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#29 Lidando com a dúvida

July 12, 2012
Q

Dr. Craig,

Em primeiro lugar, gostaria de começar agradecendo-lhe por todo trabalho que o senhor tem feito. Seus artigos, livros e palestras têm sido muito benéficos à minha mente e coração. Tenho 21 anos e estou no segundo e último ano da escola de cinema em Calgary (Canadá). Assim que entrei no primeiro ano dessa escola, as dúvidas que subsistiam em minha mente durante o verão anterior me atingiram duramente. Nos meses seguintes, enveredei numa busca intensa e mentalmente maçante por respostas. Essa foi, talvez, a época mais difícil de minha vida. Pensava que meu mundo estava desabando e levando-me com ele. Vasculhava as livrarias em busca de qualquer coisa sobre a existência de Deus e sobre a historicidade do cristianismo. Deparei-me com muitos títulos de autores como Norman Geisler, J. P. Moreland, Peter Kreeft e outros mais. Descobri suas obras ao examinar as notas de fim dos livros que comprei. Tenho assistido a muitas de suas palestras e debates, e lido muitos de seus artigos. Espero ansiosamente o lançamento da última edição do seu livro Reasonable Faith [A veracidade da fé cristã]. Desde então, passei a ter grande interesse por Filosofia e Apologética. Atualmente, penso em cursar Filosofia depois de concluir a escola de cinema.

A razão principal que me impulsiona a escrever-lhe é uma pergunta, mas chegaremos nela daqui a pouco. Durante o ano passado em dúvidas e buscas, tive muitos momentos de altos e baixos. Não poderia afirmar com honestidade que, neste exato momento, sinto a segurança que gostaria de ter na minha fé. Há momentos em que fico muito frustrado com toda essa coisa de reflexões, discussões, debates. Às vezes, parece-me que estou começando a entender tudo, mas topo com um desses estúpidos sítios de fóruns da Internet postulando algum argumento contra o cristianismo ou contra a existência de Deus e volto de novo lá para baixo, pois não tenho resposta a dar (É nesses momentos que realmente quero ouvir suas palestras). Tornou-se cansativo esse ciclo de altos e baixos. Um amigo meu está passando por uma situação parecida com a minha. Finalmente, depois de vários meses, descobrimos que nós dois passávamos por tal situação. Desde aí, ele passou a ser meu companheiro íntimo nessa jornada. Conversamos acerca de nossas dúvidas, pensamentos, interrogações e cinismo, e sobre o quanto adoramos ouvir suas palestras. (Apresentei-o às suas obras e sítio na Internet faz cerca de um ano e meio e ele me disse — comicamente — que, quando está se sentindo deprimido por causa de todas as dúvidas, ouve os podcasts e palestras do seu sítio na Web; então vai para a cama e diz para si mesmo: “É isso aí, Dr. Craig [...] isso faz sentido [...] talvez Deus exista [...] tudo faz sentido [...]” enquanto cai no sono). Portanto, nós dois estamos em jornadas semelhantes.

Numa noite dessas, quando conversávamos, ficamos nos perguntando se, algum dia, as dúvidas e a insegurança vão desaparecer ou ser amenizadas, tornando-se suportáveis. A pergunta que lhe faço é esta: quando é que a dúvida/incredulidade vai embora, se é que vai? Haverá, realmente, algum dia em que acreditarei em Deus de todo o coração? (Sei que, na verdade, o senhor não pode responder a isso, mas o que eu gostaria de saber, eu acho, é se chegará ou não a hora em que “BUM! Eu creio em Deus!”?). Agora mesmo, inclino-me a crer em Deus num dia bom, mas duvido da sua existência no outro dia. No entanto, mesmo nesses dias bons, parece que fico consolado só com a possibilidade da existência de Deus e não com uma crença real nele. Quero crer em Deus mais do que tudo. Entendo o que acontece se Deus não existir e não consigo viver com esse pensamento. Mas a questão é que não posso me obrigar a crer nele. Haverá dias em que tenho de dizer a mim mesmo que crer em Deus faz sentido só para que eu possa ficar alegre por estar com minha família e amigos, que isso não é de todo inútil. É como se eu estivesse pendulando entre crença e incredulidade, indo para lá e para cá na medida em que passam os dias. É frustrante. Estava dizendo ao meu amigo que um dos pensamentos que me faz seguir adiante nessa luta é olhar para onde quero me ver no futuro. No futuro, vejo-me crendo em Deus e criando minha família com essa fé e convicção que me guiarão para que eu possa guiar minha família. É o que vejo lá na frente na estrada, mas não sei quanto tempo vai levar para chegar lá. Não me contentarei com a incredulidade. Se ela me possuir até que eu chegue ao leito de morte, vou combatê-la na esperança de ser possuído pela credulidade. Mas o caso é que, até lá, não quero fingir que creio em Deus.

Nem sei se isso faz sentido. Não espero que o senhor tenha respostas para todas essas questões. Acho que a única coisa que o senhor poderia fazer de fato é, talvez, relatar a sua jornada da incredulidade até a credulidade. A transição aconteceu do dia para a noite ou levou muito tempo desde o instante que o senhor disse que acreditava em Deus até quanto sentiu realmente a plena convicção? Não sei, em minha expectativa ou esperança, o que poderei ouvir do senhor. Espero que alguma coisa disso faça sentido para o senhor. Obrigado por qualquer conselho, discernimento, ou recomendações de leitura que possa nos dar.

Steven

United Kingdom

Dr. Craig responde


A

Obrigado pela sua carta extremamente tocante, Steven. Admiro sua coragem e honestidade. Suspeito que não exista nenhuma receita simples e rápida que, se seguida, fará suas dúvidas desaparecerem como mágica. É provável que você tenha de trabalhar suas dúvidas num processo lendo e angustiante. Mas saiba com certeza que muitos grandes homens e mulheres de Deus viajaram por essa mesma trilha antes de você e não perderam a fé.

Falando no meu caso particular, não fui criado num lar evangélico, mas tornei-me cristão no meu terceiro ano do ensino médio, não pela ponderação criteriosa da evidência, mas porque os estudantes cristãos que partilharam o evangelho comigo pareciam estar vivendo num plano diferente da realidade em que eu vivia. A fé que tinham em Cristo dava significado à vida deles e era acompanhada de uma feliz paz pela qual eu ansiava. Diferentemente do seu caso, lembro-me de pensar no futuro e dizer para meus amigos cristãos: “Simplesmente, não consigo imaginar Bill Craig como cristão!”. Mas, depois de uma angustiante busca por Deus que durou seis meses, de maneira maravilhosa, nasci de novo no Espírito em 11 de setembro de 1965, em torno das 8h da noite. Minha vida tomou um rumo totalmente novo.

Jovem crente e cheio de entusiasmo e fé, em 1967 fui estudar em Wheaton College. Na década de 1960, Wheaton tinha se transformado num canteiro de ceticismo e de cinismo e me desanimei ao ver alguns estudantes cujas capacidades intelectuais eu admirava perderem a fé e renunciarem ao cristianismo em nome da razão. Prevalecia uma atmosfera de racionalismo teológico (ou, como às vezes é enganosamente chamado hoje, de evidencialismo) — a ideia de que a fé, para ser racional, deve ser baseada em argumentos e evidências. No curso de Teologia, aprendi que nenhum dos argumentos clássicos favoráveis à existência de Deus era válido, e meus mestres de Bíblia jamais abordavam as evidências favoráveis aos Evangelhos. Entre os estudantes, a dúvida era louvada como uma virtude da vida cristã madura, e achava-se que as demandas da razão deveriam ser seguidas resolutamente aonde quer elas pudessem levar. Lembro-me bem de um de meus professores de Teologia comentando que, se fosse convencido de que o cristianismo era irracional, ele, então, renunciaria.

Ora, essas coisas me aterrorizavam e perturbavam. Para mim, Cristo era tão real que havia dotado minha vida com tamanho significado que eu não poderia fazer a confissão do meu professor. Se, de alguma maneira, durante meus estudos, minha razão se voltasse contra a minha fé, então, tanto pior para minha razão! Isso significa apenas que havia cometido algum erro em meu raciocínio. Por isso, confidenciei a um de meus professores de Filosofia: “Acho que não sou um intelectual de verdade. Se minha razão se voltasse contra Cristo, eu ainda assim creria. Minha fé é real demais!”.

Assim, flertei por um tempo com o fideísmo kierkegardiano — embora minha mente não pudesse descansar muito tempo na posição de que eu cria no cristianismo por ele ser absurdo. Como muitas vezes acontece na vida de estudantes ávidos, a leitura de alguns livros foram comprovadamente essenciais para meu pensamento e direcionaram minha vida num curso diferente. O primeiro livro foi Introduction to Christian Apologetics [Introdução à apologética cristã], de E. J. Carnell, o qual me convenceu que a razão pode ser usada para mostrar a consistência sistemática da fé cristã, sem, todavia, tornar-se a base dessa fé. O segundo foi Resurrection of Theism [A ressurreição do teísmo], de Stuart Hackett, que me deixou atordoado com a sua demonstração de que há, afinal de contas, argumentos persuasivos e irrefutáveis a favor da existência de Deus. Todavia, o livro de Hackett fazia parte de um projeto incompleto, e nos deixava com uma espécie de deísmo, e não com o teísmo cristão. Mas, então, em terceiro lugar, familiarizei-me, em nível popular, com as evidências cristãs, particularmente a favor da ressurreição de Jesus, compiladas, por exemplo, por Josh McDowell em Evidence that Demands a Verdict [Evidência que exige um veredito]. Evidenciou-se para mim que era possível defender, de modo positivo, convincente e lógico, a verdade do teísmo cristão.

Eu ainda não poderia abraçar a visão de que argumento e evidência constituem o fundamento essencial para a fé, pois os frutos desse ponto de vista estavam forçosamente claros para mim em Wheaton. Adiei temporariamente o assunto enquanto corria atrás de outras questões durante meu curso no seminário e estudos de doutorado em filosofia, mas voltei a estar novamente no primeiro plano em 1977, quando fui convidado pelo Campus for Christ [no Brasil: Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo] para proferir uma série de palestras sobre apologética, para os estudantes universitários em Munique. Minha palestra de abertura devia ser sobre fé e razão. Meditando no problema, deparei-me com um esquema que tem sido comprovadamente muito útil para mim, para trazer luz à relação entre fé e razão — a saber, a diferença entre saber que o cristianismo é verdadeiro e demonstrar que ele é verdadeiro. Foi gratificante para mim, pois o que apreendi de modo rudimentar e superficial tem sido confirmado pela obra recente de epistemólogos religiosos, notadamente Alvin Plantinga.

Defendi que argumento e evidência exercem papel essencial para mostrarmos que o cristianismo é verdadeiro e, contingente e secundário, para sabermos pessoalmente que o cristianismo é verdadeiro. O fundamento apropriado para sabermos que o cristianismo é verdadeiro é a obra interior do Espírito Santo; e ao mostrarmos que o cristianismo é verdadeiro, cabe a ele o papel de abrir o coração dos incrédulos para que admitam e correspondam às razões que apresentamos. Se tiver interesse em ver como desenvolvi esse raciocínio, dê uma olhada na minha colaboração ao livro de Steve Cowan, Five Views on Apologetics [Cinco visões sobre apologética] (Zondervan, 2000). Melhor ainda, leia o inspirador livro de Plantinga: Warranted Christian Belief [Fé cristã justificada] (Oxford University Press, 2003).

Acho que esse é um relato satisfatório da matéria, tanto no aspecto intelectual como no experimental. Quando olho o passado, para meus dias em Wheaton, vejo agora quanto nossa comunidade estava infectada com o racionalismo teológico e quão era deturpado meu conceito do que significava ser “verdadeiro intelectual”. Foi o testemunho do Espírito de Cristo dentro de mim que me deu a certeza fundamental de que minha fé era verdadeira; e minha recusa em desistir, em face de vencedores potenciais, não foi um sacrificium intellectus, mas estava totalmente de acordo com as deliberações da razão.

Se tal maneira de tratar a questão estiver certa, então, ela tem implicações práticas importantíssimas. Um dos maiores problemas do racionalismo teológico é ser nocivo à vida espiritual. Leva exatamente ao tipo de angústia descrita por você, em que a fé da pessoa oscila no pêndulo a cada nova edição da The Philosophical Review [A revista filosófica] ou a cada virada da pá do arqueólogo. Deus proporcionou um fundamento bem mais seguro para a nossa fé do que as areias movediças da evidência e do argumento. Deu-nos o testemunho interior do Espírito Santo como alicerce apropriado para o nosso conhecimento das grandes verdades do Evangelho.

Isso quer dizer que devemos estar bastante atentos à nossa formação espiritual. Antes de tudo, você precisa ter certeza de que é cristão regenerado. Se não nasceu de novo pelo Espírito Santo, então lhe falta o seu testemunho interno e, portanto, você está assentado unicamente sobre os argumentos e evidências que, em seu tempo e conhecimento limitados, encontra no caminho. Se assim for, não é de admirar que você sinta dúvidas e incertezas!

Faz alguns anos, quando estava fora na Escola de Teologia Talbot dando um curso de duas semanas, um sujeito da área da baía que estava visitando a família em San Diego, apareceu para conversar comigo sobre as dúvidas que o atormentavam. No decorrer de nossa conversa, percebi que ele ainda não chegara a ter um relacionamento pessoal com o Senhor. Portanto, perguntei-lhe: “Você diria que sua fé em Deus é apenas uma crença intelectual baseada na sua avaliação da evidência ou diria que Deus é uma realidade viva em sua vida?”. Após ele dizer-me que era exatamente a primeira possibilidade, perguntei: “Você já confiou realmente sua vida a Cristo e o convidou para ser seu Salvador e Senhor?”. Quando ele respondeu que realmente não havia pedido isso a ele, disse-lhe: “Bem, gostaria de fazer isso agora?”. Respondeu-me que gostaria, e assim curvamos a cabeça juntos em oração, e ele orou comigo para pedir a Cristo que entrasse na sua vida. Depois de orarmos, ele ficou especialmente grato; era exatamente o passo que ele tinha necessidade de dar.

Se você ainda não nasceu de novo, então lhe sugiro que busque a Deus com urgência em arrependimento pelo seu pecado, diga-lhe que crê que ele enviou seu Filho para morrer pelo seu pecado e para restaurar com ele o relacionamento para o qual você foi criado e convide o Espírito Santo para vir e lhe tornar espiritualmente vivo.

Entretanto, talvez você já seja um cristão regenerado. Nesse caso, você precisa cultivar a obra do Espírito Santo em sua vida. Você pode entristecer o Espírito Santo por pecar e extinguir sua orientação e poder, e por não permitir que ele reine plenamente em sua vida. Confesse o pecado logo que tiver consciência dele e permita que o Espírito Santo lhe conceda poder e direção. Tenha o cuidado de manter uma vida devocional, com momentos regulares de orações sozinho e estudo da Bíblia. Leve suas dúvidas a Deus e peça que lhe conceda a graça para perseverar. Cultive as virtudes cristãs em sua vida e depois poderá clamar pela promessa de 2Pedro 1.5-11: “fazendo isso, não tropeçareis jamais”. Faça tudo para tomar parte no culto corporativo verdadeiramente significativo no ambiente de uma igreja local. Cristãos solitários entregues a si mesmos geralmente não dão certo, e mesmo o contexto de um pequeno grupo não substitui a igreja, que é o corpo de Cristo, nesse caso no sentido local, repleta de todos os dons que ele concede. Não deixe de exercer seu próprio dom espiritual no contexto de uma igreja local, para ser útil aos outros. Suponho que você deu seguimento à sua conversão sendo batizado e celebrando regularmente a Ceia do Senhor. Partilhe intencionalmente a sua fé com os incrédulos, apesar de suas dúvidas (eles provavelmente respeitarão sua transparência e vulnerabilidade!). Nada fará sua vida espiritual vibrar com mais intensidade do que ver como Deus lhe usa para levar outras pessoas ao conhecimento salvador dele mesmo. Esteja em guarda contra os ardis de Satanás. Jamais perca de vista o fato de que você está envolvido numa batalha espiritual e que há um inimigo da sua alma que lhe odeia intensamente, cujo objetivo é a sua destruição e que não há de parar diante de nada para lhe destruir. Isso me leva a lhe perguntar: por que está lendo os websites daqueles ímpios, já que sabe o quanto são destrutivos para sua fé? Esses sítios são literalmente pornográficos (escrita maligna) e, portanto, devem ser evitados de modo geral. É certo que alguém tem de lê-los e refutá-los; mas por que tem de ser você? Deixe isso para outra pessoa, quem consegue lidar com isso que o faça. Lembre-se: a dúvida não é só uma questão de debate acadêmico ou discussão intelectual sem compromisso; ela envolve uma guerra pela sua alma e, se Satanás puder usar a dúvida para lhe imobilizar ou destruir, certamente o fará.

Acredito com firmeza e penso que a causa principal para o fracasso na perseverança e para os testemunhos bizarros dos que perderam a fé e apostataram são os lapsos espirituais e morais, e não as dúvidas intelectuais. Mas as dúvidas intelectuais tornam-se uma desculpa conveniente e lisonjeadora de nós mesmos para o fracasso espiritual, pois assim posamos como inteligentes demais e não como fracassados morais e espirituais. Acho que a chave para a vida cristã vitoriosa não é ter todas as suas perguntas resolvidas — coisa provavelmente impossível numa vida limitada pelo tempo —, mas aprender a viver com sucesso com perguntas não respondidas. A chave é impedir que as perguntas não respondidas se tornem dúvidas destrutivas. Creio que isso seja possível, guardando-se em mente o correto fundamento do nosso conhecimento da verdade do cristianismo e cultivando-se o ministério do Espírito Santo em nossa vida.

A questão é esta: o segredo para lidar com as dúvidas na vida cristã é não resolver todas as dúvidas que temos. Sempre teremos perguntas não respondidas. Antes, o segredo é aprender a viver vitoriosamente com nossas questões não respondidas. Compreensão do verdadeiro fundamento da fé e a devida atribuição de papéis ao argumento e à evidência podem impedir que perguntas não respondidas se convertam em dúvidas destrutivas. Em tal caso, não teríamos respostas para todas as nossas perguntas, mas, num sentido mais profundo, isso não terá importância; porque saberemos que a nossa fé é verdadeira com base no testemunho do Espírito e poderemos viver confiadamente mesmo quando temos perguntas que não conseguimos responder. É por isso que é importante conservar em mente a relação apropriada entre fé e razão.

Finalmente, eu lhe animaria a procurar resolver suas dúvidas até exauri-las. Afirmei que o segredo para lidar com a dúvida em nossa vida é aprender a viver vitoriosamente mesmo com perguntas não respondidas. Todo cristão pensante terá sempre uma “sacola de perguntas” cheia de dificuldades não resolvidas com as quais tem de aprender a conviver. Mas, de vez em quando, à medida que tiver oportunidade, é bom tirar a sacola dor armário, escolher uma pergunta e trabalhar para responder-lhe. De fato, posso assegurar que trabalhar com afinco numa questão não resolvida e persegui-la até que você finalmente encontre uma resposta que lhe satisfaça intelectualmente é uma das mais arrebatadoras experiências da vida cristã. Solucionar uma dúvida que tem lhe perturbado há algum tempo traz uma maravilhosa sensação de paz intelectual e inspira a confiança de que há soluções para as dificuldades que ainda restam na sua sacola de perguntas.

Quando tiver uma dúvida ou pergunta sobre um assunto específico, separe tempo para estudar essa questão particular lendo livros ou artigos sobre a matéria. As bibliotecas em faculdades e seminários cristãos podem ser particularmente úteis, se existirem onde você mora. Até mesmo bibliotecas públicas podem solicitar o que você precisa através do serviço de empréstimo entre bibliotecas. Procure saber o que os eruditos cristãos têm escrito na área que você está explorando e escreva-lhes — ou, se possível, visite-os para discutir a sua questão. Procure e converse com os membros do corpo de Cristo que têm estudado o assunto. Dessa maneira, eles estarão ajudando em um processo de mútua edificação. Mas não permita que suas dúvidas simplesmente se acomodem: persiga-as e vá atrás delas até solucioná-las completamente.

Não sei a resposta para a sua pergunta sobre se as suas dúvidas acabarão de repente. Isso, provavelmente, depende muito de pessoa para pessoa. Contudo, não penso que seja a coisa mais importante. O que importa mesmo é aprender a viver com perguntas não respondidas sem deixar que elas se transformem em dúvidas destrutivas. Isso, creio eu, é possível pela graça de Deus.

- William Lane Craig