English Site
back
5 / 06

#115 Deus é Imaginário?

January 14, 2015
Q

Deus é Imaginário?

Papai Noel, fada do dente e Deus

Deus é imaginário? Ateus como Christopher Hitchens dizem que ele é. Mas quando eles são solicitados a prover evidências para a posição que defendem, muitas vezes respondem que provar a não-existência de Deus é o mesmo que provar a não-existência do Papai Noel ou da fada do dente. Porém, as razões por que alguém acredita em Deus são significativamente diferentes daquelas por que alguém pode acreditar no Papai Noel. Neste artigo nós examinaremos como certos critérios para evidência funcionam, e porque alguém pode ser epistemicamente justificado em pedir por evidência positiva para a declaração ateísta de que Deus não existe. A menos que ele possa prover boas razões para sua descrença, alguém pode confiantemente responder à pergunta “Deus é imaginário?” com um ressonante não.

Querido Dr. Craig,

Eu realmente amei o debate entre você e [Christopher Hitchens] e fiquei impressionado com a sua organização. Uma coisa, porém, que eu achei injusta é que você pediu para Hitchens prover evidência para o ateísmo, ou evidência da ausência. Pensei muito sobre qual tipo de evidência de ausência poderia ser produzida, não somente para Deus, mas para o Papai Noel ou fadas do dente. Não estou dizendo que ele pode ignorar as evidências para Deus, mas eu acredito que seu único trabalho deveria ter sido o de derrubar seus argumentos.

Resumidamente, você poderia, por favor, me dar exemplos de tipos de evidências convincentes para a ausência de Deus ou outros seres?

Obrigado!

Steven

United States

Dr. Craig responde


A

Deus é imaginário?

Steven, Um dos nossos voluntários do Reasonable Faith tem trabalhado na questão do “Deus é imaginário?” ultimamente, então vou deixá-lo atender a sua pergunta. Segue sua resposta:

Ótima pergunta! O debate The Craig-Hitchens foi interessante por muitas razões, mas também frustrante. “Frustrante” porque o Hitchens não foi claro quanto a qual posição ele estava defendendo: não-teísmo ou ateísmo (veja abaixo). Mas, durante o período de perguntas e respostas, parece que Hitchens estava procurando defender o ateísmo. Se sim, o Dr. Craig estava inteiramente correto ao pedir a Hitchens um argumento para o ateísmo.

Sua pergunta está relacionada a uma mais abrangente, que é se a ausência de evidência de algo é evidência de sua ausência. Eu irei, primeiramente, atender a esta pergunta e ao final eu vou dar alguns exemplos do que você está procurando. Dividi minha resposta em seções para facilitar a referência. Quando terminar de ler isso, você pode também querer ler a Pergunta # 6 do arquivo de perguntas e respostas.

Deus é Imaginário? - Introdução

Deus é imaginário? O famoso filósofo britânico Bertrand Russell quando perguntado sobre o que ele faria se estivesse diante de Deus, no dia do julgamento e Deus lhe perguntasse, “Por que você não acreditou em Mim?” Russell respondeu diretamente: “Não tinha evidência suficiente, Deus! Não tinha evidência o suficiente!”

Muitos tem considerado o que eles veem como uma aparente falta de evidência para Deus como evidência de que Deus não existe; isto é, eles olham em volta, não veem evidências “suficientes” e concluem que o ateísmo é verdade.

Mas Russell se deu conta de que a inferência da aparente falta de evidência para Deus do ateísmo é falaciosa. Foi por isso que, em seu famoso debate em 1948, com Frederick Copleston, ele preferiu o rótulo “agnóstico”, em vez de “ateu.” Porém, hoje, muitos se chamam “ateus”, quando na realidade são agnósticos.

Vamos primeiro definir alguns termos em volta da pergunta “Deus existe?”

"Deus existe??"

Teísmo: "Deus existe"

Não-teísmo [1]: "Eu não acredito em Deus"

Agnosticismo: “Eu não sei se Deus existe”

Ateísmo: “Deus não existe”

Agnosticismo Forte: "Eu não sei se Deus existe e ninguém mais tem como saber também."

Agnosticismo Fraco: "Eu não sei se Deus existe, mas é possível que alguém saiba."

Note algumas coisas sobre estas definições. Primeiro, não-teísmo e agnosticismo não são mutuamente excludentes, porque você poderia ser não-teísta e assim falhar em acreditar em Deus (isto é, faltaria crença em Deus), mas você também pode ser um agnóstico dizendo, “Pelo que sei, Deus existe. Eu simplesmente não sei.” Note também quão extremo o agnosticismo forte é, já que ele declara até mais do que os ateus fazem; o agnóstico forte diz que todos estão errados, tanto ateus quanto teístas, e que eles não podem saber o que eles afirmam, mesmo que eles aparentemente tenham argumentos sólidos! Não é de se estranhar, então, que o agnosticismo forte, às vezes, é chamado de “agnosticismo avestruz!”

Existem argumentos sólidos para a existência de Deus. Alguns deles são muito bons. Mas suponha que não fosse assim; suponha que todos os argumentos para Deus falhem, e que não haja outras boas razões para acreditar em Deus. O que se segue? - Ateísmo? É muito importante entender que a resposta para esta pergunta é NÃO. O que se segue é, no máximo, o agnosticismo fraco.

Deus é Imaginário? - Quando a Ausência de Evidência = Evidência de Ausência? (Ou, quando a inferência de “Eu não vejo” para “Não existe” é válida?)

O que eu tenho dito até agora levanta a pergunta: Quando a ausência de evidência torna-se evidência da ausência? Esta é uma boa pergunta porque, às vezes, (mas não sempre) o anterior implica o posterior. Vamos começar com alguns exemplos com o que trabalhar.

Exemplo 1. Elefantes no Quarto (Ausência de Evidência = Evidência de Ausência) Alguém pergunta: “Existem elefantes do quarto?” Depois de olhar em volta e não ver nenhum, eu digo: “Não, eu não vejo nenhum. Não há elefantes no quarto.”

A inferência de “Eu não vejo” para “Não existe” neste exemplo é justificada. Com respeito a elefantes neste quarto eu não sou agnóstico; na verdade, eu positivamente afirmo: não há elefantes no quarto. Neste caso, a ausência de elefantes no quarto é evidência de sua ausência. Mas esta inferência não acontece no exemplo 2.

Exemplo 2. A Mosca do Grand Canyon (Ausência de Evidência? Evidência da Ausência) Estamos parados no topo do Grand Canyon e alguém pergunta: “Há uma mosca lá embaixo?” Depois de uma rápida olhada eu digo: “Não, eu não vejo nenhuma. Não há mosca lá embaixo.”

Como no último exemplo, nós movemos de “eu não vejo nenhum” para “Não existe”- mas diferentemente do último exemplo, a conclusão não é justificada. O Agnosticismo quanto à mosca é a resposta apropriada aqui. Então, no exemplo do elefante, nós não precisamos ser agnósticos, mas no Exemplo da Mosca do Grand Canyon, sim. Por quê? Note que não é o tamanho relativo do objeto que cria a diferença (O guardador do zoológico pode ter lhe perguntado na sua viagem ao zoológico, “Você acha que um elefante está na jaula no quarto ao lado?” E sua resposta poderia ser agnosticismo: “Eu não faço ideia. Talvez.”)

A diferença notável entre estes dois exemplos tem inteiramente a ver com sua situação epistêmica - que é, basicamente, a extensão e os limites da sua habilidade de saber algo através das fontes primárias do conhecimento (por exemplo, percepção, memória, introspecção, testemunho, etc.) - e o fato de que apenas em uma situação (Elefantes no Quarto) nós esperamos ter o conhecimento que nos falta. Minha situação epistêmica quanto a saber se um elefante está no quarto é muito boa, enquanto minha situação epistêmica quando a saber se moscas residem na base do Grand Canyon é bastante pobre. Por quê? Quando estamos em uma boa situação epistêmica a fim de dizer, “Não há X”? Quais condições são necessárias? Pelo menos duas. Na ausência de evidência de um objeto “O” você pode negar que “O” existe apenas se estes critérios estão presentes:

Critério da Expectativa de Evidência. Se um objeto “O” existe, então nós esperaríamos que existisse evidência para ele.

Critério da Expectativa de Conhecimento. Se existisse evidência para o objeto “O”, então nós esperaríamos ter conhecimento da evidência.

Em resumo, na ausência de evidência, nós podemos negar a existência de alguma coisa apenas se nós esperássemos possuir evidência suficiente para conhecer ou saber que “O” existe, mas não temos de fato.

(Dois comentários técnicos. Primeiro, quando eu digo “evidência” eu somente quero dizer qualquer tipo de considerações epistêmicas positivas em favor do objeto “O”. Portanto, tendo considerações não-proposicionais para algo pode muito bem contar como “considerações epistêmicas positivas.” Este ponto torna-se importante à luz da Epitemologia Reformada, e o fato de que a crença em Deus pode ser “propriamente básica,” que pode contar como “considerações epistêmicas positivas.” (Veja o arquivo de perguntas #68 e #30) Tais considerações epistêmicas positivas também incluem uma noção como sendo logicamente incoerentes. Se a ideia de algo é logicamente incoerente – como um “solteiro casado” ou um “círculo quadrado” – então nós não temos na realidade um exemplo envolvendo ausência de evidência, pois nós temos considerações epistêmicas positivas máximas para sua não-existência. (Este ponto também refuta a objeção, às vezes dada, que “Deus existe” não é falsificável. Eu ignoro isto para os nossos propósitos, já que nenhum ateu tem sido capaz de demonstrar que a ideia de Deus é logicamente incoerente). Segundo, estas são condições necessárias para estar em uma boa situação epistêmica para negar a existência de algo; elas não são condições suficientes. Em outras palavras, somente porque - mesmo se - alguém cumpre ambos os critérios, isso de nenhuma forma obriga-o a negar a existência de “O”.)

Para provar sua posição o ateu tem uma tarefa difícil: o que ele deve mostrar é que: (a) a situação epistêmica em que nós nos encontramos com respeito à crença na existência de Deus satisfaz o critério acima; e (b) demonstrar que nós não temos evidência suficiente para saber que Deus existe. Equivalentemente, ele deve mostrar que todos os argumentos para Deus não são sólidos e depois argumentar que se Deus existisse então nós esperaríamos estar em uma posição para saber se Ele existe. Mas como veremos, há boas razões para pensar que (a) é falso porque a situação epistêmica em que nos encontramos com respeito à crença na existência de Deus não satisfaz o critério acima.

Deus é Imaginário? - Problemas ao Satisfazer os Critérios para a Pergunta de Deus

Vamos aplicar estes critérios para Deus e a distinção ateísmo/agnosticismo. Com relação a Deus, se qualquer um destes critérios não são satisfeitas - se um deles falhar – o ateísmo não pode ser concluído pela ausência de um argumento sólido para o ateísmo. Ateus dizem que ambos os critérios são satisfeitos quando surge a pergunta sobre Deus, e eles dizem que lhes faltam evidências suficientes para saber que Deus existe. Agora, já que muitos ateus frequentemente reconhecem (como Russell fez) que não há argumentos sólidos em favor do ateísmo, isto deixa a defesa ateísta inteiramente dependente dos critérios.

Mas pode ser argumentado que a situação epistêmica de alguém com relação à crença em Deus nem sempre satisfaz esses critérios, e, portanto, alguém não pode concluir que o ateísmo é verdade diante da (aparente) falta de evidência para Deus. Aqui está outra forma de pensar a respeito disso: Suponha, só por força do argumento, que não há bons argumentos ou evidência para Deus; então, em termos dos exemplos dados acima, a situação epistêmica de alguém em relação a Deus é mais perto do Exemplo da Mosca do Grand Canyon do que é do Exemplo do Elefante no Quarto - e, portanto, que, no máximo, o agnosticismo (fraco) é a posição a ser tomada, não o ateísmo, diante da falta (aparente) de evidência para Deus.

A. Porque o “Critério da Expectativa de Evidência” Não É Sempre Satisfeito

O Critério da Expectativa de Evidência – que, você irá recordar, dizia que se um objeto “O” existe, então nós esperaríamos que houvesse evidência para ele - nem sempre é satisfeito por nossa situação epistêmica quanto a saber se Deus existe.

Pode ser questionado se Deus satisfaz o Critério da Expectativa de Evidência se você pensar por um momento sobre a natureza flutuante da evidência. Somente nos últimos 20 anos nós temos descoberto a incrível e incalculável sintonia fina (ajuste fino) do nosso universo para vida inteligente (veja a discussão sobre o Argumento Teleológico no capítulo 4 do Reasonable Faith, 3a edição); e somente nos últimos 80 anos é que nós temos aprendido cientificamente que o universo está em expansão e que deve ter começado a existir (veja a discussão sobre o Argumento Cosmológico Kalam - capítulo 3 no Reasonable Faith, 3a edição). Por muito tempo de história, esta evidência simplesmente não estava disponível aos nossos ancestrais. Mas já que futuro progresso em conhecimento requer ignorância no presente, isto quer dizer que nosso atual entendimento será incompleto ou falso. Então não é sempre o caso que “Se houvesse evidência para Deus, então nós esperaríamos ter evidência para isso.”

Uma Objeção e uma Resposta

Mas nós conseguimos imaginar o ateu objetando:

Verdade, verdade, evidência e bons argumentos, para o teísmo e muitas outras coisas, mudam com o tempo e lugar. Mas se Deus existe, então Ele tem o dever moral de revelar-Se claramente para todas as pessoas, independente do tempo e lugar. Já que Ele não fez isso - já que Ele recusou Seu dever moral de revelar-Se claramente a todas as pessoas - nós podemos com segurança dizer que Deus não existe.

Deus é imaginário? Tive um professor ateu que concordava com este sentimento. Ele disse que se Deus realmente quisesse que crêssemos nEle, Ele estaria lá no céu acenando para todos, dividindo outros mares, e elevando objetos massivos.

O problema com esse raciocínio é que Deus não está interessado em realizar “truques de magia” para que possamos dizer, “Nossa, isso é incrível!” e seguir com a nossa vida sem mudança, continuando nossos caminhos pecaminosos e egoístas. Deus teria uma obrigação moral de realizar mais atos miraculosos apenas se, ao realizá-los, mais pessoas viessem a uma relação salvífica e pessoal com Ele. Mas isto aconteceria?

Nós não temos boas razões para pensar que sim; o ateu não nos proveu com uma razão para pensar que, se Deus Se revelasse mais abertamente, então mais pessoas viriam a uma relação salvífica com Ele do que se Ele não o fizesse. Por mais que entretenimento e truques de magia certamente resultariam em pessoas virem a acreditar na proposição “Deus existe,” como nós saberíamos que resultaria em uma mudança no coração de alguém (veja Lucas 16:30-31)? O Novo Testamento diz, “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem— e tremem!” (Tiago 2:19), e está claro que demônios não têm uma relação pessoal com Deus. Além disso, o Antigo Testamento descreve Deus como revelando-Se através de vários atos milagrosos - através de pragas sobre o Egito, o pilar de fogo e fumaça, a divisão do Mar Vermelho, entre outros - porém esses eventos, miraculosos como foram, não produziram mudança de coração duradoura nos Israelitas. Vez após vez eles caíram em apostasia.

Portanto, mesmo se Deus fosse partir mais mares ou elevar objetos massivos, não há razões para pensar que meramente produzindo conhecimento proposicional de Deus (como acreditar na proposição que a população da China excede a um bilhão de pessoas) resultaria em uma relação pessoal e transformador com Ele. O ateu não mostrou que Deus tem uma obrigação moral de revelar a si mesmo de tal forma para todas as pessoas; fazer tal coisa pode ser mero entretenimento.

B. Porque o “Critério da Expectativa de Conhecimento” Não É Sempre Satisfeito

Considere o segundo critério, o Critério da Expectativa de Conhecimento, que diz que se houvesse evidência para algo, então nós esperaríamos ter conhecimento dessa evidência. Pelo menos três razões podem ser dadas do porquê nossa situação epistêmica com relação a saber se Deus existe pode não satisfazer este critério, isto é, existem ocasiões em que nós não deveríamos esperar saber de evidência para a existência de Deus. Dizer isso provavelmente soa contra-intuitivo em primeira instância, mas considere o que eu vou dizer.

Primeiro, dada a universalidade do pecado e seu efeito em nossa situação epistêmica, não é de se surpreender que a existência de Deus não seja óbvia, e que nós não satisfazemos sempre o Critério da Expectativa de Conhecimento. De acordo com o cristianismo tradicional, um dos efeitos de nossa pecaminosidade humana é o mau funcionamento de nossas faculdades cognitivas: elas não funcionam sempre para nos levar a conclusões não-egoístas. Isto quer dizer que elas nem sempre podem ser úteis em interpretar evidências favoráveis e luz verdadeira, porque muitas verdades entram em conflito com nosso ser egoísta (Jesus disse, “O mundo não pode odiá-los, mas a mim odeia porque dou testemunho de que o que ele faz é mau” (João 7:7). Estes efeitos sobre nossas faculdades cognitivas são chamadas de “efeitos noéticos” do pecado, e eles podem distorcer a evidência de Deus, incluindo o testemunho do Espírito Santo (veja no arquivo de perguntas e respostas Perguntas #68 e #30), assim como muitas outras coisas mundanas da vida (por exemplo, é mais fácil representar mal nossos oponentes do que primeiro tirar tempo para entendê-los (O professor Plantinga descreve muito bem estes efeitos noéticos:

Os efeitos noéticos do pecado estão concentrados em nosso conhecimento de outras pessoas, de nós mesmos, e de Deus... O pecado afeta meu conhecimento dos outros de muitas formas. Por causa do ódio e desgosto por algum grupo de seres humanos, posso pensar neles como inferiores, de menos valor do que eu e meus amigos mais chegados. Por causa da hostilidade e ressentimento, eu posso estimar mal ou compreender completamente errada a atitude de outra pessoa para comigo... Devido ao pecado básico e não original do orgulho, eu posso presumir, sem pensar, e quase sem perceber, que sou o centro do universo (é claro que se você me perguntar, eu vou negar que já pensei tal coisa), exagerando muito a importância daquilo que acontece comigo ao contrário do que acontece com outros...

Além disso, Plantinga acrescenta que:

Os efeitos noéticos mais sérios tem a ver com nosso conhecimento de Deus. Não fosse pelo pecado e seus efeitos, a presença e glória de Deus seriam óbvias e sem controvérsias para todos nós, como a presença de outras mentes, objetos físicos, e o passado... Nosso conhecimento de Seu caráter e Seu amor por nós pode ser manchado; pode até mesmo ser transformado em um pensamento de ressentimento de que Deus deve ser temido e não pode ser de confiança; pode fazer com que O vejamos como indiferente ou até mesmo malévolo.

Na taxonomia tradicional dos sete pecados capitais, existe a preguiça. Preguiça não é simplesmente a preguiça comum, como a inclinação de deitar-se e assistir televisão em vez de sair e fazer o exercício necessário; é, na verdade, um tipo de morte espiritual, cegueira, falta de percepção, acídia, torpor, uma falha em estar atento à presença, ao amor e aos requerimentos de Deus. [2]

Plantinga continua explicando como as consequências de nossa instigação interna do Espírito Santo (pela qual o Espírito Santo trabalha nos convencendo da existência de Deus, entre outras verdades) pode ser suprimida ou impedida ao alguém desviar sua atenção de Deus ao, por exemplo, desejar viver uma vida que Deus desaprova. Esta foi a razão admitida de Aldous Huxley para descrença. Ele diz que tinha “motivos” para não querer acreditar em Deus e então “presumiu” que Ele não existia e “foi capaz de encontrar sem dificuldades razões satisfatórias para esta presunção.” Ele confessou:

A maioria da ignorância é ignorância vencível. Nós não sabemos porque nós não queremos saber. É nossa vontade que decide como e para quais assuntos usaremos nossa inteligência. Aqueles que não detectam significado no mundo geralmente fazem isso porque, por uma razão ou outra, é interessante para ele que o mundo seja sem sentido. [3]

Mais recentemente, o Professor da New York University, Thomas Nagel, disse algo parecido: “Eu quero que o ateísmo seja verdade e fico preocupado com o pelo fato de que algumas das pessoas mais inteligentes e bem-informadas que eu conheço são crentes religiosos.” Ele continua: “Não é simplesmente que eu não acredito em Deus e, naturalmente, espero estar certo em minha crença. É que eu espero que Deus não exista! Eu não quero que exista um Deus; eu não quero um universo assim.” [4]

Um segundo problema aparece com o Critério da Expectativa de Conhecimento, porque ateus frequentemente aplicam padrões epistêmicos altos inapropriadamente - padrões que eles não teriam em contextos “normais” - ao avaliar a racionalidade da crença teísta, insistindo que a premissa do argumento teísta não é conhecida. Por exemplo, a intuição comum diária de todo mundo não levaria alguém a pensar que objetos conseguiriam surgir do nada sem causa - porém, quando o assunto é o Argumento Cosmológico Kalam para a existência de Deus, por exemplo, isto é afirmado por muitos ateus. Então quando o assunto é argumentos para o teísmo, muitos ateus vão muito além do que deveriam, dificultam a prova e alegam não saber se as premissas são verdadeiras.

Terceiro, por que Deus não está interessado em inculcar a mera crença proposicional a respeito dele (assim como, acreditar na proposição que Deus existe), mas um conhecimento filial ou pessoal dele, alguns filósofos pensam que Deus pode se “esconder” de humanos quando tentamos divorciar crença proposicional de uma relação pessoal com Ele. Quando Deus faz isso, nossa situação epistêmica a respeito a Ele não satisfará o Critério da Expectativa de Conhecimento. [5]

Deixe-me explicar este último ponto em mais detalhe. O Deus cristão não quer ser meramente algum “Ser fundamental” abstrato ou apenas “a melhor explicação para o cosmos” - Ele quer ser tanto o Senhor de nossas vidas quanto um Pai amoroso. O professor Paul Moser, um filósofo eminente que tem feito um trabalho considerável na área de ocultamento divino, descreve este conhecimento filial:

Em conhecimento filial de Deus, nós temos conhecimento de um sujeito pessoal supremo, não de um mero objeto para reflexão casual. Este não é o conhecimento de uma “primeira causa” vaga, “poder maior,” “ser fundamental,” ou até mesmo “melhor explicação.” E, sim, um conhecimento convincente de um Senhor pessoal e comunicativo que espera comprometimento de gratidão ao nos apropriarmos da redenção graciosa de Deus. Tal conhecimento convincente inclui ser julgado e encontrado imerecedor pelo padrão do supremo amor moral de Deus. A vontade de Deus, portanto, encontra, convence e redireciona nossa vontade. Ambos os lados desse relacionamento, portanto, são pessoais... Conhecimento filial de Deus é reconciliar conhecimento pessoal, por onde nós entramos em um relacionamento filho-pai com Deus. Tal conhecimento é pessoalmente transformador, não impessoalmente abstrato ou moralmente impotente. É comunicado pelo Espírito pessoal de Deus de uma forma que demanda um comprometimento de vida inteira. [6]

Por que Deus pode, às vezes, se esconderia de nós? Por que Ele não Se mostra óbvio para todos verem, tão óbvio quanto as palavras nesta página? Várias razões têm sido colocadas ao responder esta importante pergunta, e justiça não pode ser feita ao reduzir estas respostas em um ou dois pontos. Só posso resumir algumas das respostas aqui. [7]

Uma razão vem da observação que se Deus Se fizesse óbvio a todos - tão óbvio quanto as palavras desta página - então para muitos destruiria a possibilidade de desenvolver liberdade moral significativa (ser capaz de escolher livremente e, às vezes, entre cursos bons e ruins de ação) porque ser poderosamente ciente de Deus nos coagiria a obedecer aos Seus comandos morais. [8] (Compare uma criança que recebe a ordem de não comer uma bolacha da jarra mas a quem nunca é dada a oportunidade de refrear-se de comer as bolachas, porque seus pais sempre estão no quarto olhando). O resultado final seria um caráter moral não desenvolvido.

Uma segunda razão por que Deus pode retirar evidência de si mesmo poderia ser devido ao pecado, orgulho, egocentrismo e desapego pessoal do ser humano. Isso nos leva de volta à questão mencionada na seção 3, “Uma Objeção e Resposta,” isto é, se existem boas razões para pensar que se Deus realizasse mais eventos miraculosos (dividindo mares para uma plateia, elevando objetos massivos) então mais o coração das pessoas mudaria para querer participar de um relacionamento pessoal e transformador com Deus. E eu acho que as citações de Aldous Huxley e Thomas Nagel são bastante instrutivas, já que o coração deles parece ter resolvido a pergunta da evidência e argumentos de antemão. Para quê mais evidência se alguém, nas palavras de Nagel, “espera que Deus não exista!” porque ele “não quer um universo assim?”

(Objeção: Alguns podem preocupar-se com o fato de que os que “seriam crentes” não recebem evidência suficiente enquanto aqueles que são complacentes quanto a Deus recebem as “boas” evidências. Da mesma forma, pode-se pensar que Deus proveria tal evidência na esperança e chance de que o ateu teria uma mudança de coração. Resposta: Mas estas objeções são respondidas se Deus tem “conhecimento médio.” A doutrina do conhecimento médio divino implica, não somente que Deus sabe se as pessoas iriam responder a mais evidência se Ele as desse, mas também se seria sem efeito ou talvez até deletério. De acordo com isso, Deus poderia providencialmente arranjar o mundo para que aqueles que seriam crentes recebessem evidência, argumentos e dons da graça suficientes para crença livre e racional. E se Deus sabe tudo isso Ele não está sob qualquer obrigação de prover mais evidência do que Ele já deu. Para mais informações sobre isso veja no arquivo de perguntas e respostas, Pergunta 77, “Conhecimento Médio e o Particularismo Cristão.”)

Então nós realmente não temos qualquer boa razão para pensar que, se Deus existisse, então nós sempre teríamos conhecimento dele; e então nós não temos boas razões para pensar que nossa situação epistêmica concernente a se Deus existe sempre satisfaz o Critério da Expectativa de Conhecimento. E disso segue que alguém não pode negar a existência de Deus sem um argumento para sua não-existência, a favor do ateísmo. É por isso que Craig pode requerer de Hitchens um argumento para o ateísmo.

Deus é Imaginário? - Alguns Exemplos: Fada do Dente, Duendes, Papai Noel e Objetos Invisíveis

Deixe-me ver se consigo colocar tudo isso junto para responder sua pergunta com alguns exemplos que as pessoas pensam ser um problema para a linha de pensamento defendida até agora. Sua pergunta, basicamente, foi quando a ausência de evidência conta como evidência da ausência. Responder isso irá depender se nossa situação epistêmica satisfaz os Critérios da Expectativa de Evidência e Expectativa de Conhecimento para o objeto em questão: Alguém deveria espera possuir evidência suficiente para saber que objeto “O” existe? Se um rinoceronte estivesse no quarto, então a resposta é “Sim.” Portanto, olhar em volta e não ver um rinoceronte é, em si mesmo, evidência que não existe algum presente.

Mas e seres imaginários como a Fada do dente, duendes e Papai Noel? Deus é imaginário da forma como eles são? Ateus alegam que eles não precisam refutar a Deus pela mesma razão que eles não precisam refutar a existência de fadas do dente, duendes e Papai Noel. O problema com a comparação com estes dois últimos é que, enquanto nossa situação epistêmica com relação a Deus nem sempre satisfaz os Critérios da Expectativa de Evidência e Conhecimento, nossa situação epistêmica com relação a duendes e Papai Noel satisfaz - nós podemos refutar e refutamos-os o tempo todo; apenas algumas pessoas, se existem, argumentam pela existência deles, então nunca somos chamados a dar estas razões. Se Papai Noel existisse esperaríamos ver, mas não vemos, muitas evidências do fato, incluindo armazéns no Polo Norte, um trenó enorme e assim por diante; da mesma forma, se seres humanos biologicamente pequenos neste planeta existissem, nós deveríamos ver, mas não vemos, evidência deles: vilarejos em miniatura, lixo deles, os ossos de seus falecidos - evidências parecidas com o que vemos para ratos, hamsters e outras criaturas pequenas. Se houvessem mais pessoas, hoje, que fizessem defesa à existência de duendes e Papai Noel, então seria inteiramente apropriado para nós entrarmos em diálogo com eles, e isso dá razão para sua inexistência.

A este ponto um ateu pode objetar que a Fada do Dente é diferente de duendes e Papai Noel porque ela é invisível. (Ela é invisível na história?) Vamos supor que ela seja invisível. De acordo com o conto, ela coleciona dentes colocados embaixo dos travesseiros de crianças, deixando para trás uma recompensa (normalmente dinheiro). A evidência que esperaríamos ver se ela existisse, então, seria dinheiro deixado para trás, dentes roubados, etc. Nós encontramos tais evidências? Bem, não encontramos, mas nós esperaríamos que sim, caso ela existisse. Então, até mesmo a Fada do Dente satisfaz os Critérios da Expectativa de Evidência e Conhecimento. Então porque nos falta evidência para ela, dizemos que ela não existe (desculpa crianças!).

Suponha que o ateu concorde com a razão pela qual nós negamos Fadas do Dente, duendes e Papai Noel, porque nós temos, sim, evidência para a ausência deles. Ele pode, porém, insistir que a situação é significativamente diferente para outros objetos que são causalmente isolados de nós. Um exemplo disso é o famoso bule de Russell, que circula em volta do sol, um objeto que é (em sua maior parte) causalmente isolado de nós. Nós precisamos ser agnósticos sobre ele? Podemos dizer que ele não existe? Eu acho que sabemos que ele não existe porque não foi colocado lá por astronautas russos ou americanos; e nós sabemos que matéria no universo não se auto-organiza em formas de bule. Então, na verdade, nós temos bastante evidência de que o bule de Russell não existe; e já que nossa discussão é confinada a casos onde nós inferimos a inexistência de algo simplesmente sobre a base de ausência de evidência para ele, o exemplo é irrelevante.

Outra Objeção e uma Resposta

Mas agora imagine o ateu objetando:

OK, muito bem, eu vou conceder tudo o que você disse até agora sobre Papai Noel e o resto; mas não precisamos nos conformar pelo seu Critério quando o assunto é objetos que são tanto invisíveis (como a Fada do Dente) quanto causalmente indetectáveis (como o bule). Por exemplo, um elefante rosa invisível flutuante sobre a minha cabeça. Não existe tal coisa.

O teísta pode responder:

Seu exemplo é encantador e retoricamente esperto, mas incoerente. Alguma coisa que é invisível pode ser um elefante? Se sim, então certamente não é como um elefante normal - um objeto massivo e matéria que exibe todos os tipos de propriedades físicas. Seu pergunta do “elefante invisível” é realmente só um truque de mão retoricamente esperto; a pergunta primeiramente não faz sentido e talvez devesse ser refraseado como algo assim: “Nós podemos saber se não existem coisas imateriais ao nosso redor?” E a resposta deveria ser “Não” em qualquer um de dois sentidos: (1) Não, porque nós não temos evidência que não existem coisas imateriais, ou (2) Não, porque existem coisas imateriais ao nosso redor, por exemplo, Deus, anjos, mentes imateriais, qualia, objetos abstratos como números e ou proposições, etc. [9]

Deus é Imaginário? - Sumário e Conclusão

Sua pergunta é boa. Tenho tentado expor todo o pano de fundo e fazê-lo o mais acessível possível. Você pediu por evidências para a não-existência do Papai Noel, Fadas do Dente e parecidose achou injusto que o Dr. Craig tenha pedido a Christopher Hitchens evidência para o ateísmo. Eu argumentei que isso não era verdade. Se Hitchens ou qualquer outra pessoa procura estabelecer o ateísmo ele ou ela deve prover um argumento.

Depois de responder a uma pergunta mais abrangente que estava no pano de fundo - isto é, quais condições são necessárias para negar algo na ausência de evidência - nós encontramos que tudo se resumia no fato de se nossa situação epistêmica está de acordo com os Critérios da Expectativa de Evidência e Conhecimento; resumindo: na ausência de evidência, nós podemos negar a existência de algo “O” somente se nós esperamos possuir evidência suficiente para saber que “O” existe, mas, de fato, não o temos.

Quatro razões foram dadas do porquê nossa situação epistêmica não nos permite pensar que, se Deus existisse, então nós esperaríamos ter evidência suficiente para saber que Ele existe: (1) a natureza efêmera das evidências mostram que nossa situação epistêmica é volátil de acordo com o tempo e lugar (contra o Critério da Expectativa de Evidência); e (contra o Critério da Expectativa de Conhecimento) (2) os efeitos noéticos do pecado distorcem a evidência em favor de nossos fins egoístas; (3) os padrões epistêmicos irrazoavelmente altos que os ateus aplicam para provas teístas; e (4) Deus pode esconder-Se em resposta a tentativas de divorciar o conhecimento proposicional de Deus com um relacionamento pessoal e transformador com Ele. Depois de fazer tudo isso, eu finalmente respondi a sua pergunta e dei alguns exemplos de como evidência para objetos não existentes se parecem.

Eu espero que isso ajude a lhe dar claridade sobre sua pergunta, Steven!

–-Shaun

  • [1]

    Não teísmo é a definição de Antony Flew de “ateísmo” em “A Presunção do Ateísmo.” De acordo com isso, o artigo deveria ter sido intitulada “A Presunção do Não-Teísmo.”

  • [2]

    Warranted Christian Belief (Oxford: Oxford University Press, 2000), p. 213-214.

  • [3]

    Aldous Huxley, Ends and Means: An Inquiry into the Nature of Ideals and into the Methods Employed for their Realization (New York: Harper & Brothers, 1937), p. 312.

  • [4]

    Thomas Nagel, The Last Word (Oxford: Oxford University Press, 1997), p.130.

  • [5]

    Veja, por exemplo, Paul Moser e Daniel Howard-Snyder, ed., Divine Hiddenness (Oxford: OUP, 2002).

  • [6]

    Paul Moser, “Cognitive Idolatry and Divine Hiding” em Divine Hiddenness, p.131.

  • [7]

    Na introdução deles a Divine Hiddenness: New Essays, professores Paul Moser e Daniel Howard-Snyder listam outras razões que pessoas têm oferecido para o ocultamento divino. Estas razões diferem daqueles no texto principal acima porque aqui eles concedem que pode haver uma descrença não-culpável, a existência do qual é em si mesma uma pergunta filosófica:

    Deus oculta-se e assim permite descrença não-culpável (pelo menos em princípio) a fim de habilitar que pessoas livremente amem, confiem e obedeçam a Ele; de outra forma, nós seríamos coagidos de uma forma incompatível com amor. [Isto é basicamente a razão que eu resumi acima]

    Deus oculta-se e assim permite descrença inculpável (pelo menos em princípio) a fim de prevenir uma resposta humana baseada em motivos impróprios (tal como medo de punição).

    Deus oculta-se e assim permite descrença inculpável porque, se Ele não se ocultasse, humanos se relacionariam com Deus e com seu conhecimento de Deus de formas presunçosas e a possibilidade de desenvolver as atitudes internas essenciais para um relacionamento próprio com Ele seria descartada ipso facto.

    Deus oculta-se e assim permite descrença inculpável porque este ocultamente leva-nos a reconhecer a miséria da vida por nós mesmos, sem Deus, e assim estimula-nos a procurá-Lo de forma contrita e humilde.

    Deus oculta-se e assim permite descrença inculpável porque se Ele fizesse Sua existência clara o suficiente para prevenir descrença inculpável, então o senso de risco requerido para uma fé ardente seria objetavelmente reduzido.

    Deus oculta-se e assim permite descrença inculpável porque se Ele fizesse Sua existência clara o suficiente para prevenir descrença inculpável, tentação de duvidar Sua existência não seria possível, diversidade religiosa seria objetavelmente reduzida, e crentes não teriam tantas oportunidades de ajudar outros em começar relacionamentos pessoais com Deus.

    Descrentes inculpáveis ou são dispostos a amar Deus ao acreditar ou eles não são. Os dispostos ou são responsáveis por serem tão dispostos ou não. Se não, Deus deixa que eles confirmem sua boa disposição através de escolhas diante de tentações contrárias antes de fazer-se conhecido. Se sim, eles são dispostos por razões erradas e Ele espera que eles confirmem sua boa disposição em uma fonte mais pura antes de fazer-se conhecido. Descrentes inculpáveis que não estão dispostos a amar Deus ao acreditar e que não são responsáveis por falhar em ser dispostos são dados a oportunidade por Deus de mudar antes de fazer-se conhecido.

  • [8]

    Veja Michael Murray, “Deus Absconditus” em Divine Hiddenness.

  • [9]

    Uma última resposta que o ateu pode ter é dizer que a Navalha de Ockham (que diz “nós não devemos multiplicar entidades de forma desnecessária”) requer que nós neguemos todas estas entidades em questão. Mas isto é uma má compreensão da Navalha de Ockham, que é primeiramente uma regra/guia explicativa em vez de algo conferindo garantia ou justificativa para negar coisas. Nós entendemos a Navalha assim: “Dado o fato que nós estamos tentando explicar e (um evento, fenômeno, objeto, estado das coisas, etc.) e dado também ao fato que X por si mesmo explica e (grosseiramente: X causalmente ocasiona e), nós não devemos dizer que nós adicionalmente precisamos de Y para explicar e.” Nenhuma afirmação aqui é feita sobre se Y existe, até onde sabemos pode ser que exista.

- William Lane Craig