#377 Porque eu não Faço Referência de mais Filósofas ou Teólogas?
May 16, 2015Olá Dr. Craig
Hoje estava me perguntando após ouvir seu podcast se existem mulheres teólogas ou filósofas que você lê/cita em seus argumentos/obras. Tenho ouvido uma grande quantidade de seus podcasts e leio alguns de seus trabalhos, mas eu não me lembro de alguma vez ter visto você citar ou fazer referência duma mulher como colega.
Eu percebo que provavelmente exista uma grande quantidade de sexismo institucional e um ímpeto contra as mulheres neste campo e que provavelmente existam alguns exemplos para sacar/mencionar, mas certamente o número de mulheres não pode ser igual a zero [...]
Por favor, fale-me de quaisquer mulheres teólogas e filósofas que você respeite e com quem concorde.
Obrigado por seu ministério e as muitas publicações variadas. Eu sou um grande fã de podcasts em geral e, em particular, dos seus.
Dan
P.S. Além disso, por favor fale-me se eu estou completamente errado e de que você faz referência de mulheres o tempo todo e todo mundo que você cita que eu não sei que é mulher e eu não tinha ideia porque você se refere a elas pelo sobrenome.
Nova Zelândia
New Zealand
Dr. Craig responde
A
Que pergunta interessante! Eu não vou responder, Dan, insistindo que: "Alguns de meus melhores amigos são filósofas e teólogas mulheres!" O fato é que, como você nota, relativamente poucos dos filósofos e teólogos com quem interajo são mulheres. A que se deve isso?
Bem, é apenas um fato que a filosofia (e a filosofia cristã em particular) é uma disciplina muito dominada por homens, e as mulheres que trabalham no campo podem não estar trabalhando em temas com os quais eu estou envolvido. Esta falta de sobreposição acontece especialmente no campo da teologia.
Há algumas filósofas cristãs proeminente, nomeadamente Eleonore Stump e Marilyn Adams, e você vai descobrir que eu interajo bastante com elas. Marilyn me forneceu suas traduções pessoais do trabalho de Scotus sobre a presciência divina para o meu livro The Problem of Divine Foreknowledge and Future Contingents from Aristotle to Suarez [O Problema da Presciência Divina e os Contingentes Futuros de Aristóteles a Suarez] (Brill, 1988), e, como quem conhece o trabalho dela vai antecipar, eu interajo bastante com os escritos dela sobre a solução de Ockham ao problema. (Alertado por sua pergunta, Dan, eu olhei o índice do meu livro e descobri que me refiro a ela em mais de 30 páginas deste livro, enquanto seu marido Bob, quem é igualmente eminente, apenas recebe uma mísera página!)
A teoria de Eleonore da eternidade divina, desenvolvida com o falecido Norman Kretzmann, foi um importante tópico de discussão no meu trabalho sobre a eternidade divina. Então, no meu livro God, Time, and Eternity [Deus, Tempo e Eternidade] (Kluwer, 2001), o índice de nomes revela que ela é mencionada pelo nome em 35 páginas, enquanto Richard Swinburne é mencionado menos da metade do número de vezes e Alvin Plantinga cerca de um terço o número de vezes. Obviamente, o grau em que se interage com a obra de um determinado acadêmico vai depender, em grande medida, se os interesses de pesquisa se sobrepõem, e esse era o caso no que diz respeito aos temas da onisciência divina e eternidade divina e o trabalho dessas duas mulheres.
Agora que penso nisso, o tema da onisciência divina também me deu oportunidade (e obrigação) de interagir com a obra de Linda Zagzebski sobre a presciência divina, e meu estudo da eternidade divina me obrigou a enfrentar a defesa de Laurie Paul das teorias atemporais da verdade.
Da mesma forma, o meu trabalho atual sobre a asseidade divina tenho-me dado a oportunidade de ler e interagir bastante com o trabalho de duas filósofas da matemática proeminentes, Penelope Maddy e Mary Leng. Na verdade, todo um capítulo do meu livro a ser publicado sobre a asseidade divina é dedicado à defesa de Mary da teoria da pretensão como uma abordagem anti-realista dos objetos matemáticos. Eu defendo sua visão contra as possíveis críticas como uma posição muito plausível.
Ainda assim, essas mulheres são as exceções que confirmam a regra. Embora não sejam tão escassas como encontrar “galinhas com dentes”, as filósofas e especialmente filósofas cristãs são uma pequena minoria.
Da mesma forma, que teólogas filosóficas existem? Talvez Nancey Murphy e a falecida Grace Jantzen, mas o trabalho delas tende a ser em diferentes áreas do que as minhas. Mesmo entre os estudiosos sobre o Jesus histórico, que exegeta mulher tem feito um grande trabalho sobre o tema da ressurreição de Jesus? Paula Fredericksen fez algumas declarações sobre isso que eu cito, mas eu pelo menos, não tenho conhecimento de importantes contribuições de mulheres sobre este assunto em particular. Então, o que eu posso fazer? Se as mulheres estão trabalhando na minha área, eu as leio e interajo, mas se não, eu não posso.
Que esta seja uma chamada para o lado feminino da nossa comunidade evangélica. Precisamos de mais filósofas e apologistas. Mas poucas mulheres jovens sentem um chamado a esta vocação. Como já observei antes (Pergunta # 341), a abordagem intelectual, ao contrário da relacional, da religião tende a ser mais atraente para os homens do que para as mulheres. Na semana passada um dos membros femininos da minha classe Defenders [Defensores] comentou sobre a preponderância de homens na classe em comparação com uma outra classe que ela estava participando a qual era principalmente de mulheres, porque o foco da classe era relacional. Ela disse com um sorriso: "Mas 'nós homens' gostamos da abordagem intelectual!" Há mulheres pensantes lá fora que podem fazer uma contribuição para o campo se conseguem ver o chamado de Deus incluindo-as em seguir uma carreira acadêmica.
- William Lane Craig