#700 É errado votar num candidato de partido alternativo?
March 23, 2021Na estratégia política de escolher o menos pior, qual é a opinião do Dr. Craig sobre cristãos que votam em candidatos de algum partido alternativo, mesmo que as chances para candidatas assim nos EUA sejam muito, mas muito baixas de serem eleitos? Será que os cristãos deveriam ser mais pragmáticos, evitando candidatos de algum partido alternativo (como, por exemplo, o Partido da Constituição: http://www.constitutionparty.com/), pelo menos até que eles tenham uma chance razoável de ganhar nas eleições? Sei destes dois podcasts https://www.reasonablefaith.org/media/reasonable-faith-podcast/the-presidential-election/, https://www.reasonablefaith.org/media/reasonable-faith-podcast/will-there-be-a-backlash-against-evangelicals/ que o Dr. Craig enxerga que as orientações políticas (ou plataformas e projetos que se transformarão em planos de ação) sejam um dos fatores mais importantes, senão o fator mais importante, na escolha de candidatos políticos.
Parece que o Dr. Craig defende ações acima de caráter, é isso? Mas o plano político não parte do caráter? Ou o Dr. Craig estaria indicando que o plano político é consequência do caráter?
Ken
Estados Unidos
Dr. Craig responde
A
Devo confessar, Ken, que fico inclinado a pensar que quem vota num candidato de algum partido alternativo sem nenhuma chance realística de ganhar é culpado por abandonar o seu dever. Na prática, está deixando a cargo de outros determinar quem serão nossas autoridades públicas. Há muito em jogo nas nossas eleições nacionais para abdicar de nossa responsabilidade de ajudar a escolher nossos líderes.
Definitivamente, defendo que priorizemos plano e orientação política acima de caráter. Os evangélicos americanos realmente amadureceram do ponto de vista político, penso eu, durante a presidência de Carter. Tantos de nós estávamos empolgados que um homem que se dizia abertamente cristão, nascido de novo, estaria no leme, guiando a nossa nação. Sentimos que podíamos orar confiadamente por ele, sabendo que ele estava em sintonia com Deus. No entanto, para muitos evangélicos, o presidente Carter veio a ser uma profunda decepção, por causa das políticas que ele buscou implementar. O que viemos a ver é que caráter sem o plano de ação correto é tão vazio quanto fé sem obras.
Assim, os evangélicos, diferentemente de outros grupos de eleitores, deixaram de votar num candidato só por ser “um de nós”. Pelo contrário, queremos saber quais são as suas posições e se ele levará a cabo as promessas políticas que fez.
Obviamente, as diretrizes políticas não partem do caráter. Um homem bom que seja fraco, facilmente influenciado, ou distraído talvez não seja líder eficaz. Um homem ruim talvez adote as políticas certas por motivos puramente pragmáticos, por elas atraírem um grande grupo de eleitores de cujo apoio ele precisa. Pouco importa por que ele adota essas políticas; o que importa é que ele adote as políticas certas.
Por isso, nas eleições que estão por vir, incentivo os cristãos a priorizarem orientação política acima de caráter e a votarem nos candidatos que têm a maior chance de promover valores bíblicos na esfera pública.
- William Lane Craig