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#326 O Molinismo é tão Deprimente quanto o Calvinismo?

May 16, 2015
Q

Eu tenho uma pergunta sobre a presciência de Deus, que é um tema que sempre me incomoda.

Eu estava olhando para um artigo que Dr. Craig escreveu sobre o conhecimento médio e estava me perguntando:

Como é que o conhecimento médio nos leva para longe da ideia de determinismo? Se Deus escolhe qual mundo é criado, e nesse mundo alguém que eu conheço não é salvo e não pode ser salvo […] isso está sugerindo que em um mundo assim essa pessoa nunca será salva? Será que nós, então, apenas supomos que Deus criou um mundo em que todos os que podem ser salvos em QUALQUER mundo serão salvos e QUALQUER um que não pode ser salvo, não será? E se esse for o caso, pra que serve a oração humana nesta situação? Não faz com que qualquer um que ora para o que Deus já fez, vai ter sua oração "respondida", e outros não vão? Eu teria pensado que a resposta seria a de que Deus teria consignado a oração humana em sua tomada de decisão e plano para o mundo (não que mudamos a mente de Deus, em si), mas parece que, se o decreto da criação de Deus já estabeleceu a salvação/perdição, […] isso importa?

Quando eu tento a ponderar a presciência de Deus e a minha vida, eu tenho dúvidas horríveis. Eu me sinto incrivelmente deprimido e culpado porque minha mente não consegue conciliar tudo. Eu sinto que o Calvinismo sugere que Deus predetermina tudo, e todos nós estamos seguindo um roteiro que faz tudo parecer sem sentido para mim (e para o Dr. Craig, como ele diz em sua resposta) [...] mas o conhecimento médio parece sugerir que Deus nos predetermina, escolhendo em qual mundo existimos, portanto, parece que não é muito diferente do calvinismo, é apenas um passo mais alto (eu adoraria esclarecimentos aqui) ... e depois o arminianismo sugere que Deus atrai todos a ele, mas nem todos são salvos. No entanto Deus faz coisas no mundo que trazem as pessoas para a salvação, mas não faz isso a algumas outras pessoas, o que sugere ou comportamento arbitrário ou alguma forma de conhecimento mais elevado.

Eu realmente odeio isso, porque eu sempre fui um cristão relativamente forte, mas eu abri esta caixa de Pandora e não consigo descobrir como fechar.

Eu sei que esta pergunta foi um pouco de desabafo e eu sei que alguém que não seja o Dr. Craig provavelmente vai responder, o que é legal, mas [....] eu acho que a minha última pergunta é [...] Como se vive a vida com gozo? Como você não teme que talvez um dia algo possa acontecer que traga a dúvida ao seu coração, e então você começa a se perguntar coisas do tipo "e se eu for uma daquelas pessoas que nunca poderiam ser salvas e apenas pensei que eu era?" Eu sei que soa ridículo, mas eu me preocupo com esse tipo de coisa e estou verdadeiramente à procura de conselho de outros cristãos sobre este assunto. Eu nunca pensei sobre esse tipo de coisa até entrar em todo o debate sobre presciência. Infelizmente, este tipo de discussão vai muito além do nível atual de compreensão dos membros da minha igreja e eu realmente não posso ter esse tipo de discurso.

Muito obrigado por toda e qualquer ajuda.

Mike

Estados Unidos

United States

Dr. Craig responde


A

Ao mesmo tempo que eu concordo com você, Mike, que o Calvinismo tem algumas consequências bem deprimentes, parece-me que a sua angústia com o molinismo é em grande parte o resultado de mal-entendidos desnecessários de sua parte. Então, acho que eu tenho um pouco de alívio para oferecer ao seu sofrimento!

Para começar, é impreciso dizer que no molinismo: "Deus escolhe qual mundo é criado e nesse mundo alguém que eu conheço não é salvo e não pode ser salvo". Aquela pessoa que não estiver salva pode ser salva, e ele se perder é o resultado de sua livre rejeição da graça salvadora de Deus e é contrário à vontade de Deus para sua vida. No molinismo seu destino está em suas próprias mãos. Não está claro o que você quer dizer quando diz, "em um mundo assim essa pessoa nunca será salva". Obviamente, em nenhum mundo em que a pessoa não é salva ela se salva! Mas há mundos possíveis em que a pessoa é salva. Talvez você esteja se perguntando se existem mundos possíveis em que esta pessoa é salva. O molinismo é neutro quanto a essa questão. O Molinista poderia sustentar que essa pessoa não está salva em cada mundo possível em que ela existe, mas isso não é inerente ao molinismo.

Você pergunta: "Será que nós então apenas supomos que Deus criou um mundo em que todos os que podem ser salvos em QUALQUER mundo serão salvos e QUALQUER um que não pode ser salvo, não será?" Obviamente que não! Caso contrário, haveria um número infinito de pessoas no mundo. Realmente, a sua pergunta parece tão confusa que é difícil para eu fazer sentido dela. Talvez você esteja perguntando se quem não estiver salvo no mundo real não está salvo em todos os mundos possíveis; e a resposta é que o molinismo é neutro a esse respeito. Talvez você esteja perguntando se alguém que está salvo no mundo real não está salvo em algum outro mundo possível. Mais uma vez, molinismo não se pronuncia sobre isto, mas por que não?

Quanto à eficácia da oração, eu concordo com você que "Deus teria consignado a oração humana em sua tomada de decisão e plano para o mundo (não que mudamos a mente de Deus, em si)". A escolha de Deus por um mundo pode levar em conta as orações que as pessoas fariam nesses mundos, para que a oração realmente faça a diferença. Mas então, estranhamente, você pergunta se isso não importa, porque "o decreto da criação de Deus já estabeleceu a salvação/perdição". Mas, Mike, você já disse que decreto da criação de Deus consignou aquelas orações, então, obviamente, importa sim!

Tenho a suspeita de que você está sendo enganado pelo pensamento fatalista, deixando de perceber que se não orássemos, então Deus não teria agido como o fez. Sua atuação como tal é um fato "leve" sobre o passado, contrafactualmente dependente de um evento posterior. Ou seja, temos a capacidade de agir de tal maneira que, se assim fizéssemos, o passado seria diferente do que é.

Você diz que no molinismo, "Deus nos predetermina escolhendo em qual mundo que existimos, portanto, parece que não é muito diferente do calvinismo." É completamente diferente, porque temos liberdade libertariana nesses mundos para aceitar ou rejeitar a graça de Deus. A escolha de Deus de um mundo não faz nada para nos predeterminar. Pense nisso desta maneira: somos co-realizadores do mundo com Deus. Ele deixa conosco para determinar se Mundo1 será real ou Mundo2 será real, dando-nos a liberdade de atualizar esses estados de coisas que se encontram no âmbito das nossas escolhas livres. Portanto, se dois mundos Mundo1 e o Mundo2 são completamente iguais até o momento da minha aceitação/rejeição da graça salvadora de Deus, e se eu sou salvo em Mundo1, mas perdido em Mundo2, isso é porque eu optei por realizar um e não o outro. Não culpe Deus por qual é o mundo real!

Você ainda está pensando como um calvinista, Mike, quando você diz, " e se eu for uma daquelas pessoas que nunca poderiam ser salvas e apenas pensei que eu era?" Não existem tais pessoas de acordo com molinismo! Deus quer que cada pessoa que Ele cria seja salva e dá graça suficiente para qualquer pessoa ser salva, se apenas a pessoa aceitá-la. Assim, todos podem ser salvos. Deus somente sabia quem iria aceitar livremente a Sua graça e quem iria rejeitá-la livremente.

Depois de ler sua pergunta, Mike, eu acho que você não leu suficientemente nesta área. Recomendo-lhe Four Viewson Divine Providence [Quatro Pontos de Vista na Divina Providência], ed. Dennis W. Jowers (Grand Rapids, Mich.: Zondervan, 2011).

- William Lane Craig