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#53 Ensinando a teoria da evolução

July 12, 2012
Q

Sou professora de geologia e ciência ambiental no Ensino Médio. Estou ficando cada vez mais desconfortável ao ensinar o currículo que inclui as “provas” típicas da evolução. Acaso estou traindo Cristo, quando repito de forma irrefletida aquilo que se espera que eu diga? Posso justificar minhas ações alegando que meus alunos precisam “conhecer o inimigo deles”?

Qualquer ajuda é mais que bem-vinda!

Saudação calorosa,

Sarah

United States

Dr. Craig responde


A

Para dar início ao nosso segundo ano de Reasonable Faith online, considero que essa seja a pergunta apropriada para começarmos.

Sarah, acho que você tem consigo uma oportunidade maravilhosa! Ser professor é um ofício sagrado. Repetir de forma irrefletida temas que você considera não verdadeiros é trair não somente a Cristo, mas também a sua vocação como professora, além de trair pais e estudantes que confiam em você.

Todos nós que ensinamos precisamos ensinar sobre visões com as quais discordamos. E ao fazê-lo temos a obrigação de apresentar essas visões antes de submetê-las à crítica. Em nossos dias, a teoria evolucionista é tão importante, não apenas cientificamente, mas também do ponto de vista cultural, que é imperativo aos seus alunos a entenderem com exatidão. Por isso, você precisa ensiná-la também a eles.

Mas não é necessário que apresente falsidades como verdades. Antes, ensine seus alunos que isso ou aquilo é o que a teoria assevera. Então, discuta até que ponto a teoria é satisfatória. Apresente os prós e os contras da teoria em termos totalmente naturalistas, para não introduzir religião nela. Para tomar um exemplo mais neutro, suponha que estivesse ensinando sobre cosmologia. Você ia gostar de discutir um pouco da situação histórica anterior ao enunciado da teoria geral da relatividade feito por Einstein. Em seguida, você ia querer mostrar como Einstein aplicou a teoria dele ao universo como um todo, e que predições resultaram dela. Você ia querer falar das soluções de Friedman e Lemaitre para as equações de Einstein que predisseram um universo em expansão. Você ia querer falar sobre as descobertas empíricas que foram levadas em consideração para confirmar a teoria deles. Depois, vai querer falar a respeito das teorias alternativas, como a teoria do estado fixo ou as teorias oscilatórias.

Por que não pode fazer o mesmo com a teoria darwinista da evolução biológica? Descreva os problemas e as perplexidades que são conflitantes em Darwin e exponha que teoria ele propôs para solucioná-los. Mostre o quanto sua teoria original dependia do apoio da genética de Mendel. Descreva como a moderna teoria da evolução se desenvolveu a partir daí. Em seguida, você pode avaliar os pontos fortes e fracos da abordagem neodarwinista. Pode dizer que esse é o paradigma que controla a biologia hoje, o qual é esmagadoramente aceito. Explique a seus alunos aquilo que a teoria explica bem. Compartilhe com eles o que ele não consegue explicar tão bem. Um bom exemplo desse modo de tratar a questão é o livro de Stephen Meyer et al., Explore Evolution [Explore a evolução] (Melbourne: Hillhouse, 2007).

Você não precisa citar Deus, a criação e nem mesmo o projeto inteligente. Apenas pese os méritos e os deméritos da teoria. Afinal de contas, rejeitar a teoria evolutiva darwinista não significa adotar uma visão sobrenaturalista. Em razão da explicação das inadequações dos mecanismos da mutação genética e da seleção natural, penso que podemos ficar bem confiantes de que, perto do final deste século, a atual teoria evolucionista terá se metamorfoseado em uma teoria evolutiva diferente com mecanismos adicionais. Então, todos dirão, exatamente como fizeram antes, “Bem, sempre soubemos que a explicação dos antigos mecanismos era deficiente, mas agora resolvemos o problema!”.

- William Lane Craig