerente dizer, como Rosenberg diz, que a experiência de intencionalidade é ilusória. Uma ilusão de intencionalidade implica intencionalidade. Dada a realidade de estados intencionais de consciência, o teísmo parece muito mais provável do que o ateísmo.

Mas eu desviei do assunto. A sua pergunta é sobre o argumento da aplicabilidade da matemática para o mundo físico. A Pergunta # 277 é o único lugar onde eu reflito sobre essa pergunta, e eu o aconselho a olhar lá. Mais uma vez, foi ler o livro do próprio Rosenberg que me levou a colocar isso em forma de argumento teísta. Pois a matemática está na base da física, em cujo altar Rosenberg se prostra. Dado o seu cientificismo (naturalismo epistemológico), ele não pode descartar a matemática aplicada como ilusória. Rosenberg também enfatiza que o naturalismo simplesmente não pode tolerar coincidências cósmicas. Mas, então, que explicação o naturalista pode oferecer para por que a matemática é aplicável ao mundo físico, ou seja, por que o mundo físico está imbuído com a estrutura matemática complexa que a física descobre. O naturalismo tropeça a esse respeito, ao passo que o teísmo tem uma resposta fácil: Deus criou o universo sobre a estrutura matemática que Ele tinha em mente.

Agora, eu estou inclinado a concordar com você que os objetos matemáticos, como números, conjuntos, funções, e assim por diante são apenas ficções úteis. Ou seja, não há objetos independentes da mente, tais como números. Eu não acho que isto implica que as afirmações matemáticas, sejam puras ou aplicadas, não sejam verdadeiras. Mas esse é um debate para outro dia. O ponto é que eu sou um anti-realista quando se trata de objetos matemáticos. O anti-realista, no entanto, ainda enfrenta a questão da eficácia inevitável da matemática. Por que a realidade física apresenta esta estrutura matemática extremamente complexa? Você diz, "se os conceitos matemáticos são ficções úteis, então eles descrevem (com precisão, se bem pensado) o universo como apreendido por nossas percepções." Claro! Isso é o que significa ser útil. Mas o que estamos perguntando é por que esses conceitos são tão úteis. Por que é que a realidade física expõe esta estrutura matemática complexa, de modo que os conceitos matemáticos são aplicáveis a ela e, portanto, úteis para descrevê-la? A feliz coincidência não é que nossas ficções úteis nos ajudam a descrever a realidade, mas que estas ficções são úteis para início de conversa!

Então eu acho que você acerta em cheio quando você diz "sem Deus, o universo não necessariamente exibiria estas propriedades extremamente lógicas." É isso mesmo; sem Deus isto seria apenas uma feliz coincidência, que o naturalismo não pode tolerar, mas que se evapora no teísmo.

  • [1]

    Alvin Plantinga, “Against Materialism,” Faith and Philosophy 23 (2006): 3-32.

- William Lane Craig